“Veja-se” em suas redações

Você recebe muita orientação e dicas sobre como fazer suas redações, não recebe? Nem sempre, porém, aqueles que o aconselham têm consciência de que estão deixando de lado talvez a mais importante sugestão: é você que escreve, é você que interpreta a proposta, é você, enfim, que receberá ou não a nota adequada.

Parece óbvio dizer isso, não parece? Sim, mas não é. Isso é muito importante. Você escreve, você é o autor. E não é o autor apenas na prova do vestibular, mas o tempo todo em que escreve qualquer texto. Em termos de preparação, é um ponto fundamental: ao se preparar para a prova de redação, ao fazer suas simulações, as escolhas são suas, a estrutura do texto é a que você estabelece, a opinião é a que você defende ou assume.

O Blogueiro já disse que  você deve preparar-se fazendo pelo menos duas redações por semana até o vestibular. E nessas redações deve sempre ter em mente que as palavras, as ideias, os argumentos, a conclusão representam você mesmo. Se compreender bem esse fato, perceberá que não deve apenas projetar, mas projetar-se em cada redação que escrever como exercício. Dito de outro modo: cada redação que escreve é um retrato do que você é.

Talvez por isso  não seja tarefa muito fácil aprender a escrever. Mas também talvez por isso, depois de aprender, se torne tarefa fácil dominar o texto que escreve. Por esta razão o Blogueiro sugere que você se veja em seu texto desde o próprio título que escolhe.

Então comece suas reflexões e seu treinamento pelo começo, vale dizer, pelo título. Muitos candidatos, na prova de redação, nem título colocam, iniciando diretamente o texto. Veem a prova como um mal necessário de que é preciso livrar-se o mais rápido possível. Deixam  de perceber, com isso, que o título é uma espécie de coroamento antecipado de um texto, uma espécie de síntese. Lembra de ter lido Iracema, de José de Alencar? O nome da personagem, dado como título, revela que o livro está inteiramente centrado na protagonista. Lembra de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis? O título antecipa e sintetiza o próprio desenvolvimento da narrativa e a condição em que a personagem narra.

Sua redação não é diferente, precisa ter um título que esteja em harmonia com o corpo do texto, com a opinião manifestada neste. E aqui chegamos ao ponto mais importante, em termos de preparação: procure fazer todo tipo de experimentação, em seus textos, para que sua opinião transpareça com o máximo de clareza. Um bom exercício será o de ler editoriais de jornais e artigos assinados, experimentando fazer uma redação em que concorde com o argumento do autor; e outra em que discorde desse argumento. Com exercícios como este, você desenvolverá uma técnica própria de argumentar, muito semelhante à empregada por advogados e políticos, e não menos semelhante à que empregava Sócrates, nos diálogos de Platão. A este respeito, não lhe faria nada mal ler alguns diálogos de Platão, para se tornar mais capaz ainda de argumentar e contra-argumentar, de sentir que o que escreve é uma representação exata do que pensa e sente.

Assim, quando tiver certeza de que é capaz, o tempo todo, de ver-se em seu texto, você estará pronto para enfrentar sem qualquer susto as propostas de redação dos vestibulares.

 

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