Aprender ou “quebrar o galho”?

Num artigo postado recentemente, denominado Os problemas da decoreba, você foi alertado para não confundir a memorização de dados com conhecimento. O Blogueiro, porém, sentiu que estava faltando alguma coisa, não havia dito tudo o que desejava a respeito. Passado algum tempo, como costuma ocorrer com os professores, sempre preocupados em explicar do melhor modo possível os conteúdos das disciplinas, as ideias chegaram para esclarecer o que faltava. Preste atenção.

Você com certeza já viu chover conselhos sobre a melhor maneira de estudar ou o mais aconselhável método de fixar conteúdos para otimização de seus desempenhos nas provas. O Blogueiro, que também teve seu tempo, passou por semelhante caminho, razão por que, neste artigo, não vai dar nenhuma aula de psicologia, mas, simplesmente, comunicar o resultado de suas próprias experiências como estudante, vestibulando, professor e escritor.

A questão se resume em decidir por um maior empenho de aprender ou, simplesmente, de memorizar. Afinal, você se pergunta, qual o melhor caminho para meu desempenho nas provas de qualquer disciplina?

De fato, há conteúdos que precisamos, ao longo de nosso aprendizado, fixar muito bem na memória. E outros, realmente, que precisamos estudar e aprender, para nos tornarmos capazes de responder a qualquer questão a respeito.

Que fazer? Memorizar mais? Aprender mais? Na verdade, não é bem esta a questão. Quem separa aprendizado de memória não está entendendo bem a coisa. Numa operação de multiplicação, por exemplo, não utilizamos apenas o conhecimento do modo de fazer a operação, mas, igualmente, jogamos com dados de memória, como a tabuada. Sem esta, que memorizamos desde os primeiros bancos escolares, levar a cabo a operação se tornaria bem mais complicado. O mesmo raciocínio vale para todas as áreas e conteúdos: em qualquer forma de conhecimento, os dados retidos na memória operam em nossos raciocínios quando resolvemos determinada questão.

O Blogueiro já comentou o suficiente para que você entenda que separar a memorização do processo de conhecimento é algo absurdo. De nada adianta saber de cor a tabela periódica, por exemplo, se você não é capaz de resolver questões que impliquem dados da tabela. Mas se você estudar muito e resolver numerosas questões a respeito, um dos resultados será a memorização dessa tabela. O mesmo ocorre no estudo de língua portuguesa: de nada adianta ter memorizados os conceitos de sujeito, predicado, complementos, coordenação, subordinação, se você não praticar, e muito, a análise sintática de períodos e períodos, até se tornar capaz de resolver, sem grandes dificuldades, a análise de qualquer período que seja apresentado em prova.

Outro exemplo pode ser dado no campo das artes, como no teatro e no cinema: você pode decorar um texto inteiro de uma peça de teatro ou de um roteiro de cinema e repetir facilmente o memorizado, mesmo não sendo ator. Para ser um ator, terá de arrancar tudo que de emocional, sentimental, humano, as falas da personagem no contexto representem, e criar um desempenho que convença a todos os espectadores e lhes provoque emoções e sentimentos, como se estivessem ante uma pessoa real, não apenas um repetidor de falas.

Conclusão: com tudo o que o Blogueiro disse, faça-se esta pergunta: Quero aprender ou apenas “quebrar o galho”? Preocupe-se em aprender. Você pode sofrer um branco, numa prova, dos dados que memorizou. Mas, se tiver conhecimento sólido do teor da pergunta, se aprendeu mesmo, com toda a certeza não terá qualquer problema em responder adequadamente.

E guarde sempre em mente, como ficou dito no outro artigo, que os exames vestibulares de hoje têm como um de seus objetivos evitar ao máximo possível questões que impliquem apenas dados memorizados, mas busquem conteúdos que permitam ao candidato mostrar seus conhecimentos reais a respeito.  Pense nisso!

 

 

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