Quem tem medo da literatura?

Agora que você começa a perceber bem mais próximo o Vestibular Meio de Ano da Unesp, vale a pena fazer um alerta sobre o modo de estudar literatura. Evidentemente, tanto ao longo do Ensino Médio, quanto nos cursos preparatórios, a literatura não é explorada em si mesma, para que os estudantes curtam por curtir os poemas, contos, narrativas longas como obras de arte que realmente são. O ponto de vista dominante acaba sendo outro: os textos passam a ser vistos como prováveis ocorrências em exames vestibulares. Isso, é claro, prejudica um pouco a genuína apreensão da literatura como arte. O estudante se sente obrigado a encarar os textos como fontes de possíveis questões, quer objetivas, quer discursivas. Por mais que se esforcem os professores para evitar esse modo de estudo, sempre sobra um ranço de prova nos textos que seus alunos são convidados a ler e interpretar.

Como evitar ou, pelo menos, minimizar esse fenômeno e fazer com que a literatura seja apreciada em si mesma? Essa é a questão. Fica realmente difícil ao estudante, pois se sente premido, em todas as disciplinas, a interpretar e responder perguntas. O problema é que esse modo de estudar pode trazer consequências ruins, que geram erros nas próprias respostas das questões das provas. Para sair dessa enrascada, o Blogueiro tem uma sugestão: cabe realmente ao estudante mudar a ótica e o método de estudo. É preciso olhar para o texto como este realmente é — literário — e, antes de qualquer coisa, curti-lo enquanto tal. Poemas surgem de emoções e provocam emoções, contos são narrativas sintéticas obedientes a um estilo, romances são narrativas longas, baseadas em enredos complexos, crônicas são abordagens de fatos reais submetidas a um modo peculiar de observação.

Em todos estes casos, o maior perigo que se corre ao estudar textos literários, é observá-los como reproduções puras da realidade. Nada mais enganoso e nocivo a quem estuda. Cada texto literário é um todo fechado em si mesmo, criado pelas emoções, imaginação e cosmovisão do artista. Analisar o que uma personagem faz num conto ou narrativa longa não é analisar o que ocorre na realidade, mas o que ocorre na realidade do próprio texto.

As questões de vestibulares abordam os textos enquanto textos, no interior de suas próprias coordenadas. Ao fazê-lo, porém, acabam ocultando pormenores que são transformados em questões. Por sua vez, o aluno tem de reunir os maiores cuidados para não trair o texto ao buscar esses pormenores. Esta é a chave para atingir as respostas que as bancas de elaboração pretendem ao criar as questões das provas: tentar ler e interpretar o texto tal como o fizeram as bancas elaboradoras.

Claro que, mesmo assim, você terá dúvidas em descobrir muitas respostas. Por isso, escolha sempre aquela que mais se aproxime do âmago do texto.

Percebeu? Entendendo assim, você pode estabelecer seu método de estudo dos textos literários a partir de agora: considerar o texto em si mesmo, ler com atenção, curtir e só depois tentar descobrir o que as questões propostas em apostilas ou simulados querem querem que você informe a respeito. Com esse método você poderá dizer, com muito maior segurança, que não tem medo da literatura. Ao contrário, poderá transformar-se em um leitor habitual, um genuíno apreciador, o que só poderá significar vantagem para sua formação futura.

 

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