Os problemas da decoreba

Um dos termos mais empregados na gíria dos estudantes é decoreba, que significa hábito ou mania de decorar, de estudar memorizando fórmulas, datas, aspectos, características, sem ir ao fundo dos conteúdos para aprender de fato. Vale dizer: estudar sem aprender o principal, o núcleo, mas apenas os aspectos periféricos. Isso realmente é válido?

Na verdade verdadeira, como dizemos brincando, não é. Realmente não é. Quem vive da decoreba ignora que não só os estudantes evoluem em seus modos de estudar, mas também as bancas elaboradoras em seus modos de perguntar. Se você examinar com atenção as provas de diferentes exames vestibulares atuais, verificará com certeza que as questões exploram o que é principal nos conteúdos, deixando de lado o que é apenas marginal, complementar.

Em qualquer ciência, ao assimilar e dominar fundamentos e conteúdos teóricos, os elementos periféricos são assimilados automaticamente, em virtude das estreitas relações que mantêm com tais conteúdos. Bom exemplo é a Medicina. Se você encontrar uma terminologia, uma relação de termos usados na Medicina, poderá memorizar o significado desses termos, não necessariamente a ciência que os utiliza para denominar os conceitos com que trabalha.

Há, evidentemente, em qualquer ciência, muitos dados que se memorizam, não pelo simples memorizar, mas pelo fato de estarem indissoluvelmente inseridos na atividade científica, razão por que, com a ajuda desta, são registrados na memória com menor esforço.

Percebeu? A memorização só é válida, em qualquer estudo de qualquer disciplina, na medida em que os elementos decorados não se fechem em si mesmos, mas impliquem e evoquem suas relações com os fatos, fenômenos e conceitos dessa disciplina. Fazendo um trocadilho, podemos dizer que o decorar não pode ser decorativo. A própria palavra decoreba, que quase sempre pronunciamos em tom jocoso, debochado, constitui prova disso.

Com base nestes lembretes, você deve mudar um pouco a ótica de seu método de estudo, passando a considerar a memorização apenas uma ferramenta auxiliar, e não o fundamento de seu aprendizado. Aprender é muito mais profundo.

 

 

 

 

 

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