As quotas: uma universidade justa

Você sabe, é claro, que há muitos anos se desenvolvem as reivindicações de estudantes sobre a necessidade de quotas em todas as universidades. Saiba também que o  Blogueiro sempre foi favorável a essas demandas, por razões inquestionáveis. A principal delas nasce do fato de que, por não ter um índice de investimento tão alto quanto o de escolas particulares, as escolas públicas não conseguiam levar seus alunos a desempenhos suficientes em exames vestibulares, marcados pelo grande predomínio de candidatos egressos de escolas particulares. Se você é ou está se formando agora, sabe muito bem disso.

A solução desse problema não foi fácil. Para o Blogueiro, que prestou seu vestibular ainda sem que houvesse sistema de quotas, a consciência desenvolvida nas universidades públicas a respeito da necessidade de abrir tal sistema foi um processo talvez lento, mas seguro e justo, que atinge hoje seus índices mais elevados. De fato, à medida que o número de universidades públicas aumentou, bem como o número de vagas que foram passando a oferecer, ficava evidente a distorção social nessas ofertas, já que as vagas, particularmente nos cursos mais procurados, eram predominantemente ocupadas por candidatos oriundos de classes mais abastadas, por haverem cursado escolas bem mais estruturadas e cursos preparatórios de alto custo. Poder-se-ia falar em “culpados” dessa distorção? De modo algum. Foi algo que se criou a partir do próprio crescimento populacional, do desenvolvimento do ensino no país e das sucessivas crises que veio enfrentando ao longo do tempo. As reivindicações dos estudantes, neste sentido, foram verdadeiros alertas de que as universidades deveriam criar sistemas em que o problema social do ingresso em seus cursos deveria ser enfrentado e buscadas soluções adequadas. Felizmente, tais soluções acabaram chegando sob a forma de quotas.

Neste panorama, você deve saber que a UNESP representa um dos mais louváveis exemplos. Em primeiro lugar, porque, mesmo antes do sistema de quotas, sempre foi uma universidade com alto índice de egressos da rede pública. Em segundo, porque, percebendo que isso ainda não bastava, foi elaborando e aperfeiçoando a cada vestibular seu Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública, que atinge, nos exames vestibulares deste ano, a quota de 50% de suas vagas em todos os cursos para candidatos oriundos das escolas públicas. Esta é a melhor resposta às reivindicações dos estudantes, que podem disputar suas vagas em condições de igualdade. Neste sentido, pesquisas demonstram que tais candidatos, quando ingressam nas universidades, têm desempenho inteiramente satisfatório, muitas vezes igual ou até superior ao de egressos de escolas particulares.

Repare agora num importante aspecto das quotas que não o meramente estatístico. Elas representam o fato de anularem as perdas de talentos, que os vestibulares sem quotas, do passado, ocasionavam. São, assim, uma grande vitória na luta em busca de uma Universidade mais justa, de um Brasil mais justo, porque é da soma dos talentos de seus jovens que surgirá o país com que todos sonhamos.

 

 

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