Cuide dos homônimos e parônimos. E mais dos “enganônimos”

O Blogueiro hoje está um tanto eufórico, e por isso se dá o direito de fazer uma brincadeira, criando um vocábulo de um modo não muito convencional, que os gramáticos horrorizariam. Na verdade, trata-se de uma criação ad hoc, um neologismo de ocasião, inventado com uma boa finalidade. O povo vive fazendo isso e volta e meia acaba dando certo: a nova palavra, mesmo mal formada, ganha a bênção do uso popular e acaba ingressando no vocabulário comum.

Não é essa a intenção do Blogueiro, mas simplesmente servir-se da brincadeira com uma finalidade didática, para auxiliar mais ainda os vestibulandos. Você sabe que os homônimos são palavras que se pronunciam ou se escrevem de maneira idêntica. É possível, portanto, confundi-los. E que os parônimos são palavras com grande semelhança, quer na pronúncia, quer na grafia ou em ambas. São também, perigosos, porque podem induzir o leitor a enganar-se redondamente, atribuindo a uma das formas o significado da outra, como, por exemplo, entender apelo (chamamento, substantivo em que o “e” é fechado), quando o contexto indica que se trata de apelo (presente do indicativo do verbo apelar, com “e” aberto). A confusão surge em virtude de os vocábulos serem homógrafos (grafia idêntica), mas não homófonos. Note que, conforme o contexto, a atribuição do significado de uma dessas palavras a outra pode criar um sentido totalmente errado para a frase como um todo. O mesmo pode ocorrer com centenas de palavras, como arrojo (ousadia, coragem, com “o” fechado) e arrojo (presente do indicativo de arrojar, “arremessar, lançar”, com “o” aberto”), cerca e cerca, decoro e decoro, etc.

Evidentemente, com um pouco de atenção, tanto os homônimos como os parônimos oferecem menor risco, já que o contexto e as classes gramaticais das palavras envolvidas constituem pistas suficientes para a identificação da forma.

O grande perigo, porém, está nos “enganônimos”, ou seja, no fato de uma leitura menos atenta nos levar a ver no texto uma palavra muito parecida com a que está escrita. Em certo vestibular, na proposta de redação, constava a expressão uma questão de conveniência. Muitos vestibulandos, em leitura desatenta e apressada, entenderam convivência em vez de conveniência, o que mudava completamente o significado da expressão e da própria proposta de redação. Perigoso, não é? O mesmo pode acontecer com pares de vocábulos como usuário e usurário, investimento e divertimento, instalado e entalado, previdencial e residencial, envidar e evitar, além de centenas de outros.

Cuidado, portanto, quer na leitura de questões, quer nas suas respostas ou até mesmo na sua redação. As traições da memória são muito conhecidas: basta uma pequena distração para interpretar um sentido equivocado com base numa confusão de formas. Nossa língua, com toda a sua riqueza, ou até mesmo por causa de toda a sua riqueza, possibilita essa confusão.

Como sair deste embrulho? Saber ler é uma técnica e ao mesmo tempo uma arte. É preciso exercitá-las o tempo todo para evitar trocas eventuais e consequentes decepções.

Entendeu? Então leia o que deve ser lido e não o que sua mente distraída pode de repente inventar e projetar no texto.

 

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