Essa síndrome do oblíquo indevido!!

Você é influenciável? Não? Claro que é. Todos somos. O ambiente nos leva a assumir atitudes que não tomaríamos, se tivéssemos um pouco mais de cuidado.

Epa! Parece que o Blogueiro está tentando dar uma de psicólogo! Nada disso, ainda estamos falando de vestibular e de como evitar certos vícios maliciosos transmitidos pela tecnologia, por meio da internet e de tudo que ela veicula, sobretudo textos.

A rede é, de fato, um ambiente em que mergulhamos muitas vezes por dia, por meio de computadores, laptops, tablets, celulares. É claro que esse ambiente, de uma forma ou de outra, nos influencia. Um exemplo: os discursos escritos que antes nos vinham somente pelos livros, e os falados que recebíamos pelo rádio e televisões agora nos vêm pela web. Livros, revistas, jornais em papel estão com seus dias contados, porque a rede vai assumindo todas as funções de comunicação, todos os discursos.

Afinal, dirá você, nem precisa falar. Eu já sei de tudo isso!

Pois é. E o Blogueiro vem constantemente alertando para o fato de que, se em livros, revistas e jornais em papel os revisores executavam um ótimo trabalho, tornando por vezes quase inexistentes os erros, na internet esse cuidado parece não ser lá muito grande. Há textos e textos praticamente sem revisão nenhuma, povoados de deslizes gramaticais e gralhas ortográficas. Nesse ambiente, se você não tomar todas as cautelas, poderá ser influenciado e levado a assumir soluções muito erradas como se fossem do perfeito estilo de um Rui Barbosa. Lamentável ilusão.

Chegamos ao ponto visado pelo Blogueiro para o artigo de hoje, que denominamos sindrome do oblíquo indevido. Trata-se da questão dos pronomes oblíquos átonos o (os, a, as).  Esses pronomes podem apresentar variações, conforme a terminação do verbo: lo, la, los, las, no, na, nos, nas. Como você sabe, tais pronomes funcionam na oração como objetos diretos, por exemplo: Entreguei o aviso (o aviso é objeto direto). Se substituirmos o objeto direto “o aviso” pelo pronome oblíquo correspondente, teremos: Entreguei-o. Este “o”, por estar substituindo um objeto direto, exerce a mesma função do substituído. Suponha agora: Entreguei o aviso ao secretário. Temos nessa oração um objeto direto (o aviso) e um objeto indireto (ao secretário). Analise, então, este exemplo: Entreguei-lhe o aviso. O lhe substitui ao secretário como objeto indireto. Lhe, lhes funcionam na oração como objetos indiretos. Seria um erro grave, portanto, escrever Entreguei-o o aviso. Por quê? Porque você estaria colocando um objeto direto em lugar de um indireto. Percebeu? No entanto, abundam nos textos da internet passagens como a seguinte, que apareceu nesta semana numa notícia: “O garoto com olhar de pesquisador ainda não foi localizado. Mas, certamente, a ciência tem muito a agradecê-lo.”

Horrível, não é? O jornalista devia ter escrito agradecer-lhe, porque se trata de objeto indireto: agradecer a ele, agradecer ao menino, agradecer-lhe. Vamos dizer que foi um cochilo devido à pressa do autor, que não erraria se relesse o que escreveu. Então houve falha do revisor, que não poderia ter deixado passar esse equívoco. Revisor não pode ter pressa.

Não há um só dia em que o Blogueiro não encontre um ou até mais exemplos dessa síndrome do oblíquo indevido, especialmente com o verbo agradecer.

Por isso, muito cuidado para não tomar os textos da internet como modelos de correção. E faça uma boa revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos para evitar essas escorregadelas de regência tanto em suas respostas discursivas, quanto na redação. Nas respostas a questões discursivas, esse erro pode até mudar o sentido da frase, invalidando seu acerto. E na redação fatalmente haverá desconto de nota. Você não quer nada disso, não é?

Evite, portanto, a síndrome do oblíquo indevido. E procure anular em seu discurso esse verdadeiro batalhão de erros que o ataca todos os dias na rede.

 

Deixe um comentário