Decoro: seu cartão de visitas

Uns dias atrás o Blogueiro leu num jornal na internet a frase “O político emputeceu ao ser informado da acusação.” O verbo emputecer, criado na década de noventa, por parassíntese (em+puto+ecer) é bastante usual na oralidade, no discurso do dia a dia. Mas convenhamos: não é lá muito elegante empregá-lo no discurso escrito, formal, nem mesmo no próprio discurso jornalístico. Trata-se de um termo que o Aurélio considera chulo, isto é, grosseiro, baixo, rude, ordinário. Ou, na melhor das hipóteses, de mau gosto.

O Blogueiro faz estas reflexões imaginando que muitos vestibulandos podem não ter a exata noção desse caráter chulo ou dessa chulice do verbo emputecer, sobretudo porque nossa rica língua portuguesa possui muitos outros vocábulos mais elegantes para usar em seu lugar na frase mencionada, com muito maior efeito expressivo: enraivecer-se, encolerizar-se, irar-se. Uma palavra chula desvia a atenção do leitor para significados que, muitas vezes, nada têm a ver com o texto que está sendo lido.

Assim chega o Blogueiro ao ponto pretendido, o decoro. O que significa esta palavra? Correção moral, compostura, decência, dignidade, nobreza, honradez. Você por certo já ouviu ou leu a expressão muito atual decoro parlamentar, que significa a compostura, a decência e a boa educação que deve manter um político (por exemplo, um senador, deputado) em seu comportamento e suas intervenções nos trabalhos do parlamento. Se o político fere o princípio do decoro parlamentar, pode até ser excluído do cargo para o qual foi eleito.

Ora, nas respostas discursivas e da redação dos vestibulares, devem os candidatos, entre outros cuidados, observar também o decoro. É claro que, não fazendo isso, não serão descontados necessariamente nas notas, mas um discurso com muitas agressões ao decoro, à boa educação, pode gerar no corretor uma certa ojeriza pelo texto que está lendo. E isso será realmente muito perigoso. Ninguém gosta de ler textos cheios de indecorosidades, não é? Você gosta? Pode até gostar, mas se engana se imaginar que todos gostam. Uma redação, por exemplo, deve ser um texto obediente à norma padrão, à correção gramatical, à clareza, à concisão e ao decoro, entre outras qualidades. Nada de palavras e expressões chulas, de baixo calão e obscenas, como encher o saco, babaca, aporrinhar, bocó, meter-se a besta, sovaco, merreca, etc., etc.

Observou bem o que disse o Blogueiro?  Além de correto, seu texto deve ser bem-educado, não só em vestibulares e concursos, mas em suas tarefas acadêmicas e sua profissão futura, sob a forma de cartas, relatórios, pedidos, etc. Não ceda jamais ao mau gosto.

 

 

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