Arquivo de junho de 2019

Evitar subjetividades

terça-feira, 11 de junho de 2019

Você aprendeu nos longos anos de ensino fundamental e médio dois conceitos que se tornam muito importantes em trabalhos de pesquisa, tarefas, provas, concursos, vestibulares: subjetivo e objetivo. Estas duas palavrinhas são bastante usadas, mas nem sempre de acordo com os conceitos que devem expressar.

Subjetivo se refere ao que é muito pessoal, particular, relativo ao sujeito, que envolve sua visão, suas atividades psíquicas particulares, seus desejos, suas emoções e sentimentos. Quando dizemos que a opinião de um colega é muito subjetiva, estamos querendo significar que é produto dessa visão individual, exclusivamente dele, que vale apenas para ele. Já objetivo é bastante diferente, refere-se ao que é válido para todos, e não apenas para um só indivíduo, àquilo que é determinado por lógica, por critérios científicos, não por visões pessoais.

Pois é. Poderíamos escrever ainda muito sobre as diferenças entre objetivo e subjetivo, mas o que está explicado acima já basta para que você perceba o cuidado que deve ter com manifestações subjetivas em suas provas. Ao responder uma pergunta, não interessa o que você “acha”, mas o que a pergunta quer que você encontre no enunciado da questão e eventualmente no texto em que este se baseia. Seja objetivo, disseram todo o tempo seus professores, e estavam certíssimos.

Justamente por essas razões, tome bastante cuidado em não deixar escapar palavras ou expressões ou até mesmo opiniões pessoais, subjetivas, quando o alvo da questão é uma resposta clara, precisa, objetiva, que não valha apenas para você, mas para todos. Deste modo, manifestações como “eu acho que…”, “eu creio que…”, “imagino que…” são perniciosas em suas respostas e, mesmo, em suas redações. Tais manifestações são tipicamente pessoais, individuais, particulares. Com toda a certeza uma pergunta de concurso ou de vestibular não quer saber o que você acha, mas o que é solicitado como resposta.

Outra escorregadela de subjetividade muito perigosa é o vício de empregar o futuro do pretérito do indicativo. Entre outros significados, este tempo e modo verbal indica uma ação potencial, possível, provável. Formas verbais como seria, poderia, indicaria, etc., podem anular uma resposta, porque não significam que alguma coisa seja, mas que pode ser ou não ser. Resposta assim não responde absolutamente nada.

Finalmente, é bom também tomar cuidado, pelo conteúdo que encerram, com advérbios como talvez, porventura, possivelmente, etc., pois atribuem a mesma forma de indefinição a suas respostas.

Percebeu? Não é não. Sim é sim. Pode ser não equivale a é. Seja preciso. Seja claro. Seja objetivo. Valeu?

 

A norma padrão: para quê?

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Você muitas vezes se pergunta por que tanto falam os professores na norma da língua portuguesa: Afinal, ela é tão importante assim? Por que não posso escrever do meu jeito, como eu gosto?

Nem tudo pode ser como queremos, mas como temos de fazer. A questão da norma é uma dessas coisas que independe de nossa vontade. Afinal, o que é a norma? Para que serve?

Pense um pouquinho. Toda língua, do passado ou do presente, não importa qual, não possui apenas uma forma de realização. A língua falada se diferencia em seu emprego em diferentes formas conforme a região e conforme o nível social. Você já prestou atenção no modo de falar dos nordestinos e o comparou com o dos gaúchos? Ou o dos paulistas? Claro que sim. E já percebeu que há diferenças notáveis, embora se trate da mesma língua portuguesa. As línguas faladas no mundo inteiro não são diferentes. Em Portugal, por exemplo, a mesma língua portuguesa apresenta variações muito grandes conforme a região em que seja falada.

Quando usamos o português em nosso lar, em nossas relações com os parentes e amigos próximos, usamos também uma variedade, a que é chamada usualmente português coloquial. Mas essa mesma variedade não é empregada em todo o país, mas só em seu meio. E nesse ponto é que surge o problema: o país também precisa de uma variedade falada e escrita que seja aceita em todas as regiões, em todas as comunicações oficiais, jornalísticas, profissionais, que os professores possam usar e ensinar em sala de aula e as instituições exijam nos concursos e exames vestibulares. Esta é a que denominamos norma-padrão. Antigamente se dava o nome de norma culta, mas isso não pegava muito bem, porque não se trata propriamente de uma variedade mais culta, mas de uma variedade mais ampla, de maior alcance.

A norma-padrão, assim, é um dos laços que serve para unir o país numa consciência de totalidade. Na mídia, por exemplo, nas televisões, os jornalistas a empregam de norte a sul e de leste a oeste.

Exatamente por isso também se coloca a questão da ascensão social e profissional dos cidadãos. A norma-padrão é um dos instrumentos para essa ascensão. Você, uma vez formado, se tiver de trabalhar no Ceará, não utilizará em suas atividades profissionais nosso modo de falar regional do estado de São Paulo, mas a norma-padrão, tanto em sua fala como em sua escrita. Ela é seu instrumento de trabalho como tantos outros.

Percebeu agora a importância da norma-padrão? Cremos que sim. Então trate de caprichar ainda mais em seu domínio, porque ela o acompanhará pela vida toda.