É melhor usar períodos curtos para errar menos?

Um dos mitos que percorre os estudos dos vestibulandos é o de empregar períodos curtos “para errar menos”.  Há até quem defenda e ensine essa prática. Teria ela alguma base lógica?

O primeiro ponto fraco que você deve observar nesse mito é o de que, se alguém tem bom domínio de discurso e da norma-padrão, não fará diferença usar períodos curtos ou longos, pois o índice de erros de ordem gramatical e ortográfica será o mesmo. O conselho, porém, de usar períodos curtos diz respeito à elaboração da redação. Muitos acreditam que, com períodos curtos, poderão melhor concatenar suas ideias e argumentos, e além do mais errarão menos na coesão e nos aspectos gramaticais e ortográficos. Certo? Nada disso: errado. Mais uma vez errado.

Períodos curtos podem vir a calhar em poemas líricos, descrições e até mesmo alguns gêneros de narrativas. Os exames vestibulares, porém, costumam solicitar redações dissertativas. e aí a coisa muda de figura. A dissertação é por natureza argumentativa, expressa-se sob forma de raciocínios, demonstrações animadas por argumentos. Por essa virtude, precisa de períodos longos, compostos por subordinação e períodos mistos, para carregar em seu bojo o fio da argumentação. Evidentemente, numa dissertação podem aparecer alguns períodos curtos, mas estes serão períodos de ligação entre os longos, que a encorpam.

Você quer uma prova disso? Leia os artigos assinados de jornais, bem como os editoriais, todos de natureza dissertativa, e perceberá que os períodos mais longos predominam para expressar as opiniões dos jornalistas e das personalidades que assinam os textos.

Eis a questão: ninguém consegue expressar uma argumentação sem o emprego dos períodos longos e, em seu conjunto, do discurso indicado para fazê-lo. Por isso, se até agora vem trocando a dificuldade pela facilidade, mude imediatamente de escolha. Leia mais textos dissertativos e observe como os autores concatenam os períodos com o objetivo de demonstrar um argumento. Com isso, alcançará um domínio cada vez maior do discurso dissertativo.

E não se esqueça: mitos como o dos períodos curtos, podem ser muito atraentes, como costumam ser todos os mitos, mas também, como estes, são ficções que tentam parecer verdades absolutas, sem jamais o conseguirem.

E um conselho que o Blogueiro gosta de dar e repetir: não tema a dificuldade, acautele-se contra a facilidade. A Ciência nem sempre será um passeio agradável, mas será  usualmente uma jornada longa, trabalhosa, repleta de obstáculos que podemos e devemos superar.

 

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