Arquivo de 18 de abril de 2019

As questões objetivas são objetivas?

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Você certamente imagina que as chamadas questões objetivas dos exames vestibulares são realmente objetivas, de modo que é só ler o enunciado e procurar a alternativa verdadeira. Não exagere muito nessa forma de considerar. Essa é apenas uma parte da verdade, razão por que pode conduzir a equívocos.

De fato, quando se presta uma prova objetiva, procura-se a alternativa correta. Mas como chegar até ela?

As bancas elaboradoras dos diferentes exames não trabalham com tanta simplicidade. Uma vez estabelecido o enunciado da questão, buscam elas o enunciado da alternativa que preencha todas as condições como resposta adequada. Isso é fato. O problema começa nesse instante: estabelecer a resposta adequada é fácil; difícil é disfarçá-la no meio das outras quatro incorretas. Aí começa a técnica de cada elaborador. Um deles, certa vez, confessou ao Blogueiro que, estabelecida e conferida a alternativa correta, começa o verdadeiro trabalho para não facilitar aos candidatos encontrá-la. Por isso, busca em seguida uma segunda alternativa que seja o máximo parecida com a primeira, mas com um pequeno erro que a torne incorreta. A terceira alternativa pode ser estabelecida por semelhante método, mas com um aumento dos componentes errados, de sorte que possa ser também equiparada à correta. Isso não é fácil de fazer. Já a quarta e a quinta podem conter diferenças maiores, mas de modo a confundir, como se respondessem a outra questão. O que não faz nunca o elaborador é apresentar alternativas inteiramente erradas, que se revelem por si mesmas como tais. Resultado: esse processo de elaboração de questões acaba não sendo tão objetivo assim, dependendo até de certa imaginação do elaborador.

Elaborar, neste sentido, acaba sendo uma técnica e uma arte. Por esta razão, responder terá também elementos de técnica e de arte. Ocorre que, por vezes, o candidato tem uma opinião sobre o que foi indagado bem diferente da opinião do elaborador. Se percebe isso, que faz? Responde com a sua ou com a que percebe na questão. Claríssimo que deve responder de acordo com a questão. O próprio Blogueiro, certa vez, percebeu, ao prestar um concurso, que o elaborador tinha um ponto de vista diferente do seu, que serviu para produzir uma série de questões. Que fez? Acompanhou o elaborador e acertou as questões de toda a série, mesmo sabendo que sua opinião sobre o tema era melhor que a do elaborador. Para atingir essa percepção, evidentemente, não é só contar com a objetividade, mas usar um pouco de imaginação e subjetividade. Sem isso, embarca-se no equívoco.

Percebeu agora a razão do título deste artigo: As questões objetivas são objetivas? Deveriam ser, deveriam ser como matemática, com formulação e resultados exatos. Mas você sabe agora que não ocorre bem assim. Por isso, trate a partir deste momento de encará-las de modo diferente, com maior sutileza. Assim, você penetrará melhor nas intenções do elaborador e no modo como organizou as alternativas. Boas provas!