Falar bem ou falar mal, saiba o que fala!

No artigo anterior, o Blogueiro focalizou um assunto muito importante, que andou e anda preocupando os candidatos aos exames vestibulares: o receio de ver recusadas redações que, por exemplo, argumentem contra a ética vigente e os próprios fundamentos da democracia. E assim também outros posicionamentos considerados abomináveis pela sociedade atual. A questão estava pendente: deveriam receber nota zero redações com tais teores? Nas bancas de que participou, o Blogueiro sempre achou que não, argumentando que não se corrigem opiniões, mas redações, já porque pode haver, por exemplo, bons textos que opinem contra a democracia, já porque pode haver maus textos que a defendam

No final da semana, uma decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, sobre essa matéria, pôs fim a todas as especulações e preocupações a respeito, já que reafirmou o princípio constitucional da livre manifestação de opinião. A partir dessa decisão do STF, nenhuma redação de vestibular ou de concurso público pode ser zerada por defender argumentos que se oponham aos fundamentos democráticos vigentes. Em conclusão: mesmo que defenda uma tese abominada pela sociedade democrática, a redação tem de ser corrigida como texto, não como opinião.

Não poderia ser de outro modo: o sistema democrático se baseia, por princípio e natureza, no respeito às liberdades individuais, entre as quais a liberdade de pensar e opinar. Os políticos costumam dizer e repetir à saciedade que a democracia se fundamenta na convivência de contrários. Nada mais verdadeiro: no exato instante em que uma opinião, por mais extrema e abominável que seja, é censurada, não estamos mais num sistema democrático, mas num regime de força, numa ditadura.

Beleza! exclamará algum candidato e concluirá: Então vou poder dizer o diabo em minha redação sem que a banca corretora possa zerá-la. Não é bem assim, retrucará o Blogueiro, lembrando o dito popular: aí é que a porca torce o rabo. O candidato deve observar que, ao expressar sua opinião, pode estar infringindo em parte o regulamento da correção no que diz respeito ao desenvolvimento do tema. Nesse caso, bem como noutros semelhantes, sua redação não receberá zero, mas, em virtude da própria proposta, poderá ser penalizada com a perda de alguns pontinhos por não atender a um requisito. E ninguém quer saber de perder alguns pontinhos em vestibular, em que uma vaga pode ser decidida por minúsculas frações de pontos.

Por tudo isso, o Blogueiro reafirma o que disse no texto postado anteriormente, sugerindo ao candidato avalie muito bem a proposta de redação e desenvolva seu texto de acordo com esses parâmetros. De fato, embora não seja proibido, ainda mais após a decisão do STF, a redação de vestibular não é o local ideal para defender ideias extremamente contrárias ao status quo. É o local, porém, para o candidato demonstrar que é capaz de produzir um ótimo texto ao explorar o tema proposto. O maior valor, portanto, está no texto, e não na natureza da opinião.

É claro, todavia, que o Blogueiro apenas está dando um conselho brotado de sua experiência, já que também há certo tempo prestou seu vestibular. O candidato poderá ter raciocínio diverso: Sei bem que minha redação pode perder alguns pontos, mas vou manifestar minha opinião livremente e fazer um texto chocante. E, como escrevo muito bem, posso convencer a banca a não me penalizar de nenhum modo. Neste caso, o Blogueiro lhe deseja boa sorte. A conclusão de outros candidatos poderá ser muito diferente: Sou capaz de defender muito bem qualquer ponto de vista do tema proposto. Vou escolher o que me permita fazer um texto de melhor e maior qualidade, para receber o máximo possível de pontos. Esta é uma atitude muito mais ponderada e mais em acordo com os reais interesses dos candidatos em obterem suas vagas nos cursos pretendidos.

O assunto, portanto, está agora resolvido, sendo responsabilidade do próprio candidato o caminho a seguir: arriscar-se, confiando no seu taco, como se costuma dizer, ou escolher um trajeto mais seguro, menos sujeito a surpresas. Pense bem a respeito e tome sua decisão de acordo com sua própria personalidade e interesses.

 

 

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