Um belo casamento: raiz e alternativa

Você por certo acredita que, conhecendo bem o conteúdo, não terá problemas numa prova objetiva para acertar todas as questões. Na verdade, não é bem assim. Pode haver uma pedra no meio do caminho, como diria o poeta Drummond de Andrade. E essa pedra, de fato, está na própria natureza e intenções das questões objetivas.

Ora, se resolver corretamente as questões se tornou uma verdadeira arte, também acabou se tornando uma verdadeira técnica, até com um pouquinho de arte, a elaboração de questões. Cada uma delas, de fato, tem a meta de avaliar o candidato quanto ao conhecimento de determinado conteúdo e, em certa medida, de conteúdos correlatos, vale dizer, da disciplina como um todo. A ideia é mais ou menos a do provérbio que reza: Por um dedo se conhece o gigante. Por isso mesmo não é tarefa fácil a elaboração de questões, já que o especialista tem de entender muito do conteúdo visado e entender muito mais ainda da forma de construção de cada pergunta. Neste caso, você, que estará prestando o exame, tem de também conhecer o conteúdo, mesmo que nem tanto quanto o especialista, e ter olhos aguçados para a estrutura de cada questão.

Uma questão objetiva é constituída de duas partes: um enunciado, que se costuma denominar raiz, e cinco alternativas, entre as quais uma, e apenas uma, fará casamento perfeito com tal raiz. Parece fácil, é só escolher a alternativa correta, pensam muitos, quando, na verdade, essa escolha se torna difícil, porque as alternativas erradas apresentam graus de proximidade e parecença com a correta, sendo muitas vezes difícil discernir qual  a que satisfaz plenamente ao solicitado na raiz. Aí é que reside o verdadeiro problema: para não produzir alternativas erradas que se denunciem facilmente como erradas, o que faria da questão uma brincadeira, os elaboradores criam alternativas destinadas, pela semelhança, a testar se o candidato realmente conhece o conteúdo. Justamente por isso, não se resolvem questões objetivas atropeladamente, mas depois de boa reflexão sobre o que poderia ser correto, mas não é, e o que é realmente, por preencher todas as aberturas fornecidas pela raiz.

Fugindo um pouco do tema das questões objetivas, o Blogueiro pode apresentar um exemplo singelo da própria gramática. Os chamados períodos interrogativos podem servir para uma compreensão fundamental. Em português, existem dois tipos de período interrogativo: o total e o parcial. O período interrogativo total é o que usamos para indagar sobre a totalidade de um fato, como, por exemplo: O Brasil é uma nação democrática? Há apenas duas possibilidades de resposta a esse período: afirmativa ou negativa, singelamente, sim ou não. Já o período interrogativo parcial implica a afirmação de um fato e o questionamento sobre uma parte desse fato: Quem abriu a porta? Observe que este período contém uma afirmação de um fato, ou seja, alguém abriu a porta, e a indagação sobre um dado desse fato, expresso pelo interrogativo quem.

Ora, basicamente, as questões objetivas são semelhantes em estrutura ao período interrogativo parcial: a raiz, ao mesmo tempo em que situa o conteúdo da questão, questiona sobre uma parte desse conteúdo não informada. O candidato, nesse caso, tem de ler com muita atenção tal enunciado e refletir sobre as possibilidades de completá-lo corretamente. A técnica de elaboração faz com que pelo menos três alternativas sejam muito próximas à correta, o que implica um esforço mental muito grande, além, é claro, do conhecimento do conteúdo, para distingui-las.

Percebeu? Ao resolver uma questão objetiva, não pense apenas nas suas intenções, mas nas intenções que a questão carrega. Não vá fazer um falso casamento, certo?

Boas provas! 

 

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