Internet é uma, não a forma

Alguns jovens acham que, com base no discurso que praticam em suas comunicações em redes sociais, já sabem escrever muito bem e isso será suficiente em provas de vestibulares e concursos. Pura ilusão. O discurso na internet é apenas uma forma de utilização da língua na rede. Uma redação de vestibular ou de concurso nada tem a ver com ele.  Isso significa condenar a forma de comunicação pela internet? Nada disso, significa apenas que a forma de comunicação pela internet é uma forma de comunicação pela internet. E que uma redação em concurso deve ser vazada em outro modo de utilização da língua, vigiado pela norma padrão. São dois processos, portanto, perfeitamente válidos em suas dimensões e circunstâncias, que não devem ser misturados. O primeiro, da internet, não precisa  de um vocabulário muito rico. O segundo, por natureza, utiliza um vocabulário extenso e variado.

Uma passagem pelas duas folhas de um jornal em que se localizam os editoriais, artigos de jornalistas e de colaboradores nos serve hoje de lição para aprender melhor a entender e expressar-se.

De tanto falarem professores e colegas,  nós sabemos disso. Mas acabamos por adquirir o hábito, para nós nem sempre prazeroso, de ler tais artigos como modelos do pensar e do escrever. Costumamos cometer, porém um erro, ao não ligarmos muito para algo que é crucial em qualquer leitura: o vocabulário. A leitura dos artigos, de fato, nos serve de guia para os assuntos que percorrem o país o ano inteiro, podendo até antecipar uma possível proposta de redação.

É preciso, porém, muito cuidado e atenção. Há vocábulos que não conhecemos e passamos por alto em tais artigos. O Blogueiro fez a experiência de ler os artigos de duas folhas de um jornal e encontrou alguns que podem servir de exemplo: pleito, postulação, controvérsia, cognitivo, propina, falácia, retaliação, titubeante,  pandemia. Quantas dessas palavras você conhece? Todas? Ótimo. Mas, se não conhece bem algumas, está na hora de mudar seu sistema de leitura. Isso já foi dito em artigos anteriores, mas o Blogueiro insiste, porque é fundamental: leia, mas não deixe vocábulo em branco. Passar por alto os vocábulos que não se conhecem é uma forma de indolência, para não dizer preguiça, mesmo.

Voltemos aos vocábulos recolhidos das duas folhas de jornal: pleito = eleição, postulação = solicitação, controvérsia = polêmica, discussão, debate, cognitivo = relativo ao conhecimento, à cognição, propina, = gratificação, suborno, falácia, = afirmação falsa, errônea, enganosa, retaliação, = vingança, desforra, represália, titubeante, = vacilante, oscilante, hesitante; pandemia =  doença epidêmica com grande difusão.

Se não conhecia bem os significados, agora vai conhecer. E reconhecer que o processo de leitura e de expressão precisa de um vocabulário amplo e rico, para facilitar sua compreensão e sua criação.

É isso aí. Não deixe vocábulo em branco, nem nos textos que lê, nem nos que escreve.

 

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