Arquivo de 15 de abril de 2019

Orações reduzidas: melhor a teoria ou a prática?

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Seus professores muitas vezes ensinaram, no estudo da sintaxe, a diferença entre orações desenvolvidas e orações reduzidas. Não é verdade? É, sim. Mas chega um momento em que você se pergunta: Afinal, para que saber isso?

De fato, a sintaxe, mesmo sendo um dos tópicos dos programas de língua portuguesa dos exames vestibulares, não é hoje em dia lá muito exigida. Uma ou outra questão, e olha lá! Isso quer dizer que seu estudo seja desprezível? Na verdade, não é tão desprezível assim. O próprio ensino tradicional da sintaxe sempre foi um tanto equivocado, privilegiando mais a teoria, puro conhecimento, do que a prática, aprendizado do que pode fazer com que sua capacidade de expressão melhore bastante. O Blogueiro vem insistindo muito neste fato: o ensino de língua portuguesa deve ter como meta principal auxiliar o estudante a aumentar sua capacidade expressiva, tanto em discurso oral, como em redação.

A redação é fundamental nesse caso, pois você será exigido nessa habilitação não apenas em vestibulares e concursos, mas ao longo de toda a sua vida profissional. Em resumo: o principal objetivo do ensino de língua portuguesa na escola é dotar o estudante de capacidade mais que razoável de expressão oral e escrita, porque isso ser-lhe-á exigido ao longo de toda a sua vida como um de seus instrumentos de trabalho.

No caso das chamadas orações reduzidas, que podem ter verbos no gerúndio, no particípio e o infinitivo, opostas às desenvolvidas, saber usar e alternar as duas formas representa um ganho de poder expressivo muito bom. Examine estes exemplos fornecidos por João Barbosa de Moraes:

Comprei um terreno tendo quinze metros de frente e vinte de fundo.

Não sairei daqui sem ver a partida do navio.

Ninguém afirmou termos vendido a geladeira.

Rompidos os cordões de isolamento, o povo penetrou na praça.

Viajando pela Europa, não foi a Paris.

Sendo aprovado, estarei, consequentemente, nomeado.

É necessário considerares teus chefes com respeito e amizade.

Trabalhou toda a noite, crente de ser o seu trabalho escolhido pelo júri.

Comendo demais ao almoço, achou-se, pouco depois, bastante mal.

O artista, aclamado pela assistência vultosa do espetáculo, sentiu-se comovido.

 

Na verdade, é menos importante classificar as orações reduzidas que aparecem nesses períodos do que saber alterná-las, para escolher a melhor forma para cada caso. Observe, a este respeito, como ficariam com as orações desenvolvidas:

 

Comprei um terreno que tem quinze metros de frente e vinte de fundo.

Não sairei daqui sem que veja a partida do navio.

Ninguém afirmou que tínhamos vendido a geladeira.

Logo que rompeu os cordões de isolamento, o povo penetrou na praça.

Quando viajou pela Europa, não foi a Paris.

É necessário que consideres teus chefes com respeito e amizade.

Trabalhou toda a noite, crente de que seria o seu trabalho escolhido pelo júri.

Como comeu demais ao almoço, achou-se, pouco depois, bastante mal.

O artista, depois que foi aclamado pela assistência vultosa do espetáculo, sentiu-se comovido.

 

Compreendeu? A língua portuguesa não é algo árido, com poucas soluções. Ao contrário, oferece ao falante e ao escritores inúmeras possibilidades de escolha pela forma que seja mais adequada e cabível ao período que está criando.

Pense nisso e tome amostras de qualquer texto de livro ou jornal, verificando os dois tipos de orações e fazendo as conversões para uma ou outra forma. Será um ótimo exercício para melhorar seu domínio de discurso.