Escrever bem não é luxo

Algumas vezes você pode refletir sobre o que o Blogueiro faz neste site. Serão apenas lições sem muito efeito? Ou são muito importantes?

Claro que são muito importantes. Importantíssimas. O Blogueiro sabe o que faz e quer que você também atinja esse patamar. É possível? É. Basta querer e buscar com muito esforço e trabalho. A filosofia do Blogueiro é simples: Escrever é comunicar-se. Escrever bem é comunicar-se bem. E isso não vale apenas para vestibulares, mas para toda a vida profissional que terá pela frente. Compreendeu?

Foi por isso que, no artigo anterior, o Blogueiro chamou sua atenção para a conjugação dos verbos com pronomes átonos e suas variantes. Foi um lembrete importante, porque corre por aí muita balela sobre a desimportância dessas variantes. Alguns chegam, mesmo, a afirmar que estão superadas, que pronomes átonos são coisa do passado, ou uso de escritores sofisticados. Pensar assim é iludir-se. O  artigo anterior, bem como numerosos sites e blogues na internet demonstram que não é bem desse modo que tudo acontece. Algumas formas estão em desuso, mas outras estão ainda em uso constante. Observe os exemplos colhidos em jornais e revistas atuais:

 

A Marinha investiu nessa tecnologia por considerá-la uma etapa indispensável para realizar seu projeto mais ambicioso… (Folha de S.Paulo)

Tanto que nenhuma voz desse grupo tomou a providência de retificá-lo na definição … (Folha de S.Paulo)

… basta misturar água e farinha de trigo, criar uma massa e por fim enxaguá-la sob água corrente… ( Minha Saúde)

 

E aí? Você vai querer escrever como o povo vulgarmente fala na comunicação diária, coloquial, considerar ela, retificar ele e enxaguar ele? Aí é que vai cometer erro gramatical, pois pronomes do caso reto não podem ser objetos da oração; essa é função dos oblíquos. Então vamos voltar ao artigo anterior e verificar as variantes que ainda são usadas sem problemas: considero-o, considera-o, consideram-no; considerá-lo; retifico-o, retifica-o, retificam-no, retificá-lo, e assim por diante. São formas de uso comum no discurso formal oral e escrito. Você perderá pontos preciosos num vestibular, num concurso ou até numa entrevista para emprego se escrever ou falar: Encontrei ele ontem e me disse que havia uma vaga. O certo é dizer: Encontrei-o ontem e ele me disse que havia uma vaga. As empresas, hoje, precisam de funcionários cada vez mais capazes de desempenhar bem inúmeras atividades: bom raciocínio, boa capacidade de observação, agilidade mental, espírito crítico e, não tenha dúvida, bom discurso, que não envergonhe a firma. Nesse panorama, o uso dos pronomes átonos é uma característica importante. Voltemos então ao tema.

Ocorre um fato que quase sempre passa despercebido nesse emprego: na primeira pessoa do plural, há também uma modificação no verbo mesmo com o pronome nos: Exemplo: Consideramo-nos inocentes. Note que, em exemplos como esse, o –s da forma verbal é eliminado: Preocupamo-nos muito, encontramo-nos no parque, detestamo-nos. Será, pois, incorreto, escrever preocupamos-nos muito, encontramos-nos no parque, detestamos-nos.

Viu quanta minúcia há entre o verbo e os pronomes átonos? Isso você precisa mesmo aprender. Há blogues e blogues, sites e sites dedicados ao estudo de língua portuguesa que lhe darão as conjugações completas de qualquer verbo sem e com as variantes pronominais e explicações excelentes a respeito. Procure. Não pense que só há cálculo e combinações em Matemática e Física. A língua portuguesa frequentemente solicita raciocínios sofisticados para atingir a forma correta. Você tem de aprender. E sem reclamar! Você pode até nunca mais precisar de matemática, de física, de química, mas, com certeza, precisará sempre de um discurso oral e escrito bem estruturado, correto e claro, até mesmo se se tornar professor dessas disciplinas, engenheiro, astrônomo, etc., etc.

E sempre baseado no princípio que o Blogueiro adota: escrever corretamente não é luxo. É necessidade.

 

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