Arquivo de 30 de maio de 2019

Períodos curtos, longos, confusos

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Você certamente já ouviu lições sobre como devem ser os períodos de suas respostas discursivas e redações. Ouviu? Alguns “conselheiros” sugerem que períodos curtos são preferíveis, porque você tem menos possibilidades de errar. Outros acham que períodos longos demonstram capacidade de raciocínio e argumentação.

E daí? Como fazer sua opção? Como resolver essa dúvida? Na verdade, essa dúvida é inventada por quem quer dar uma de “entendido” e conselheiro. A questão não se resume ao fato de escolher, por fora do texto, se usa períodos curtos ou períodos longos. Na verdade, nem existe de fato essa escolha. A questão é interna ao texto: se você sabe exatamente o que responder, responderá adequadamente; se domina bem o tema de sua redação, escreverá a contento. Será muito errado decidir, antes de escrever, se utilizará períodos breves ou longos. Isso só poderá atrapalhar.

Ponha na cabeça: um bom escritor sabe o que escrever, sem se preocupar. A clareza de seu raciocínio se expressará naturalmente em seu texto, sem complicações. No caso do candidato, podem ocorrer duas possibilidades: primeira, você ter realmente capacidade de escrever com clareza e eficácia. Neste caso, não precisa se preocupar, é só seguir em frente. Segunda, você sentir insegurança em sua capacidade de redação. Precisará, então, de algumas orientações. Em primeiro lugar, deve esquecer essa estória de longos ou breves, apenas escreva. Em segundo, tenha em mente que, como diziam antigos gregos e romanos, a virtude está no meio. Não exagere nem na brevidade, nem na maior extensão. O perigo que corre, nesse caso, é escrever de modo confuso, como por exemplo numa resposta à questão A Ciência tem hoje capacidade total para resolver o problema dos buracos na camada de ozônio?

Vamos imaginar uma resposta confusa, tal como ocorre por vezes em concursos:

Creio que a ciência tem hoje, nos seus numerosos métodos e nos trabalhos de numerosos cientistas, não a capacidade total de resolver o problema, mas de resolver os problemas que assolam o planeta e podem, como sugerem muitos cientistas, levar a sérios problemas que podem até representar o fim do nosso planeta, pois os problemas criados pelos homens são muitos, dos quais o da camada de ozônio é apenas um, embora seja um problema muito perigoso e de difícil solução, já que envolveria muitas ações e tecnologia, que não sei ainda se já foi criada, pois a todo instante as revistas especializadas informam que o perigo continua existindo e aumentando.

Observou a extensão demasiada da resposta, as repetições inúteis e, ao fim e ao cabo, a falta de definição da própria resposta? Afinal, o candidato respondeu sim, não ou mais ou menos? Está aí o perigo: responder muito sem definir nada. O que deveria fazer o candidato?

Em primeiro lugar, deveria decidir sua opinião exatamente para o que foi indagado: a ciência tem hoje capacidade total para resolver os problemas da camada de ozônio? Assumida uma opinião positiva ou negativa, justificá-la, evitando repetições e explicações inúteis. Imaginemos uma resposta negativa:

Não, atualmente a Ciência ainda não tem total capacidade para resolver de vez os problemas da camada de ozônio, embora esteja havendo um grande esforço de cientistas e laboratórios do mundo todo nesse sentido.

Note que esta resposta é simples, clara e lógica, demonstrando plenamente a opinião do candidato.

Percebeu? Compare as duas respostas e tire suas próprias conclusões sobre a questão da simplicidade, clareza e coerência. E use suas observações como critério para aperfeiçoar seu modo de responder.

 

Com cotas, mais fácil? Mais difícil?

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Desde que foram implantadas as cotas nas universidades, muito se discute sobre a maior ou menor facilidade para aprovação, tanto num sistema como em outro.

Logo no início, dizia-se que ficaria mais difícil para os candidatos sem direito a cotas a aprovação, porque em vez de cem por cento de possibilidades ficariam apenas com cinquenta. Aparentemente, estavam certos, mas um pouco de reflexão acabou demonstrando que não era bem assim. Por quê? Porque os candidatos que tinham plenas possibilidades de aprovação continuavam os mesmos. Assim, não importava o número maior ou menor de concorrentes, mas a capacidade de cada um de receber as melhores notas.

Quanto às cotas, houve unanimidade no país sobre a sua justificativa, dado que enfrentavam, antes, candidatos muito mais preparados e com melhores condições de obtenção das vagas. As cotas representam uma forma de justiça social, para evitar que candidatos com menos possibilidades de superar os não cotistas pudessem ter uma chance real de ingressar nas universidades. Com isso não se perderiam muitos talentos que, de outro modo, ficariam marginalizados e obrigados a enfrentar trabalhos profissionais em desacordo com suas reais vocações. Esse sistema acabou se consolidando, ficando as discussões pró e contra como coisa do passado. A realidade é que há cotas e há muitos candidatos que se inscrevem com base nelas e conseguem ingressar nos cursos pretendidos.

Como no sistema sem cotas, porém, outra questão tem sido a da maior ou menor dificuldade de ingresso. No início, muitos cotistas julgaram que seria agora muito mais fácil a obtenção de vagas. Isso, na verdade, foi colocar, como diz o povo, o carro para puxar os bois. As cotas, se eliminaram a concorrência dos não cotistas, não eliminaram, porém, a concorrência dos demais. A necessidade de preparar-se, de estudar mais, continuou semelhante, assim como a própria concorrência. Aumentou inclusive a responsabilidade.

Os dois sistemas, portanto, apesar de independentes, apresentam características comuns, que podem ser resumidas do seguinte modo: é preciso estudar, e estudar muito, para vencer os concorrentes e obter a vaga pretendida.

Percebeu? Então não brinque em serviço! Empregue todo o seu esforço de preparação para atingir seu objetivo. Com as cotas ficou mais fácil? Mais difícil? Nem uma coisa nem outra. Em exames vestibulares, qualquer que seja o sistema de ingresso, não há facilidade.