O que busca na universidade?

Hoje o Blogueiro acordou refletindo sobre o que busca um estudante ao ingressar numa universidade. Uma primeira resposta lhe pareceu óbvia. Você por certo sabe o que busca numa universidade como a Unesp: um bom e belo curso que lhe proporcione formação excelente, tornando-o profissional bastante apto a enfrentar futuramente o mercado de trabalho.

Resposta correta? Não há dúvida. Mas seria só isso? Nada mais? Se você fosse um autômato, um robô, um androide, nada mais haveria a buscar. Você, porém, não é um mecanismo sem alma, sem emoções e sentimentos. Você é muito mais que isso, é um ser humano que vive em sociedade e que carrega em seu espírito a herança de milênios de história da humanidade. Seus genes remontam aos primeiros seres vivos do planeta, tendo passado por todo um processo evolutivo. E seus “genes culturais” (usando entre aspas para indicar que o Blogueiro está metaforizando) são portadores de todos os desejos, todas as ânsias, todos os sonhos, todas as ambições dos seres humanos desde que começaram a existir seres que podem ser chamados “humanos”. Você é herdeiro do primeiro hominídeo que criou o primeiro instrumento, os primeiros objetos de uso. E é também herdeiro dos indivíduos das primeiras organizações humanas que se podem denominar “sociedades”, bem como de todas as civilizações que culminaram com a civilização atual. Herdeiro de tudo o que houve e há de bom e tudo o que houve e há de mal na existência do homem.

Tudo, portanto, está em você, e é esse “você” que ingressa na universidade, não um boneco sem alma e consciência. Deste modo, o que busca é muito mais que um aprendizado e adestramento profissional. É a sua realização como “homem”, é o refinamento da consciência de estar integrado à humanidade como um membro ativo, capaz de valorizar devidamente toda a sua herança civilizacional e cultural, capaz principalmente de acrescer, com sua conduta, com seu trabalho, com suas reflexões, ideias novas, conceitos originais e, quem sabe? teorias inovadoras a essa herança.

Claro que, provavelmente, você não é um gênio. Gênios se contam pelos dedos das mãos. Gênios criam ideias e teorias que fazem a humanidade dar verdadeiros saltos em sua evolução cultural. A humanidade, porém, não é constituída de gênios, mas de indivíduos que, por seu número e por suas ações, são tão ou mais importantes. Inventar a roda pode ter sido uma sacada genial, importantíssima. Mas fazer desta ideia um milhão de aplicações concretas e efetivas para solucionar um milhão de problemas foi, em seu conjunto, muito mais importante, como obra de milhões de indivíduos.

Muitos estudiosos se referem aos homens que não são gênios como cidadãos comuns. Errado. São cidadãos incomuns. Todo ser humano, em sua singularidade, é um indivíduo incomum, é um ser capaz de absorver sua herança social prática e acrescentar a ela soluções não obtidas até então.

Percebeu isso? Então não pense em si mesmo depreciativamente. Não se menospreze, não assuma uma atitude pacata e passiva diante do mundo. Pense que você é um cidadão incomum e que, ao longo de seu trajeto na vida, deixará também à sociedade a sua herança, seja de objetos, seja de práticas e técnicas, seja de ideias e conceitos que ajudem a tornar a existência humana cada vez melhor. Pense nisso!

 

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