As perigosas concordâncias

Outro dia o Blogueiro, verdadeiro maníaco por encontrar exemplos de equívocos, flagrou em noticiário na internet um cochilozinho de revisão. Observe:

 

Explosões em um  funeral mata pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

 

Notou também? Já que o sujeito é “explosões”, no plural, o verbo deveria estar também no plural:

 

Explosões em um funeral matam pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

 

Um lapso de concordância, como você deve ter notado. E por que será que aconteceu? Porque o redator, por um segundo, iludiu-se, tomando o plural pelo singular, vale dizer, considerando as explosões como um fato só. Nesse segundo de distração, que pode ocorrer a qualquer de nós, a flexão do plural foi enfraquecida pela ideia de uma só explosão e, quando o verbo foi escrito, recebeu essa influência de singularidade, flexionando-se no singular e causando uma ruptura da concordância com o sujeito. Como diz o povo, o revisor pisou na bola, deixando como estava. Além da mencionada, uma boa saída teria sido

 

Explosão em funeral mata pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

Percebeu você o problema com clareza? Sim, mas avaliou também que, pelo fato de estar na rede, não deve ter sido considerado um grande problema. Os textos nela publicados não têm revisões muito exigentes, razão por serem uma verdadeira plantação de cochilos para ser colhidos pelos professores de português. Os revisores, nesses casos, recebem apenas um figurado puxão de orelha.

O maior problema estará se o texto for de uma redação sua, ou de uma resposta a questões discursivas de história, geografia, filosofia, biologia, etc., etc. Esse é um território perigoso, em que não se pode errar sem receber penalização, ou seja, desconto na nota. E ainda mais se a concordância equivocada influir no conteúdo do período como um todo, alterando o teor de sua resposta.

Para confirmar o perigo, observe este outro exemplo, agora forjado, mas bem possível:

 

Ações de hackers europeus causa prejuízos a empresas brasileiras.

 

Notou? Muito provavelmente aqui, outro fator somou-se aos acima comentados: a distância entre o núcleo do sujeito (ações) e o do predicado (causa). Esse distanciamento enfraqueceu a noção de plural e levou o escritor a flexionar o verbo no singular, erradamente, é claro. O correto seria escrever

 

Ações de hackers europeus causam prejuízos a empresas brasileiras.

 

Os exemplos contidos neste artigo, portanto, devem servir para você tomar o máximo cuidado com essas perigosas concordâncias, provocadas  por distrações ao longo das orações que escrevemos. Como evitar esse perigo? Simples. Leia sempre duas vezes, atentamente, o período que acabou de escrever. Estes e outros equívocos vão se revelar e você terá tempo de fazer os necessários reparos.

 

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