Um por todos e todos por um

Você por certo já se fez esta pergunta: Afinal, por que mesmo vou fazer um curso universitário? A resposta não é tão simples como parece. Envolvidos, nos tempos atuais, pela preocupação com trabalho e remuneração, tendemos a dizer que fazemos um curso universitário para, no futuro, ter bom emprego com ótimo salário. Neste caso, a escolha do curso universitário está subordinada, entre outros, a tal critério.

Bill Gates, o criador do sistema operacional Windows, hoje um bilionário norte-americano, disse em recente entrevista, nessa linha de pensamento, que as melhores áreas, por serem as que oferecem e oferecerão mais empregos, e bons empregos, são a programação, a ciência, a biologia avançada e a das inovações no setor de energia, porque serão estas áreas as maiores fontes de mudança nos próximos anos. Mudanças geram empregos bem remunerados.

Evidentemente, Gates estava pensando em termos de Estados Unidos e países mais avançados atualmente em ciência, tecnologia, indústria e comércio. Embora o que diz possa servir também a nós, brasileiros, talvez as palavras do bem sucedido empresário devam ser entendidas com algumas reservas. Antes de mais nada, devemos nos perguntar se um curso universitário é apenas isso mesmo, um trampolim para um futuro emprego bem sucedido, uma ferramenta adequada para ingressar e agir com sucesso no mercado de trabalho.

Seria apenas isso? O Blogueiro acredita que não. É evidente que pensamos, ao escolher um curso, numa carreira de sucesso. Mas fazemos o curso apenas por isso e para isso? Claro que não. Nossa escolha também tem muito de preferência pessoal, de opção marcada por afetividade, pelo prazer de estudar numa área que  sentimos como “nossa” área. Em resumo: estudar, além de uma necessidade, é um prazer, uma satisfação pessoal

Por isso, é claro que vale a pena analisar as áreas que, em nosso país, mais se desenvolverão proximamente e oferecerão mais empregos. Mas isso não é uma escolha cega, fria, de puro raciocínio. Tem muito a ver também com o que queremos para o nosso país e nossa satisfação em nela estudar e trabalhar. De fato, não somos bando de indivíduos, cada qual pensando em si mesmo, mas, ao contrário, somos uma sociedade, uma comunidade, cujos valores coletivos assumimos conscientemente. Por isso, se é possível estudar medicina para ter uma carreira de sucesso profissional e financeiro, é também possível estudar medicina com o objetivo de cuidar de pessoas necessistadas, quer na orla das grandes cidades, quer nas regiões desassistidas do interior do país. E se é possível estudar biologia para obter sucesso e fama como pesquisador no país e no mundo, também é possível estudar biologia com vistas a obter soluções para curar doenças que afligem grande parte da população mundial, sem desejo imediato de glória ou de fama. Tudo isso vale, como vale também se alguém escolher seu curso apenas pelo puro prazer de estudar e aprender, deixando seu futuro para acontecer no futuro.

Pense bem nestes comentários e exemplos, no momento de escolher as áreas em que prestará seu vestibular. Não se deixe iludir na escolha do curso pelos valores mercadológicos que hoje parecem dominar a população estudante do mundo inteiro. Pense em si mesmo e pense nos outros, como um ser ao mesmo tempo individual e coletivo, destacando não apenas a busca de satisfação pessoal em sua atividade futura, mas também o interesse de todos os brasileiros e de todas as pessoas do mundo. O conhecido lema da lenda dos três mosqueteiros, eliminado o aspecto bélico, cabe muito bem nessa ordem de pensamento: Um por todos e todos por um. Só assim conseguiremos fazer deste mundo um bom lugar para viver, para todos viverem. Pense nisso.

 

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