Os ecos: chatinhos e perigosos

Um dos aspectos que o Blogueiro nunca colocou em seus artigos, a não ser de passagem, é o das repetições desnecessárias. Os escritores profissionais são muito hábeis em evitá-las, porque enfeiam e atrapalham seu estilo. Os estudantes, porém, apesar das observações dos professores de Língua Portuguesa, muitas vezes parecem não dar a mínima para elas. Mas que são feias e perigosas, são mesmo!

Observe esta passagem:

 

De repente, o presidente disse que somente delinquentes são capazes de cometer atos tão injustamente deprimentes contra a população inocente que lhes é indiferente.

 

Não pense que se trata de exemplo inteiramente forjado pelo Blogueiro. Textos de jornais e revistas, sobretudo quando transcritos para a internet, estão cheios de repetições como essas. Os gramáticos denominam ecos tais repetições de finais de palavras e condenam esse emprego, considerando-o um vício de linguagem. São oito entes que povoam um só parágrafo, representando um incômodo para o leitor e caracterizando o desleixo do escritor em seu texto. E é muito fácil evitar esse defeito. Observe agora:

 

Naquele momento o presidente disse que apenas bandidos são capazes de cometer atos injustos e deprimentes contra a população.

 

Melhorou bastante, não? E não deu grande trabalho. Imagine você colocar um parágrafo como aquele em sua redação ou em uma resposta discursiva! Não espere nenhuma condescendência da banca, pois esta sabe muito bem que seria fácil evitar as repetições fastidiosas de finais de palavras.

Cuidado, portanto, com palavras terminadas em ente e ão, abundantes em nosso idioma e capazes de iludir quem escreve. Anote mais um exemplo:

 

O cão é um animal de estimação cuja alimentação pode ser natural ou por ração.

 

Muito feio, não é? Esses ecos em ão representam um fator negativo em qualquer texto, caracterizando, na opinião do leitor, incapacidade expressiva de quem escreve. E é quase uma brincadeira  evitá-los:

 

Os cachorros são animais de estimação cujo alimento pode ser natural ou produzido industrialmente.

 

Compreendeu? Sempre que fizer a revisão de um texto, seja redação ou resposta discursiva, trate de evitar os ecos, que, além de tornarem a leitura desagradável, podem até mesmo prejudicar o significado de frases inteiras.

O Blogueiro ainda se lembra de um professor de português, que deu em certa aula um exemplo chocante, verdadeiramente assustador para o perigo dos ecos:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção!

Você não vai querer prejudicar seu texto com essas desajeitadas repetições, vai?

 

Leave a Reply