Ler e seus perigos

A experiência ensina que ler é, em alguns momentos, projetar sobre o que está escrito o que se imagina, e não o que realmente está no papel. Isso se explica facilmente: como a linguagem possui um princípio de economia que evita o esbanjamento, numerosíssimas palavras são muito parecidas, por vezes quase iguais. Aí mora o perigo da leitura: quem lê apressadamente um texto corre grande risco de equivocar-se e trocar uma palavra que está escrita por outra que não está no texto, mas na mente do leitor. Deste modo, se uma pessoa diz para outra: Vá para o inverno, querendo significar com a frase, no contexto, vá morar numa região permanentemente fria (portanto, permanentemente “inverno”, como muitas do globo), o interlocutor, no caso de fala, ou o leitor, no caso de escrita, podem entender “inferno”, o que muda completamente a interpretação da frase.

O que o Blogueiro acabou de dizer explica, por exemplo, fatos reais em exames vestibulares: na proposta de redação de certo vestibular, em vez de ler conveniência, como estava escrito, muitos candidatos, entenderam “convivência”, tendo dificuldades, por isso, com a questão da redação.

Tudo isso está sendo dito para que você entenda que uma leitura atenta é crucial em qualquer prova de concurso ou de vestibular. Crucial na interpretação do enunciado, crucial na interpretação das alternativas. Muitos erros já foram cometidos por causa desse equívoco de leitura. E, como boa parte das questões se baseiam em textos, a possibilidade de equívoco aumenta. Solução: fazer sempre uma leitura atenta: é melhor perder um tempinho lendo e interpretando do que lamentar-se por cometer um erro banal em virtude de uma projeção indevida de palavra sobre o texto.

Na escola usualmente os professores nos alertam sobre esse fato, por meio dos ensinamentos sobre os chamados hômonimos e parônimos. Você deve entender esses ensinamentos nos termos práticos como são colocados aqui: palavras que se escrevem de modo quase igual ou com muita semelhança são fatores de erros de interpretação, em virtude de o processo de leitura envolver projeções antecipadas de nossa parte. Cuidado, portanto, com evadir/invadir, imigrar/emigrar, orfeão/órfão, palpar/poupar, etc., etc. É um número enorme de pares de palavras que podem causar os nefastos efeitos de uma troca.

Na verdade, esse equívoco ocorre porque certas passagens de um texto ou um enunciado parecem muitas vezes uma adivinha, sobretudo em momentos de nervosismo. Lembra daquela: O que é que todos têm dois e você só tem um? Levamos algum tempo tentando entender. Alguns desistem, alguns começam a “chutar”, até que outros percebem que a pergunta não está direcionada para a realidade circundante, mas para as próprias palavras: todos têm duas letras o, e você tem uma só. Entendeu agora a charada e o processo de leitura? O Blogueiro espera que sim e que estas reflexões tenham muita serventia a você. Valeu?

 

 

 

 

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