Arquivo de 7 de junho de 2019

A norma padrão: para quê?

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Você muitas vezes se pergunta por que tanto falam os professores na norma da língua portuguesa: Afinal, ela é tão importante assim? Por que não posso escrever do meu jeito, como eu gosto?

Nem tudo pode ser como queremos, mas como temos de fazer. A questão da norma é uma dessas coisas que independe de nossa vontade. Afinal, o que é a norma? Para que serve?

Pense um pouquinho. Toda língua, do passado ou do presente, não importa qual, não possui apenas uma forma de realização. A língua falada se diferencia em seu emprego em diferentes formas conforme a região e conforme o nível social. Você já prestou atenção no modo de falar dos nordestinos e o comparou com o dos gaúchos? Ou o dos paulistas? Claro que sim. E já percebeu que há diferenças notáveis, embora se trate da mesma língua portuguesa. As línguas faladas no mundo inteiro não são diferentes. Em Portugal, por exemplo, a mesma língua portuguesa apresenta variações muito grandes conforme a região em que seja falada.

Quando usamos o português em nosso lar, em nossas relações com os parentes e amigos próximos, usamos também uma variedade, a que é chamada usualmente português coloquial. Mas essa mesma variedade não é empregada em todo o país, mas só em seu meio. E nesse ponto é que surge o problema: o país também precisa de uma variedade falada e escrita que seja aceita em todas as regiões, em todas as comunicações oficiais, jornalísticas, profissionais, que os professores possam usar e ensinar em sala de aula e as instituições exijam nos concursos e exames vestibulares. Esta é a que denominamos norma-padrão. Antigamente se dava o nome de norma culta, mas isso não pegava muito bem, porque não se trata propriamente de uma variedade mais culta, mas de uma variedade mais ampla, de maior alcance.

A norma-padrão, assim, é um dos laços que serve para unir o país numa consciência de totalidade. Na mídia, por exemplo, nas televisões, os jornalistas a empregam de norte a sul e de leste a oeste.

Exatamente por isso também se coloca a questão da ascensão social e profissional dos cidadãos. A norma-padrão é um dos instrumentos para essa ascensão. Você, uma vez formado, se tiver de trabalhar no Ceará, não utilizará em suas atividades profissionais nosso modo de falar regional do estado de São Paulo, mas a norma-padrão, tanto em sua fala como em sua escrita. Ela é seu instrumento de trabalho como tantos outros.

Percebeu agora a importância da norma-padrão? Cremos que sim. Então trate de caprichar ainda mais em seu domínio, porque ela o acompanhará pela vida toda.