Sua redação x sua opinião

Preste muita atenção a este conselho nascido da experiência de um velho professor: na vida, nem sempre vale o que é, mas o que tem de ser.

Por que o Blogueiro está se valendo desse princípio? Porque está sendo muito discutido, nos meios de comunicação, o problema das opiniões dos vestibulandos em suas redações. E o tema é a aceitação ou não de opiniões dos candidatos que contrariem a ética e o estado democrático, só para citar dois dos pontos considerados nevrálgicos. Em resumo: tem o vestibulando e qualquer candidato a concursos o direito de defender, em sua redação, opiniões opostas a esses pontos? Trata-se de uma questão que, como diz o povo, dá muito pano pra mangas.

Algumas pessoas argumentam que nossa Carta Magna, a Constituição brasileira, estabelece a liberdade de opinião. É verdade. Todos temos o direito de escolher nossas opiniões e manifestá-las, mesmo que contrariem o status quo, vale dizer, o que se pensa e se defende comumente no estado de direito democrático. Aí é que reside o problema verdadeiro: mesmo que tenhamos o direito de defender certos pontos de vista que o senso comum abomina como antiéticos e antidemocráticos, será aconselhável fazê-lo em todas as situações? Claríssimo que não. Nossa vida é uma sequência de situações, e em cada uma delas nossas atitudes nem sempre podem ser as mesmas: dependem do que esteja em jogo em cada caso.

Alguém poderia até dizer: É, mas a Constituição brasileira me dá o direito de defender meus pontos de vista. Agora o Blogueiro chega ao ponto. É a redação de concurso público ou de vestibular o meio adequado para a defesa de pontos de vista extremos, contrários, por exemplo, à igualdade de direitos no que se refere a credo religioso, a escolhas sexuais e opções políticas? Não é. Qualquer de nós pode ter suas opiniões, por mais absurdas que sejam, mas nem todo meio e nem todo momento serão adequados para defendê-las. E a redação de vestibular não é seguramente esse meio, por muitas razões, inclusive a mais importante: obter o máximo possível em termos de pontuação.

Se o candidato sabe, deste modo, que em determinado vestibular haverá perda de pontos em caso de opiniões que contrariem os princípios éticos vigentes, deverá ter a perspicácia de conduzir sua argumentação sem correr esse risco. Para falar a verdade, o melhor mesmo será assumir tal atitude em qualquer vestibular ou concurso que venha a prestar. Com isso, um possível perigo será 100% neutralizado, podendo o candidato, em seu texto, cuidar de outros aspectos que possam levá-lo a uma pontuação maior.

Conclusão: do mesmo modo que, para não ser penalizado na nota, o candidato procura respeitar a ortografia, os princípios gramaticais, a coesão textual, deve tomar todos os cuidados para evitar que o conteúdo de seu texto possa ser penalizado pela adoção de posturas negadas e até combatidas pela sociedade atual.

Não se trata, portanto, de uma questão de direitos, mas de postura realista e de discernimento: nem sempre vale o que é em todas as situações, mas o que deve ser em situações determinadas. Valeu a observação?

 

 

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