Repetições que empobrecem seu estilo

Ih! minha redação não foi lá essas coisas!

Se você, quer tenha sido classificado, quer esteja na lista de espera, chegou a essa conclusão sobre o texto que escreveu, pode ter certeza de que há mesmo motivos para não estar satisfeito. É, mas afinal eu passei! É o que importa. Certo, por um lado, mas não muito, por outro. Por quê? Porque a necessidade de escrever bons textos não morre no vestibular. Como já disse o Blogueiro mais de uma vez, é algo que acompanhará todos os seus estudos na universidade e toda a sua vida profissional. Então, é muito procedente continuar se preocupando em aprimorar sua capacidade de escrever. Quem é capaz de produzir bons textos sempre recebe o respeito de seus colegas de estudo ou parceiros de trabalho.

O Blogueiro vai tentar oferecer uma ajudazinha. Preste toda a sua atenção. Talvez sua insatisfação não esteja propriamente no desenvolvimento do tema, mas na própria sequência do discurso que apresentou. Um cuidado, neste caso, é fundamental: saber distinguir com precisão discurso oral e discurso escrito. Quando falamos, temos interesse em ser entendidos de imediato, sem problemas ou atrapalhos. Por isso, muitas vezes nos tornamos repetitivos, com a intenção de que nosso interlocutor não precise de nenhum esforço para comprrender a mensagem.

Essa característica do discurso oral, todavia, desaparece quando escrevemos, especialmente se as circunstâncias exigirem, como é o caso de uma redação de concurso ou de vestibular. Neste caso, além da clareza, temos de brindar nosso leitor com uma sequência harmônica e equilibrada, verdadeiramente prazerosa.

Neste ponto exato surge o caso das repetições desnecessárias de palavras, que são fatores de empobrecimento de nosso estilo. Observe os exemplos abaixo, forjados com base em ocorrências reais em textos de jornais e revistas da internet (aparecem em negrito as repetições desnecessárias):

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde o primeiro dia de sua eleição.

Os dois projetos enviados pelo governo são dois dos principais modos de eliminar esses dois problemas.

Não há motivo para apressar esse debate, atropelar o debate e não permitir que o debate impeça melhores reflexões sobre o tema.

Observou bem? Não se pode dizer que nenhum desses exemplos seja incorreto. São todos, porém, marcados por repetições desnecessárias e desagradáveis. Trata-se de problemas cuja solução é relativamente fácil. No exemplo inicial,  a repetição da palavra primeiro pode ser sanada pela eliminação da segunda ocorrência e uma pequena alteração:

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde que foi eleito.

 

O segundo exemplo pode ser melhorado pelo mesmo processo:

 

Os projetos enviados pelo governo são dois modos de eliminar esses problemas.

 

Já o terceiro requer um arranjo mais elaborado:

 

Não há motivo para apressar esse debate. Atropelar as discussões equivale a impedir reflexões mais proveitosas sobre o tema.

 

Percebeu bem a diferença entre os textos com e sem repetições? Claro que sim. Então sempre faça a mesma faxina com o rascunho de seu texto. E aquela sensação de que sua redação não foi lá essas coisas vai com certeza desaparecer.

 

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