O “s” e suas armadilhas olímpicas

Agora que a olimpíada do Rio de Janeiro está em pleno curso e sucesso, pode-se dizer, comparando as três últimas olimpíadas, que o Brasil soube fazer um trabalho certo, simples, mas plenamente vitorioso. É claro que, não sendo nosso país um forte concorrente olímpico em todas as modalidades esportivas, temos de nos contentar, nessa como noutras olimpíadas, com uma medalha aqui, outra ali, e festejar muito cada conquista. Nossa olimpíada está demonstrando mais uma vez que são na maior parte pessoas humildes, dotadas de puro talento, que conquistam tais medalhas, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios pessoais. É uma pena, pois a cada olimpíada que passa chegamos à conclusão de que puros talentos esportivos e olímpicos não são aproveitados e desenvolvidos unicamente por não haver um programa nacional de grande porte para conduzi-los ao pódio. E ficamos sempre na ilusão de que, na próxima olimpíada, tudo será diferente e o país fará as grandes conquistas que faltaram em olimpíadas anteriores.

Você estará se perguntando por que o Blogueiro, num blogue sobre vestibulares, deu para fazer um grande parágrafo falando só das competições olímpicas. E você mesmo, numa segunda e mais atenta e crítica leitura, perceberá que em tal parágrafo aparecem repetidas olimpíada e olimpíadas. Percebeu? Na verdade, o Blogueiro continua falando de vestibulares, na medida em que procura criar frases que aparesentem o uso correto e adequado dessa palavra no singular e no plural. Deste modo, a lição continua. Como é muito provável que, num ano olímpico, os concursos e vestibulares abordem como temas de redações e de questões, as competições olímpicas, a primeira coisa que você deve ter em mente é a diferença de uso. Até mesmo escritores e jornalistas muitas vezes se equivocam ao referirem-se às “olimpíadas do Rio de Janeiro”. Ora, trata-se de um erro crasso. No Rio está em curso uma olimpíada, a de 2016. Usar o plural, neste caso, não cabe. Caberia, se, por exemplo, houvesse referência às olimpíadas de 2012 e 2016, isto é, a duas olimpíadas. Assim também se nos referíssemos a todas as olimpíadas que já foram disputadas. Cada uma delas, porém, é uma olímpiada. Ficou claro?

Muito cuidado, portanto, se o tema for abordado nos próximos exames de vestibulares de alguma universidade. E assim também cuidado com pequenas distrações que o fazem deixar de escrever o “s” em casos de concordância. Textos da internet oferecem inúmeros exemplos disso, como Os dois pescadores perdidos na mata foram, pelo trabalho competente dos bombeiros, localizado depois de um dia de buscas. Notou? Por distração, pura distração, o redador escreveu “localizado”, quando deveria ter escrito localizados. As bancas corretoras, porém, não raciocinam para desculpar distrações, mas para apontar erros, qualquer que seja a razão que os fez aparecer no texto.

Compreendeu? O “s” é uma letra bastante perigosa, que pode induzir a erros grosseiros e causar perda de pontos preciosos. Não brinque em serviço.  

 

 

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