Arquivo de fevereiro de 2019

Preparação: ortografia é muito importante

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

No artigo anterior, o Blogueiro sugeriu uma visão geral ao candidato dos estudos que tem de realizar na reta final. A partir do artigo de hoje, vai apresentar uma série de sugestões derivadas dessa visão, muito importantes para a eficácia do desempenho nas provas.

A primeira delas diz respeito à ortografia. Para alguns, a ortografia não é tão importante, dá para cometer alguns errinhos. Não é bem assim. Quando se busca um resultado final ótimo, tudo passa a se tornar importante nesse caminho. É preciso observar que a ortografia atinge todas as provas, não apenas a de língua portuguesa. As questões discursivas são respondidas em língua portuguesa, e o discurso do candidato deve privilegiar todas as possibilidades de acerto, para evitar, inclusive, escrever palavras que funcionem no texto com sentido diferente do pretendido.

Uma das coisas que deve conhecer o candidato é que o sistema ortográfico é um dispositivo legal a ser obedecido no país e, simultaneamente, um acordo entre países de língua portuguesa, que uniformizaram seus sistemas em 1990. No Brasil, o acordo começou a ser obedecido há questão de dez anos, e a partir de 2016 tornou-se obrigatório. Neste caso, é imperioso escrever conforme estipulam as regras assumidas pelo acordo.

Outro aspecto importante é o fato de que o sistema ortográfico foi criado para ser econômico, vale dizer, fazer-nos usar o menor número possível de palavras acentuadas, para diferençar das não acentuadas. Seus dois princípios reguladores são, portanto, diferenciar e economizar. Ao estabelecer tal sistema, os estudiosos encarregados poderiam, por exemplo, como se faz no inglês, decidir simplesmente não acentuar nenhum vocábulo, o que seria altamente econômico, mas poderia gerar muitas dificuldades no aprendizado do português escrito, pela confusão de palavras diferentes que se escrevem com as mesmas letras, embora tenham tonicidade distinta. Por isso, escolheram um meio-termo: acentuar apenas algumas palavras. Esta decisão tem sua lógica. A língua portuguesa tem como grande maioria de seu vocabulário palavras paroxítonas terminadas em -a, -e, -o, seguidos ou não de -s. É por esta razão que não acentuamos palavras como mesa, mesas, carne, carnes, caderno, cadernos. Já as oxítonas com idênticas terminações, muitíssimo menos numerosas, são acentuadas: guaraná, ananás, café, chaminés, avô, propôs.

Percebeu? Por trás de cada regrinha de acentuação a que você tem de obedecer, existem esses princípios de diferenciação e de economia. Você deve acentuar revólver, por exemplo, para evitar confusão com revolver (verbo). E acentua a paroxítona porque as oxítonas terminadas em -er são muito mais numerosas (pense no infinitivo dos verbos da segunda conjugação, só para ter uma ideia).

Por isso mesmo e por todas estas razões, tenha sempre presente, ao obedecer a uma regra de acentuação, os dois princípios: diferenciação e economia. Assim, ficará mais fácil compreender e evitar erros.

No próximo artigo o Blogueiro vai focalizar alguns exemplos que podem levar a enganos. Bom estudo!

Saber começar para saber terminar

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Você vai prestar os vestibulares deste ano e por isso deve estar acompanhando os resultados dos atuais, as listas de chamadas, as alegrias de colegas mais velhos que foram aprovados e se matricularam.

E você? Agora é a sua vez. É claro que vem estudando há um bom tempo e acompanhando as provas e as correções, e agora percebe que está na hora de programar uma série de atividades para chegar “tinindo” aos exames. O Blogueiro, por isso, faz algumas sugestões para que estabeleça bem concretamente sua rota.

Primeiro ponto: estude com muita atenção as questões objetivas de diferentes vestibulares. Procure captar a “malícia” das questões e entender o modo como os elaboradores geram as alternativas. Existe aí uma técnica que pode ser detectada e compreendida. Isso aumentará em muito sua capacidade de identificar as respostas corretas e evitar cochilos.

