Arquivo de novembro de 2018

O valor do diploma superior

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Você já parou para pensar no valor do diploma universitário que conquistará? Será apenas um belo pergaminho para colocar em um quadro na parede de seu escritório? Representará tão somente o curso em que você se formou e a profissão que exerce? E já pensou se você não exercer a profissão e resolver, depois de formado, partir para outra?

É, talvez não tenha realmente pensado. Mas não se preocupe. Parta do princípio de que nossa vida é cheia de episódios, alguns bastante radicais, que nos fazem mudar completamente de rumo, quer sob o aspecto pessoal, quer profissional. O importante é ter sempre em mente que nada do que fazemos é perdido. Tudo provoca experiências importantes, que podem servir como base muito útil para novas experiências, novos empreendimentos, novos caminhos a trilhar.

Evidentemente, nossa vida é governada pela aceitação e adoção de padrões. Por vezes, esses padrões nos governam tanto, que somos afastados da observação clara do que acontece na realidade. Alguns chegam a dizer que os padrões nos fazem aderir a um comportamento de manada, vale dizer, o que os outros fazem nos leva a fazer o mesmo, do mesmo modo. O que não percebemos, porém, é que, se a vida é informada por padrões, isso não significa um fato dominante. O oposto, o diferente, também podem ocorrer. E daí? Que fazer? Negar os fatos evidentes ou observá-los como distorções desprezíveis?

Nada disso. Quando ocorre algo diferente do que estamos acostumados a ver, é preciso buscar as razões para essa diferença e analisá-las, para verificar em que medida a ruptura de um padrão pode ser bem melhor que sua aceitação pura e simples.

E aqui o Blogueiro retorna ao início do artigo, focalizando a questão da formação universitária em determinado curso. Pelo padrão, uma vez formado, o indivíduo deve vir a exercer sua profissão, quer como assalariado, quer como autônomo. Não foi para isso que estudou tanto? Claro que foi, mas pode acontecer que alguma coisa, mais à frente, não ocorra de acordo com o planejado. Traduzindo: pode ocorrer que, em certo momento, o sujeito se defronte com uma oportunidade profissional muito boa, mas fora da profissão que escolheu. Que deve fazer? Aceitá-la, é claro. A vida é também feita de experiências novas, mesmo assumindo-se certos riscos. Nesse caso, para que serviu o diploma? Para ficar desprezado na parede? Pergunta e resposta erradas. O simples fato de ter surgido uma oportunidade de mudança é a maior prova de que o diploma adquire maior valor, ou seja, valor ainda maior do que imaginávamos. Segue-se o raciocínio de que uma formação universitária não é algo fechado em si mesmo, mas um fenômeno amplo. Um diploma nas mãos não significa apenas um atestado de preparo profissional, mas um leque de possibilidades profissionais.

Por tudo isso, nem se faça mais perguntas como: E se ao fim do curso concluir que não era bem aquilo que eu queria? Pense diferente, pense que ao chegar ao final de seu curso você será um profissional preparado para muitas e muitas oportunidades. E a melhor delas nem sempre é a que surge à primeira vista. Nunca se esqueça de que é hoje impensável a existência de indivíduos sem um diploma universitário. E é bom lembrar de que em muitos concursos o diploma superior é sempre considerado condição para a inscrição do candidato.

Pense nisso: um diploma universitário não é uma entrada de cinema, mas uma chave capaz abrir numerosas portas. O mundo real sofre mudanças a todo instante. E você deve sempre estar preparado para enfrentá-las e vencê-las. Certo?

 

Vestibular Unesp: sem sustos, sem problemas

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Muitos candidatos, chegada a hora dos exames, revelam certo receio de que as questões que enfrentará venham a ser muito difíceis, algumas praticamente irrespondíveis. Os vestibulares surgem-lhes como monstros devoradores cujo interesse maior é desanimar desde o início os estudantes e levá-los à reprovação sumária.

Na verdade, não se trata de nada disso. Se você faz o vestibular UNESP pela primeira vez, não precisa se preocupar com as provas. São todas muito bem ponderadas, elaboradas por especialistas segundo uma filosofia: as questões não objetivam saber o que você não sabe, mas avaliar adequadamente o que você sabe. Por essa razão, não existem nelas as famosas pegadinhas, nem tampouco as questões complicadas que poucos responderiam.

Trata-se de um conjunto de provas, nas duas fases, que visam estabelecer um perfil do candidato para ingresso no curso pretendido. A base das questões são os programas das disciplinas e conteúdos que você consolidou ao terminar o terceiro ano do ensino fundamental. As questões sobre atualidades não se afastam desses conteúdos e se referem aos temas que todo estudante egresso do Ensino Médio deve conhecer.

Comparado com outros, o vestibular UNESP busca situar-se num patamar razoável, a certa distância dos que são considerados muito difíceis e exigentes. Por quê? Porque os especialistas da Universidade julgam que a avaliação do candidato não consiste em saber se é capaz de grandes proezas nesta ou naquela disciplina, mas se no todo revela uma formação aceitável, bem dosada, que lhe permita, uma vez aprovado no curso escolhido, assimilar sem maiores dificuldades a formação oferecida pela universidade. É o que basta.

