A solidão e a prova

O Blogueiro já tocou aqui na questão da solidão que representa fazer uma prova. Não uma prova específica, como as de um vestibular, mas qualquer prova.  Não custa, porém, filosofar sobre alguns outros aspectos desse fato, que podem ser muito importantes para você e talvez até resolver problemas que nem imaginava.

Uma prova, um exame, um teste, desde os primeiros anos escolares, convenhamos, é sempre um ato em solidão. Claro que alguns, tentando embarcar para o lado desonesto, quebram essa solidão combinando como colaborarem durante uma prova. Algumas vezes isso pode até dar certo. É algo, porém, ilusório. Não dará para ficar a vida inteira parado na mesma turma, com os mesmos colegas, fazendo as mesmas provas. Como diz o provérbio, um dia a casa cai. O mundo segue em frente, o estudo segue em frente, os colegas mudam e você percebe que tem um longo caminho a percorrer com muito estudo, muito esforço e, sobretudo, muita honestidade. Com isso, passa a considerar a solidão do ato de prova como um dado necessário, nada assustador, pois, de fato, é a sua garantia de que terá chances de ser aprovado com reais merecimentos, já que todos os que fazen estão na mesma situação. Isso vale para as provas escolares, para os concursos de acesso a empregos, em empresas ou órgãos públicos, para os vestibulares e, posteriormente, para as provas que terá de realizar ao longo do curso. E, depois de graduado, se resolver seguir mestrado e doutorado, novos exames e provas virão, inclusive as defesas de tese em que, em público, você terá só você mesmo para demonstrar à banca que sua dissertação ou sua tese são boas e merecem aprovação. Talvez seja essa a pior das provas e o medo de reprovar em público é o pior de todos.

Por nunca haver tomado consciência dessa situação, apesar de vivê-la desde os primeiros anos escolares, muitos candidatos a vestibulares e concursos se assustam no momento da prova, ou, usando uma expressão mais popular, ficam nervosos. Isso resulta de um equacionamento equivocado do que seja realmente a prova e um esquecimento de que a vida inteira as pessoas são submetidas a provas. Mesmo que trabalhe como autônomo, depois de formado, você não se livra disso, pois cada trabalho que faz é um teste a que se submete para os clientes julgarem se você é ou não um bom profissional. Estamos sendo julgados o tempo todo, de modo que, na solidão em que tomamos as decisões em nosso trabalho e as executamos, está sempre presente o fato de que não podemos errar, ou, pelo menos, não podemos errar muito.

Acabe, por isso, com esse negócio de ficar nervosinho. Cada prova não é uma tortura, é uma possibilidade de demonstração de competência, de sua competência, e você está preparado para demonstrá-la e obter uma boa avaliação, um bom julgamento. Passe, assim, a considerar a solidão do ato de prova um momento ótimo, de realização, de vitória sobre seus desafios. Porque toda prova, afinal, se resume nisso.

 

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