Segundo ponto: sua expressão nas questões discursivas e na redação é fundamental. Trate de fazer uma análise de sua capacidade de escrita: clareza, concisão, vocabulário adequado, pontuação, acentuação, ortografia. Temos tendência em julgar que escrevemos muito bem, mas isso é perigoso, pode nos levar a enganos. É melhor usar o critério da desconfiança e achar que temos alguns defeitos que precisamos descobrir e sanar.

Terceiro ponto: além de estudar com atenção as diferentes disciplinas, trate de fazer sempre uma revisão da terminologia dessas disciplinas, para evitar erros de conceito em suas respostas discursivas e de compreensão na leitura das questões objetivas. É muito comum julgarmos que conhecemos a terminologia e dominamos todos os conceitos expressos pelos seus termos, mas volta e meia nos equivocamos. É bom, por isso, rever a cada passo tais vocábulos e conceitos.

Quarto ponto: redação é redação. Dissertação é dissertação. Nada de inventar, em vez de dissertação, desenhos, caricaturas, charges. Esses gêneros de texto não são solicitados e, se você insistir, sua “redação” será anulada. É claro que alguma vez na escola você fez isso e pode ter sido até elogiado pela criatividade. Mas vestibulares em geral pedem dissertações e é nelas que você tem de demonstrar sua capacidade de raciocínio, de argumentação, de conhecimento do tema e de sugerir soluções para os problemas analisados. Certo especialista em vestibulares denomina redações-camicase essas tentativas de substituir a dissertação por desenhos.

Quinto ponto: não se distraia com os eventos de início de ano, festas, carnaval, eventos esportivos. Sua hora é agora. Está na reta final e cada minuto é importante para aumentar suas chances. Vestibular é como uma prova esportiva: você tem de dar tudo e mais um pouco para vencer.

Pense bastante nesses cinco pontos e elabore seu plano de ação, tendo em mente que para sair-se bem nos exames não é suficiente apenas estudar, mas saber como preparar-se para prestar as provas com segurança.

 

Tudo novo sob o sol

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Depois da fase de matrículas, começa tudo de novo. Os que terminarão este ano o ensino médio são os novos pelejadores em busca de cursos e vagas. E a cada ano, felizmente, as competências parecem aumentar, o que é bom em termos de ensino e melhor ainda em termos de universidade.

Muitas vezes na vida percebemos que boa parte da realidade que nos cerca é cíclica, isto é, seus processos têm inícios, desenvolvimentos e términos, para em seguida terem novamente inícios, desenvolvimentos e términos, e assim por diante. Num dos livros da Bíblia, o Eclesiastes, que alguns atribuem à autoria do rei Salomão, esta constatação da natureza cíclica da realidade gerou belas páginas de verdadeira filosofia, ainda atualíssima. Se você algum dia disse ou ouviu uma frase como, por exemplo, Nada novo sob o Sol, está ou citando ou plagiando o Eclesiastes, que afirma também: O que é que foi? É o mesmo que há de ser. Que é o que se fez? O mesmo que se há de fazer. Não há nada novo debaixo do sol, e ninguém pode dizer: Eis aqui está uma coisa nova, porque ela já existiu nos séculos que passaram antes de nós.” (trad. de Matos Soares).

Belo, não é? Belíssimo. É o que acharam muitos escritores ao longo do tempo, que não se esquivaram de citar passagens do Eclesiastes ou de desenvolver seus temas. O próprio Machado de Assis, nosso maior escritor, era um desses admiradores do texto.

