Anglicismos: um problema?

Os empréstimos de palavras de uma língua a outra sempre foram comuns. No português, por exemplo, há palavras de origem árabe, francesa, de línguas africanas e de línguas  indígenas, para só falar em algumas. Tais empréstimos nunca causaram problema, pois foram ocorrendo ao longo da história  e a maior parte dessas palavras incorporadas ao idioma.

Na atualidade, porém, muitos puristas (purista é o estudioso que prefere a língua “pura”, isto é, sem contaminação de outras pelo empréstimo de vocábulos) se declaram horrorizados pela presença cada vez maior de anglicismos, isto é, vocábulos originados da língua inglesa. Já houve até ministro a defender a pureza da língua, dizendo que qualquer vocábulo estrangeiro pode ser melhor traduzido por vocábulos da própria língua portuguesa. Na verdade, tal afirmação é uma balela, pois não há como impedir essa entrada de vocábulos ingleses em nosso vocabulário. Por quê? Por uma razão muito simples: os vocábulos não vêm sós, surgem acompanhando os objetos que nomeiam. E países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, caracterizaram-se desde o último século como grandes produtores de tecnologia. Os vocabulários dos diferentes produtos da tecnologia são fornecedores de grande número de vocábulos para todas as outras línguas, não havendo como alterar esse fluxo, sob pena de cair no ridículo, como caíram alguns políticos que tentaram criar leis para impedir tais empréstimos. Imagine você substituir, por purismo, site por sítio. Horrível, não é? E assim também tentar substituir show, que já está aclimatado, por forma aportuguesada, como xou. Ainda mais horrível! É melhor aceitar a realidade e aproveitar a profusão de vocábulos referentes às novas noções. Podemos dizer, por exemplo, sem susto, web, net, rede, internet, etc. etc. Em alguns casos, aproveitando a solução do uso oral, podemos escrever pecê, cedê, devedê, como também PC, CD, DVD. O Blogueiro prefere as três primeiras formas, já vocabularizadas. É preciso também entender que a língua inglesa se tornou uma língua internacional, razão por que muitos dos seus vocábulos são adotados em boa parte dos países. Delivery, por exemplo, pode ser entendido em quase todos os países, não precisando, neste caso, ser traduzido para entrega a domicílio. Qualquer turista em qualquer parte do mundo entenderá perfeitamente o que significa delivery como um vocábulo que já se internacionalizou.

E como fica essa questão para quem escreve? A atitude purista não tem mais grande justificativa num  planeta caracterizado pela globalização, em que a língua inglesa se tornou elemento de comunicação internacional. É preciso apenas acautelar-se para não abusar dos termos ingleses. Sempre é possível  evitar o uso excessivo dos anglicismos, reduzindo-os ao mínimo. Mas sem buscar soluções ridículas. Ninguém pode ser penalizado numa redação por usar termos como site, blogue, web, show, internet. Em resumo: aceitar a realidade como ela é não põe ninguém em situação ridícula. O ridículo surge do purismo que tenta agir contra a maré dos fatos reais e corriqueiros.

Pense nisso.

 

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