Cursos: entre o sonho e a realidade

Um dos pontos que o Blogueiro gosta de ressaltar como conselho aos vestibulandos é o referente à escolha do curso. É comum, natural até, que a escolha do curso ocorra com base no que o estudante considera “sua” vocação. Este conceito de vocação, porém, é muito relativo. Não se pode dizer, exatamente, que uma pessoa tenha uma só vocação e, sem ela, seja como peixe fora d’água. Na verdade, todos temos tendências genéricas que apontam para mais de uma direção, vale dizer, para mais de uma vocação. E poderemos nos realizar com sucesso em todas elas, bastando para tanto a escolha, o empenho, a fixação de objetivos profissionais e a extrema dedicação. Você por certo estará pensando neste momento: É, mas meu sonho sempre foi escolher este curso. E não deixa de ter suas razões, mas é preciso refletir que as escolhas que fazemos na vida, em todas as oportunidades, nem sempre dependem apenas de nós, isto é, nem sempre são subjetivas, mas devem ser objetivas, levando-se em conta as circunstâncias da realidade. Em resumo, não somos apenas indivíduos, mas indivíduos no mundo, e nossas decisões serão sempre ponderadas em função de nossos desejos e do mundo que nos cerca.

Ora, o parágrafo acima é um lembrete do Blogueiro para o fato de que, sobretudo nos dias atuais e sobretudo no país em que vivemos, temos de ser um pouco menos sonhadores e um pouco mais lúcidos quando olhamos para a realidade. Se quisermos ter sucesso nessa mesma realidade, temos de levar em consideração suas características e condições atuais. Nosso país, você sabe,  — e se não sabe deveria saber — enfrenta sua pior crise econômica e de desenvolvimento. O Blogueiro comentou esse fato em um dos artigos anteriores. Há milhões de pessoas desempregadas, entre as quais muitos profissionais formados por universidades, muitas empresas fecharam as portas, hospitais deixam de atender pacientes por falta de verbas, os governos federal e estaduais se vêm às voltas com carência de recursos financeiros, etc.,  etc.  Isso se deve a administradores não muito eficientes e a reflexos de crises econômicas mundiais. Como escolher nosso futuro profissional em meio a tal panorama confuso e até mesmo assustador?

Este é o ponto. Para o Blogueiro, todas as opções de estudo e de trabalho futuro têm de levar em consideração esse panorama, sob risco de incidir em escolhas erradas. Traduzindo: quando você escolher o curso universitário que quer fazer, tem de se perguntar sobre a realidade atual, verificar o que dizem os profissionais a respeito do que estão passando e inclusive quais as perspectivas de uma boa remuneração quando chegar a sua vez. É preciso analisar também quais estão empregados e quais não estão. Se verificar que aquela atividade não oferece, no momento, as condições com que sonha e com que constrói, em seus sonhos, o seu futuro, talvez seja o caso de pensar uma, duas, três e até mais vezes a respeito e examinar outras possibilidades profissionais com as quais tenha empatia.

Percebeu? É possível unir o sonho à realidade para fazer escolhas sensatas, promissoras, que poderão lhe garantir o que mais deseja na vida: sucesso profissional, tranquilidade pessoal, além da possibilidade de, com o seu trabalho, auxiliar o seu país a suportar as repercussões das crises mundiais que, a julgar pelo que ocorre hoje, irão surgir com muito mais frequência do que ocorriam no passado.

Esta é a verdadeira opção entre sonho e realidade, e não se refere apenas a vestibulares, mas a todo tipo de ocupação profissional que uma pessoa pretende planejar hoje, do trabalho autônomo ao estabelecimento de uma pequena empresa.

Para encerrar: sonhe, sonhe muito, mas também muito pense e analise. O risco de enganar-se, assim, ficará bem menor. Valeu?

 

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