Vossa, Sua Excelência: sabe a diferença?

No momento que o Brasil atravessa, política e economicamente, geram-se numerosos temas que podem ser aproveitados em perguntas de História, Filosofia, Língua Portuguesa e Redação. É preciso, pois, estar alerta para pequenos detalhes que, em conjunto, podem vir a auxiliá-lo enormemente em termos de nota final, como também a prejudicá-lo, caso você não saiba lidar com  essas diferenças.

Você por certo já acompanhou debates da câmara e do senado, bem como dos tribunais superiores, em julgamentos de processos que envolvem políticos. Acompanhou? Pois deve ter verificado que há um tratamento cerimonioso nessas ocasiões. Não importa a formação maior ou menor do deputado ou senador, o tratamento faz parte do protocolo do relacionamento entre aqueles que constituem os poderes mais altos da nação, seja do legislativo, seja do executivo, como também do judiciário. O padrão, em todos esses casos, é o tratamento Excelência: Sua Excelência, o Presidente da República, Sua Excelência, o senador fulano de tal, e assim por diante. Já observou? Ótimo. Então não é preciso explicar mais sobre as formas de tratamento, que já vem de longe, de um passado longínquo, para reis, rainhas, príncipes, etc. Com relação a estes, os pronomes de tratamento eram algo obrigatório, para denotar grande respeito e acatamento. Com relação às autoridades atuais do executivo, legislativo e judiciário, o tratamento é ditado pelo protocolo, que também conduz a autoridade a tratar um visitante ou depoente comum como Senhoria. O interessante é que uma pessoa comum, como nós, ao estar depondo numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deve tratar o membro do legislativo como Excelência, enquanto este a trata como Senhoria. Só que algumas vezes, no calor dos interrogatórios e debates, o membro do legislativo se equivoca e trata a pessoa comum também como Excelência. Alguns percebem o erro e se corrigem; outros nem o percebem.

Pois bem. Vale a pena que você tenha em memória as duas variáveis dessas formas de tratamento, conforme um usuário se dirija diretamente a outro ou a este faça apenas referência, vale dizer, conforme a presença ou ausência da pessoa à qual se refere o interlocutor. Para tanto, usam-se os pronomes sua e vossa. O interlocutor emprega Vossa quando está dirigindo a palavra ao outro: Vossa Excelência não está me entendendo direito. Mas, quando apenas se refere a outro, não presente, usará o pronome sua. Sua Excelência, o senador fulano de tal, não interpretou direito o artigo 3º, da lei. Observe, neste caso, que um senador, por exemplo, se dirige a outro com o tratamento Vossa Excelência. E se dirige a uma pessoa comum como Vossa Senhoria. Quando esse mesmo senador fala de outro senador, não presente, diz Sua Excelência. E quando fala de uma pessoa não presente emprega Sua Senhoria. Exemplos: Vossa Excelência, senador Odorício Peixoto, não devia usar da palavra neste momento. Sua Excelência, o senador Odorício Peixoto, não pôde comparecer hoje ao plenário. Vossa Senhoria, engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós. Ontem, em seu depoimento, Sua Senhoria, o engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós.

Compreendeu  bem? Então tome muito cuidado, em suas provas, caso o tema seja político e tenha de referir-se a autoridades, em fazer o emprego correto, como, por exemplo, na frase: Sua Excelência, o senhor presidente da República, está conseguindo fazer a inflação baixar. Será um erro grave, portanto, nesse caso, empregar o vossa, simplesmente porque você não está em presença do presidente, mas apenas referindo-se a ele, o que impõe o uso de sua.

Mas para que tudo isso? perguntará você, e concluirá: Não seria melhor e mais fácil empregar “você” ou “o senhor”, “a senhora”? Talvez até fosse, mas se trata, na verdade, de formas de tratamento meramente protocolares, cerimoniosas, destinadas a destacar o caráter de autoridade ou não autoridade das pessoas mencionadas. E a solução com  sua e vossa é tão simples, que não há motivo para reclamar, nem tampouco para errar. Nossa vida social está cheia de protocolos, não está?

 

Deixe um comentário