Aos que entram e aos que ainda vão entrar

Com a divulgação próxima das listas de ingressantes em cursos da Unesp, duas vertentes se revelam: a dos que obtiveram suas vagas e a dos que não conseguiram atingir a média necessária para tal.

Felicidade de um lado e infelicidade do outro? Nada disso. No portal da universidade, os jovens que entram e os jovens que não entram constituem uma mesma comunidade, diferençada apenas por um acidente de percurso. Quem ganha sua vaga deve festejar muito, mas também deve ter em mente que essa é uma primeira de muitas tarefas que terá de cumprir até receber, daqui a alguns anos, o diploma do curso escolhido. Quem não obtém sua vaga deve festejar também pelo dever cumprido e analisar de imediato o porquê de não haver conquistado todos os pontos necessários. Esta análise é importantíssima, agora, para estabelecer roteiro e métodos de estudo com vistas aos vestibulares do ano em curso.

O que acontece, na verdade, com todos os candidatos, é o mesmo que ocorre com todas as pessoas ao longo da vida, com toda a sociedade. Nossa vida é feita de desafios permanentes em todos os setores por que passamos. Os desafios nunca cessam de surgir. Dizem as pessoas mais experientes que nossa primeira grande vitória é nascer, é surgir do nada para o existir. A segunda é crescer com saúde e inteligência. A terceira é atravessar a adolescência, período que pode ser fácil para uns, mas muito conturbado para outros. A quarta é atingir a idade adulta e estabelecer metas para a existência, quer seja por meio do estudo em universidade, quer seja pelo empreendedorismo. Em qualquer dos casos, o identificador dessas metas é a busca da felicidade pela realização pessoal e profissional. Qualquer que seja o trajeto, haverá sempre que conviver com vitórias e com derrotas, sem deixar que aquelas nos subam à cabeça ou que estas nos façam perder o embalo e ficar apenas olhando para o chão do desânimo.

Dizem pessoas com plena realização em suas vidas que aprenderam muito mais com as derrotas do que com as vitórias, porque as derrotas nos fazem desenvolver o senso crítico e o cuidado pelo planejamento e detalhamento de nossos passos no mundo. No âmbito dos esportes, por exemplo no futebol, muitos atletas que só costumam jogar bem e obter vitórias e elogios podem desenvolver uma espécie de perigosa autoglorificação, tornando-se, como se diz na gíria desse esporte, mascarados, o que muitas vezes os leva a desempenhos ruins e ao empobrecimento de suas qualidades. Outros jogadores, com menos louvores da crítica especializada, sentindo a responsabilidade de um desempenho cada vez melhor, conscientizam-se, esforçam-se, levam qualquer pormenor de treinamento a sério e, com o tempo, melhoram sensivelmente seus desempenhos e se tornam insubstituíveis dentro do esquema tático adequado.

É isso aí. Você, que passou, não deve considerar-se nenhum gênio, embora ao longo de sua carreira possa vir a tornar-se um.  E você, que não passou, não deve considerar-se um fracassado, mas apenas um lutador que perdeu um round. A vida, porém, é feita de um sem-número de rounds. Muitas vitórias se seguirão a uma derrota.

Valeu? Então mãos à obra, para os que entram e para os que ainda vão entrar.

 

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