“Fi-lo, porque qui-lo”

Parece estranha esta frase, não?

Corre o folclore político nacional a anedota: perguntado por jornalistas para explicar por que havia renunciado à presidência da república, Jânio Quadros teria respondido — Fi-lo, porque qui-lo. Vale dizer: fiz isso, porque quis isso ou porque quis fazer isso.

A anedota pode ser engraçada e pode não corresponder à realidade, mas não se pode negar que Jânio, professor de português e gramático, não tivesse falado corretamente. Falou, sim, no mais puro português culto.

Assim, nem sempre o estranho é errado, pode ser que seja correto e nós não sabemos explicar nem entender. Você tem de tomar cuidado com isso, porque é importante, para escrever bem, dominar todas as minúcias do idioma. As variantes pronominais átonas objetivas da terceira pessoa são válidas no discurso culto, embora em alguns contextos possam já estar em desuso. Em desuso, sim, mas corretas, isso é preciso ser bem compreendido. Observe a conjugação de verbo e variantes com base na frase Faço-o:

 

Faço-o

Faze-lo

Fá-lo

Fazemo-lo

Fazei-lo

Fazem-no.

 

Percebeu como as variantes pronominais se comportam, mudando a forma e alterando até a forma verbal?  Pois é. Faço-o, fá-lo, fazemo-lo, fazem-no não são tão desusados assim. Observe agora no pretérito perfeito, que é o tempo da frase do ex-presidente:

 

Fi-lo

Fizeste-o

Fê-lo

Fizemo-lo

Fizeste-lo

Fizeram-no.

 

Qualquer verbo transitivo direto pode suportar essas variantes. No discurso culto, usar fê-lo e fizeram-no é coisa comum.

Comece a observar a partir de hoje nos textos formais — artigos de jornais, revistas e revistas universitárias, editoriais, livros — a ocorrência das variantes e quais as mais comuns. E pode usá-las à vontade em seu discurso escrito: enriquecê-lo-ão.

Jânio fê-lo porque qui-lo. Queira-o você também, sem medo de fazê-lo. Captou?

 

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