Ah! Esses eis, is e us incomodam muita gente!

No artigo anterior, você recebeu aviso para tomar cuidado com o u de poupar, poupança, poupo, roubar, roubo, roubalheira. Não foi útil? Foi, sim. Você não vai cair nessa de escrever “popar, popança, popo, robar, robo, robalheira”. O povo em geral usa essas pronúncias, mas você, formado pelo ensino médio e pretendente a uma vaga num curso superior, sabe que nessa questão a universidade se pauta pela norma-padrão, e não pelo uso popular.

O Blogueiro deixou para  hoje outros alertas a fazer com respeito a possíveis confusões, desta vez envolvendo a presença de ei, de u e de i em certas formas nominais ou verbais.

Você com certeza já ouviu alguém falar O avião posou. E sabe que esse alguém errou redondamente. O correto é O avião pousou. As pessoas confundem o verbo posar com o verbo pousar. Ora, posar é “fazer pose”. Já pousar, entre outros muitos sentidos, tem o de descer, aterrissar (um avião). Por isso é também muito errado dizer que O artista pousou para uma sessão de fotos, mas, sim, O artista posou para uma sessão de fotos.

Perigoso esse u, não? Sim, muito perigoso. É como uma armadilha que a língua apronta para verificar quem sabe ou finge que sabe. Se alguma vez você errou, depois desta explicação não errará mais, certo?

Note também outra armadilha: toucar e tocar. Toucar, que aparece em muitas narrativas literárias e poemas, pode significar colocar a touca, ou também enfeitar ou enfeitar-se, quando pronominal: Ela toucou-se de lindos laços coloridos. Note, aliás, que, pela própria família de vocábulos, pode-se descobrir como deve ser escrito: touca, toucador, toucado, toucar. Nem é preciso explicar muito sobre tocar, que é palavra bem diferente, não é?

A sequência ei também pode causar confusão em muitas palavras. Você já ouviu pessoas falarem, por exemplo, Depois do acidente, o homem ficou alejado. Na verdade, está faltando um i nessa pronúncia popular. A forma correta será aleijado, correspondente ao verbo aleijar: Depois do acidente, o homem ficou aleijado. O mesmo deve ocorrer com a palavra cabeleireiro: O cabeleireiro tingiu demais os cabelos da moça. Nada, portanto, de escrever “cabelereiro”, pois o i faz parte das palavras cabeleira, cabeleireiro.

E preste muita atenção também em famílias de palavras como negociar,renegociar,  negócio, negociação, negociável, negocioso, negociata, negocista. Observe que o i está presente em todas, inclusive na conjugação verbal: negocio, negocias, negocia, negociamos, negociais, negociam. O mesmo vale para fiar, fiança, fiador: fio, fias, fia, fiamos, fiais, fiam. Portanto, nada de falar negoceio.

Percebeu bem como escapar dessas armadilhas. Fácil. Em primeiro lugar, verificando outras palavras da mesma família, que lhe revelarão um padrão. Em segundo, sempre verificar, no caso de verbos, a conjugação correta. Não se deixe levar pela pronúncia comum, familiar, popular, porque a norma-padrão tem suas próprias exigências.

É claro que, em provas, são errinhos banais, é bem verdade, mas são erros. Têm de ser corrigidos por você mesmo, antes que alguém da banca o faça. Para que arriscar, não é?

 

 

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