Uma prova limpa

Você já deve ter participado de discussões sobre a forma de apresentação de uma prova discursiva de concurso ou de vestibular. E, por certo, tem sua opinião formada a respeito. O Blogueiro também.

Muitos candidatos julgam que a apresentação da prova tem tudo a ver com o correto, não necessariamente com o limpo e organizado. Trata-se de uma opinião um tanto suspeita, porque a apresentação da prova é também uma espécie de resposta que se dá ao elaborador e à banca corretora. Uma prova cheia de garranchos e riscos de correção não é lá algo que se possa considerar organizado.

Na verdade, o ideal de uma prova discursiva, bem como de redação, é apresentar-se com respostas diretas, enxutas, que denotem não apenas um raciocínio surgido do conhecimento e da análise, mas também a expressão desse raciocínio em texto escrito, estruturado, claro. Por isso mesmo, prestar uma prova discursiva implica também certa estética, entendido que esta surge de um plano, de uma preparação da resposta para que, além de acertada, facilite sua interpretação à banca de correção.

Há, portanto, não apenas técnica, mas também um pouco de arte no responder discursivamente.

Ora, respostas cheias de borrões e riscos de correção contrariam todo esse esforço pela estruturação do texto, podendo até prejudicar a clareza necessária para um julgamento positivo. “Sim, mas eu sempre fiz desse jeito e os professores sempre aceitaram!” dirá um candidato. É possível, mas a prova de concurso ou de vestibular é um momento único, uma oportunidade única. Procurar fazê-la com o máximo de capricho possível é um componente positivo a mais.

E como evitar esses problemas? Simples, como sempre se fez nas redações. Encontrada, no raciocínio, a resposta adequada, organizar e reorganizar mentalmente o modo de apresentá-la, procurando, de certa forma, visualizá-la, para evitar que, na hora de escrever, haja arrependimentos, lapsos, deslizes que tenham de ser eliminados com riscos, rabiscos, garranchos, parênteses, etc., etc. Neste sentido, uma resposta correta pode ser até inviabilizada pela confusão provocada por esses sinais de arrependimentos e erros.

Não brinque em serviço, portanto. Uma prova limpa, enxuta, é o que se espera de alguém que pretende acesso a um curso universitário.

Se você tem a mesma opinião do Blogueiro, ótimo. Se, porém, discorda, julgando que o importante são as respostas, e não os riscos e rabiscos, repense um pouco essa concepção, tomando por base que apresentações desse tipo valem como rascunho, não como texto acabado e perfeito. O melhor é pensar um pouco mais sobre o texto de cada resposta e apresentá-la com capricho em termos de técnica e de estética.

Faça uma prova limpa, sem enigmas a serem decifrados pela banca de correção, e nunca se arrependerá.

 

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