De que o quê

Enquanto espera a classificação do Vestibular de Inverno da Unesp, você certamente não vai ficar parado. O vestibular de 2018 ocorrerá logo, assim como os de outras universidades, que sua situação de vestibulando obriga a também prestar. Como é óbvio, você quer ser aprovado e não medirá esforços e vestibulares para consegui-lo.  Se for aprovado agora, agarre sua vaga.

Num caso ou noutro, vale aqui um bom lembrete para auxiliá-lo com o aprimoramento da sua capacidade de responder com clareza e correção a respostas a questões discursivas e em redações, quer no curso universitário, quer em vestibulares: o emprego errado da preposição de antes da conjunção que. Trata-se de um equívoco que pode comprometer o charme de seu discurso, tanto oral como escrito.

Já prestou bastante atenção às falas de personalidades em entrevistas a rádios e televisões? Se prestou, deve ter muitas vezes percebido que os entrevistados brasileiros, alguns muito conhecidos e ilustres, escorregam ao introduzir um de completamente desnecessário em muitas passagens de suas falas. Será que o fazem também ao escreverem? Muito provavelmente, a não ser que se sirvam de ghost-writers para traduzir suas opiniões em textos e documentos. Observe alguns exemplos do que o Blogueiro está apontando:

 

Meu grande amigo Jonas disse de que está preocupado com a situação nacional.

O acusado confirmou de que não pode mais suportar tantos processos.

Todos os representantes das classes profissionais consideram de que esse projeto de lei será prejudicial.

 

Notou? Em todos os três exemplos forjados pelo Blogueiro com base em textos reais publicados via internet ocorre a preposição de sem qualquer justificativa, o que é lamentável. Os verbos dizer, confirmar e considerar, quando têm seu objeto direto representado por uma oração substantiva precedida do conectivo que não precisam desse de. Observe o que aconteceria se os objetos diretos, em vez de orações, fossem sintagmas nominais:

 

Meu grande amigo Jonas disse a verdade.

O acusado confirmou sua decepção.

Todos os representantes consideram esse projeto de lei prejudicial.

 

Ficou claro? Os três verbos mencionados pedem como complemento um objeto direto (justamente chamado direto por não necessitar de preposição para relacioná-lo ao verbo). Assim, quando tal objeto direto é representado por uma oração substantiva, não existe a menor necessidade de inventar a preposição antes do que. Exatamente o contrário ocorre com as orações subordinadas substantivas objetivas indiretas, que são sempre precedidas de uma preposição solicitada pelo verbo. Tal preposição pode ser, inclusive, de, como nos exemplos: Desconfio de que a outra equipe falsificou os resultados (desconfio disso); Ela não precisa de que a protejam (não precisa disso). Nestes dois casos entre parênteses fica claro que o verbo é transitivo indireto e solicita a preposição de antes do complemento.

Como sair dessa enrascada? Você já descobriu a solução pelo modo como o Blogueiro explicou: empregando um objeto não oracional, se a preposição desaparecer, não deve surgir quando o objeto for oracional, já que a oração será uma subordinada substantiva objetiva direta. O oposto é também verdadeiro: se a preposição se mantiver quando o objeto for não oracional,  justifica-se também no objeto oracional, revelando-se, portanto, como subordinada substantiva objetiva indireta. Dê uma boa estudada em exemplos de subordinadas objetivas diretas e também nas indiretas, para firmar bem esse conhecimento. Chega desse vício de inventar de que para cá, de que para lá.

 

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