Arquivo de 13 de maio de 2019

Caligrafia: bela escrita

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O Blogueiro já tem explorado esse tema algumas vezes, para alertar os candidatos sobre os perigos de grafar mal.

Antigamente, os professores do ensino fundamental insistiam bastante em exercícios de caligrafia, para que os alunos tivessem letra pelo menos clara e legível. Evidentemente, nem todos os estudantes têm o dom de escrever letras como se desenhassem, que fazem um texto manuscrito perfeito. Alguns têm mesmo letra mais bela que a dos próprios professores.

Houve uma época, porém, sabe-se lá se vinda de fontes oficiais, sabe-se lá se inventada pelos próprios estudantes, em que se dizia que a caligrafia não importa, já que a letra é uma característica da personalidade do próprio indivíduo. Nessa época, passou-se a dar menos importância ao traço das letras que à própria clareza. Isso foi péssimo. Os corretores de concursos e de vestibulares muitas vezes sofrem para “decifrar” as letras dos candidatos. Quando não o conseguem, a questão discursiva fica anulada, zerada. Nenhum corretor tem obrigação de ser especialista em decifrar enigmas, hieróglifos ou escrita cuneiforme.

Num tempo em que corrigiu redações, o Blogueiro se deparou com inúmeros exemplos de escrita tão personalizada, que, no fim, provavelmente, só o próprio candidato podia entender. Ou talvez até nem ele mesmo!

Falando sério, a estória de que a letra revela a personalidade do escritor só tem servido para prejudicar os próprios estudantes que aderem a essa tese bastante duvidosa. Na verdade, tudo o que fazemos revela a nossa personalidade: o modo como andamos, como nos vestimos, como nos comportamos, como seguramos o lápis ou a caneta, etc., etc. A letra é apenas uma parte dessa revelação. De fato, ninguém quer andar como um palhaço, vestir-se com desmazelo, comportar-se de modo ridículo. E ninguém deveria, também, desejar ter uma letra praticamente ilegível. Por quê? Porque ninguém quer reprovar em concurso ou vestibular. Desejamos passar, dar um show com nossas respostas, tirar notas muito altas. Mas isso não será possível se não formos entendidos no que escrevemos.

Se você é frequentemente advertido por seus garranchos, pode ter certeza de que sua letra vai mal. E, se não tomar providências, irá de mal a pior. Está na hora, portanto, de melhorar o curso e o contorno de suas letras, arrendondar o a e o o, botar o pingo nos is e nos jotas, deixar bem nítidos o g e o q, para que não possam ser confundidos, dar contorno adequado ao s final, arrendondar as curvas do m e do n, para que não se confundam com o u, etc., etc., etc. Nesse caminho, não pode haver preguiça. O objetivo final é ser plenamente entendido pelos corretores, para que não possa vir um desconto na média final que lhe levará embora a vaga. Vagas, como mais de uma vez disse o Blogueiro, se decidem por milésimos.

A melhor forma de afirmar sua personalidade é saber demonstrar, com o máximo de clareza, que sabe muito, que estudou bastante para chegar aonde chegou, uma prova muito bem feita, exemplar, elogiável. Busque esse objetivo. Se julgar necessário, faça até exercícios de caligrafia para um melhor desempenho. Pense que, atualmente, caligrafia não corresponde necessariamente a uma escrita bela, mas a uma escrita clara, perfeitamente inteligível à leitura de qualquer pessoa. Pense e execute. Ou espere alguns anos até que a tecnologia crie carteiras onde possa digitar suas provas discursivas, valendo lembrar que, nessa hipótese, você terá de treinar muito para ser um excelente digitador.