Três escorregadelas perfeitamente evitáveis

Em suas respostas discursivas, bem como em sua redação, tome muito cuidado com certos lapsos que podem custar caro. Trata-se de exemplos que abundam na internet, pois o cuidado com o idioma parece não ter valor para muita gente que tem de fazer textos todos os dias e, ante o desmazelo geral dos informativos que surgem nos diferentes sites de notícias, imagina que a correção gramatical não é algo que se deva levar em conta.

Se você acredita nisso, por favor, mude de ótica. Em vestibulares, como você já verificou na leitura deste Blogue, há muita coisa que não se perdoa, tais como impropriedades no emprego de vocábulos, equívocos de concordância nominal e verbal, inconsistências ortográficas, etc., etc. O Blogueiro selecionou três casos que, ainda na semana corrente, detectou em textos de notícias na internet:

 

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não ter o feito.

O juiz declarou que, se o promotor trazer as provas, dará início ao julgamento.

A necessidade da administradora falar a verdade é inquestionável.

 

O primeiro exemplo é relativamente comum, pelo fato de muitos estudantes desconhecerem o emprego dos pronomes oblíquos átonos e suas variantes. Exemplo semelhante foi captado esta semana num site de notícias. Quem o escreveu, não está lá muito familiarizado com tais variantes, pois deveria ter observado a relação entre o verbo “ter” e o pronome átono “o”. A forma adequada, deste modo, seria:

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não tê-lo feito.

 

Está na hora de fazer uma revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos, não está?

Já o segundo exemplo, também comum na internet, é de ignorância da conjugação do verbo “trazer”. O modo em que está empregado o verbo é o subjuntivo no tempo futuro. Assim, em vez de empregar “trazer”, forma do infinitivo, deveria ter usado “trouxer”:

 

O juiz declarou que, se o promotor trouxer as provas, dará início ao julgamento.

Dicionários eletrônicos como o Aurélio e o Houaiss apresentam a conjugação completa de todos os verbos do idioma, sendo, portanto, imperdoável cometer um cochilo dessa monta, que fatalmente será penalizado.

Já o terceiro exemplo é um pouco mais problemático. De modo geral, as gramáticas ensinam que o sujeito não pode ser preposicionado, sendo, assim, errado falar ou escrever “o fato dela chegar”, “apesar da carta não ter chegado”,  “chegou o momento do lutador mostrar que é bom”, etc., etc.  Segundo esta perspectiva da tradição gramatical, tais exemplos deveriam ser alterados para: “o fato de ela chegar”, “apesar de a carta não ter chegado”, “chegou o momento de o lutador mostrar que é bom”. Deste modo, o exemplo encontrado pelo Blogueiro na rede deveria ser corrigido para:

 

A necessidade de a administradora falar a verdade é inquestionável.

 

Há aqui, porém, um probleminha: alguns estudiosos afirmam que não há erro no preposicionamento do sujeito em tais exemplos, já que muitos escritores fazem o mesmo. Seria, assim, um excesso de zelo baseado numa tradição que já está sendo ultrapassada. Neste caso, perguntaria você, Que fazer? Que forma empregar? Para o Blogueiro, como para o povo de modo geral, “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.” Que quer dizer com isso? Simples: se você empregar a forma que evita o preposicionamento do sujeito, nenhum corretor de redação poderá apontá-la como “errada”. Você estará ancorado na tradição. Se empregar a outra forma, vai que o corretor seja um purista e não a aceite? É melhor não arriscar.

Dá para concluir assim, plagiando o provérbio muito sutilmente criado pelo povo: Não arrisque! Petisque!

 

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