Arquivo de 4 de janeiro de 2019

E se você não passar?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Em todos os inícios de ano, o Blogueiro pensa não apenas nos candidatos que serão aprovados, como também naqueles que não o serão. Tais reflexões brotam de sua própria experiência, pois, ao longo de sua vida, em concursos que prestou, teve aprovações e também reprovações.

Não é fácil nem confortável, de fato, deixar de ser aprovado em vestibulares e  outros concursos. As reações dos candidatos variam conforme seus temperamentos, suas personalidades. Alguns podem se mostrar aborrecidos: Que droga! Estudei tanto e não deu! Outros até muito zangados: Essas universidades só querem saber de humilhar a gente. Outros ainda falam em mudar de perspectiva: Pra mim chega! Vou buscar outra forma de me tornar profissional! Isso sem falar naqueles que mergulham em profundo abatimento.

Na verdade, nem uma dessas atitudes se justifica. Os candidatos a vestibulares e outros concursos precisam ter consciência de que não ser aprovado é um fato comum, que, aliás, vai se repetir ao longo de suas vidas. No trabalho profissional, por exemplo, nem sempre aquele que aguarda uma promoção esforçando-se ao máximo consegue atingir esse objetivo. Pode até acontecer que outro colega, aparentemente menos qualificado, consiga, por fatores explicáveis ou até inexplicáveis. A vida é uma sequência de escolhas, acertos e erros. E nossas vitórias nem sempre dependem apenas de nós. Acertos e erros, aprovações ou reprovações são fatos comuns que não devem nunca desanimar ninguém. Ao contrário, a cada fracasso deve corresponder uma decisão de, nas próximas vezes, acertar, vencer, atingir a meta pretendida.

Deste modo, se por acaso você não for classificado desta vez, deve olhar para a frente e dizer a si mesmo: Na próxima, conseguirei. É assim que pensam e agem os vencedores. As biografias de homens ilustres, de grandes cientistas, poetas, profissionais famosos estão repletas de menções a tropeços e fracassos, que foram enfrentados com determinação e coragem.

Pense nisso. E nunca se abata com seus insucessos, mas apoie-se na análise deles para superá-los e superar-se. Produza também uma biografia de vencedor.

 

Você deve estar no mundo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Alguns dias atrás o Blogueiro se pôs a pensar sobre o que mais poderia dizer aos candidatos nesta passagem de ano, tanto aos aprovados quanto aos não aprovados para ingressar na universidade, algo que possa servir de utilidade em suas vidas, em suas carreiras, em seu trajeto por este mundo. Isto porque, a estas alturas, os próprios candidatos, prestadas as provas, estão praticamente saturados de ouvir conselhos sobre gramática, ortografia, literatura, etc., etc.

Depois de algumas reflexões, finalmente chegou a um ponto interessante, uma recomendação que poderá servir mesmo àqueles que resolvam não seguir carreiras profissionais ensinadas pelas universidades: a leitura como hábito, como rotina de vida. Não a leitura trivial, de estudos ou de orientação profissional, mas a leitura formadora de uma visão de mundo superior, de intelectualidade.

Quem estuda em uma universidade, buscando formação, não se torna necessariamente um intelectual. Torna-se um profissional habilitado a exercer determinada profissão de nível superior. O ideal, porém, é que, além dessa formação, adquira também a de um verdadeiro intelectual, capaz de compreender o mundo, o homem, a vida, capaz de produzir ideias e conceitos superiores a esse respeito.

Um hábito de leitura assim estabelecido deve incluir não apenas livros técnicos, nem tão somente literatura. São, é claro, necessários, mas em todas as áreas do conhecimento há livros importantíssimos para a formação da intelectualidade. Alvin Toffler publicou, em 1970, um livro que  merece ser lido, particularmente porque focaliza temas que hoje são ainda muito relevantes: O choque do futuro (Future shock). Vale a pena ler, ainda mais porque descreve como deve ser qualquer profissional de hoje em sua relação com a realidade tecnológica que o cerca. Não se pode ser mais só engenheiro, só médico, só advogado, só professor, só cientista. Homens e mulheres de hoje têm de ser seres pensantes e atuantes criticamente sobre o mundo em que vivemos e sobre tudo o que a humanidade edificou no planeta. É preciso enxergar, com a mente, muito além do que os olhos enxergam.

Dois livros do genial físico Stephen W. Hawking são igualmente recomendáveis: Uma breve história do tempo e O universo numa casca de noz. Neles, Hawking focaliza, em discurso para leigos, a teoria geral da relatividade e a mecânica quântica, procurando fazer com que pessoas comuns como você e o Blogueiro possam ter uma boa ideia dos avanços nessas duas áreas, que visam atingir um conhecimento cada vez maior e detalhado de como funciona o universo. Um estudante bem formado no ensino médio já está em condições de lê-los e entendê-los.

Para não dizer que a literatura foi deixada de lado, vale a pena ler o 1984, de George Orwell, obra que pode ser considerada atualíssima, pois descreve um mundo como aquele em que parece estar se transformando o nosso. Orwell não imaginava a tecnologia tão variada como conhecemos hoje, mas colocou com precisão o que ela significa para o fim da liberdade e da livre determinação da humanidade.

Assim também, no campo da filosofia, não se pode ignorar a leitura de Platão, como, por exemplo, o diálogo A república, de Aristóteles (Política) e de qualquer obra de Nietzsche. Isso entre milhares de obras das mais diferentes áreas. Só assim estaremos realmente no mundo e poderemos atingir uma compreensão do homem, do universo e nos tornarmos verdadeiramente intelectuais, diferenciando-nos daqueles que veem o mundo apenas como fonte de satisfação e prazer material.

Pense nisso. E tenha um feliz e venturoso 2019.