Pois é. Mas devemos convir que, para cada um de nós, em tudo o que fazemos parece que estamos a fazer sempre algo novo. É o que você deve sentir ao entrar na reta final dos exames vestibulares. Por isso mesmo, é bom lembrar o que diz o Eclesiastes, justamente para evitar que, nos momentos de desânimo, que volta e meia acontecem em nossas vidas, você se sinta o único culpado por não conseguir atingir algumas metas de estudo. Na verdade, você apenas está iniciando individualmente um ciclo pelo qual inúmeros jovens vêm passando há anos e anos. O que lhe acontecer de bom ou de mau já aconteceu a muitos outros ao longo desse tempo.

Não se preocupe demasiadamente, portanto. Se o ciclo de vestibulares do ano em curso não lhe for favorável, haverá outros e outros e, num desses, com certeza você passará, como tantos outros estudantes que enfrentaram as mesmas dificuldades.

Então, mãos à obra. Neste ano final, é preciso estabelecer com a máxima atenção seu plano de estudos e segui-lo à risca. Você sabe quais são suas forças e quais as suas fraquezas. Pondere. Estabeleça metas. Dedique-se como o candidato recém-aprovado no vestibular de medicina de grandes universidades, depois de anos de dedicação que chegaram a incluir fechar-se no banheiro para poder estudar. Você pode se inserir em processo semelhante de grande esforço e dedicação, repetindo o ciclo. Não pode?

Claro que pode. Pode fazer com que para você surja tudo novo debaixo do Sol.

 

A universidade dá saudade

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Você acaba de se matricular na Unesp, no curso com que sonhava, e agora está na expectativa do início das atividades. Passam por sua cabeça muitos pensamentos e projeções sobre como será sua vida durante os anos de estudo. Será bom? Será muito puxado? Será duro de aguentar?

Complica-se a questão pelo fato de que você reside em outra cidade ou até em outro estado, e agora terá uma vida completamente diferente do que vem tendo até o momento. E agora?

Na verdade, acredite que está ingressando nos melhores anos de sua vida de estudante. Você viverá intensamente todos os momentos em que passar no câmpus universitário, a começar pelo relacionamento que manterá com seus colegas. Muitos obterão a oportunidade de ocupar um local em moradia estudantil, onde passarão a viver numa sociedade completamente diferente de tudo o que conheceram até agora. Haverá novas amizades, novos relacionamentos, satisfações e até mesmo atritos, ou seja, ensinamentos de convivência que serão muito úteis em sua vida futura.

Aqueles que não ingressarem em moradias universitárias se reunirão em grupos e dividirão o aluguel em casas ou apartamentos, locais metaforicamente chamados repúblicas, e terão também de se adaptar a novas formas de convivência, muito diferentes das que tinham em suas casas, no seio de suas famílias e em suas cidades. Assim como nas moradias, nas repúblicas se desenvolvem amizades que duram pelo resto das vidas dos moradores. Sem falar que também surgem muitos casamentos.

Essas mudanças, que no início podem até assustar um pouco os estudantes, na verdade constituem um fato altamente positivo para todos. E assim também os próprios eventos de que participarão no câmpus universitário, seja os relacionados diretamente a estudos e tarefas, seja os que dizem respeito a atividades culturais, esportivas, comemorações e, mesmo, festividades. Os estudantes acabam descobrindo que estudar na universidade implica não apenas esforço e estudo, mas um período de vida rico em eventos de toda espécie.

Por tudo isso, você não deve preocupar-se com o que encontrará. Se ainda tiver alguma dúvida, pode perguntar a pessoas que já se formaram, isto é, que já passaram pela experiência que você irá passar. A resposta da maioria dessas pessoas, com certeza, será que a universidade deixa saudades. E tantas, que levam profissionais que residiram em moradias ou repúblicas a, de tempos em tempos, reunirem-se para lembrar-se de tudo o que lá viveram, inclusive das molecagens que praticaram como formas de divertimento. Pergunte a profissionais já formados sobre essas molecagens e com certeza dará muitas risadas com o que contarem.

Você também um dia sentirá as mesmas saudades.