Por estas razões, fique tranquilo, que não encontrará surpresas. Trate de voltar toda a sua atenção para o que sabe e conhece, pois será exatamente isso que enfrentará.

Boas provas!

 

A ordem dos elementos na frase

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Você se preocupa bastante com sua redação e suas respostas discursivas nos vestibulares, não é verdade? Por vezes, quando percebe ou quando lhe apontam algum erro, fica aborrecido e se considera um mau escritor, alguém que é incapaz de fazer um texto que mereça nota alta. Nunca pense assim. Você passou por um exaustivo treinamento, desde o ensino fundamental, para escrever bons textos, e com certeza deve ser mesmo capaz. Por isso, em primeiro lugar, acredite em você.

Um dos modos de comprovar essa sua capacidade é verificar que todos aqueles que escrevem, inclusive este Blogueiro, podem cometer erros em seus textos. E cometemos mesmo. Somos sujeitos a erros dos mais diversos tipos, gramaticais, ortográficos, de coesão e de coerência. Escrever, dizem os bons escritores, é sempre uma luta, uma luta constante para evitar tais lapsos, o que às vezes não é possível, porque estamos sujeitos a mil e uma influências sobre nosso comportamento que nos podem levar a cometê-los, inclusive por distração. Observe o exemplo seguinte, retirado de um jornal, e tente verificar qual desacerto ocorreu:

A moça frequentava o hotel onde foi encontrada morta regularmente.

Não é preciso muito esforço de leitura para perceber que, rigorosamente falando, não há nenhum erro gramatical nessa passagem. Todavia, há um engano de colocação de um adjunto adverbial, que gera uma forte e perigosa ambiguidade, prejudicando o entendimento por parte do leitor. Trata-se da posição ocupada por esse termo. O leitor poderá imaginar dois sentidos possíveis: primeiro, “a moça foi encontrada morta regularmente”; segundo, “a moça frequentava regularmente o hotel”. Esta segunda possibilidade de sentido é a que o jornalista quis transmitir, mas, por infelicidade ou pressa, houve o deslocamento do adjunto adverbial para uma posição que gerou a ambiguidade. O escritor quis dizer, na verdade, o seguinte:

A moça frequentava regularmente o hotel onde foi encontrada morta.

Outra possibilidade, ainda aceitável, poderia ser:

A moça regularmente frequentava o hotel onde foi encontrada morta.

É claro que a possibilidade primeira seria mais clara. O jornalista talvez tenha esquecido de colocar o adjunto adverbial nessa posição e, sentindo falta ao terminar, deixou-o no final da frase.

Percebeu? Qualquer um de nós poderia cometer esse deslize, e o perceberia se tivesse tempo de fazer a revisão, mas o jornalismo impõe tarefas rápidas, razão por que esses cochilos escapam de vez em vez.

Por que isso acontece? Porque a língua portuguesa herdou de sua língua-mãe, o latim, uma boa liberdade de colocação de palavras e termos. Essa liberdade ajuda bastante nosso escrever, mas pode também a levar a alguns problemas como o descrito. Nesse caso, todo cuidado é pouco.

Observe, só para exemplo final, a liberdade de colocação que o português herdou do latim, verificando a ordem dos elementos num provérbio como

A pressa é inimiga da perfeição.

Temos nesse provérbio quatro elementos intercambiáveis: primeiro, a pressa; segundo, é; terceiro, inimiga; quarto, da perfeição. Fazendo um exercício de permutação, descobrimos que há 24 possibilidades de colocação desses elementos: 4x3x2x1 = 24. Apresentemos cinco delas:

A pressa é inimiga da perfeição.

A pressa inimiga é da perfeição.

A pressa é da perfeição inimiga.

É a pressa inimiga da perfeição.

É a pressa da perfeição inimiga.

Essas cinco possibilidades são perfeitamente aceitáveis e não gerariam problemas de sentido. Entre as dezenove restantes, porém, algumas produziriam dificuldades de compreensão. Isto significa, singelamente, que não devemos abusar da liberdade de ordenação dos elementos nas frases que criamos. Devemos sempre reler com olhos críticos o que escrevemos, para sanar desencontros de sentido.

Ficou claro? Então coloque essa questão entre os aspectos que você precisa vigiar, e muito, nos textos que escreve. Ainda assim, vez por outra você não escapará de uma escorregadela, como a do jornalista citado. Mas só vez por outra. Valeu?

 

 

 

Um errinho banal: sujeito preposicionado

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Muitas pessoas que deveriam ter um pouco mais cuidado com seu idioma, como políticos, jornalistas, profissionais ilustres que vivem cochilando em uma construção bastante simples da língua portuguesa. Os gramáticos costumam alertar para esse erro, com base no estudo dos escritores clássicos, mas nem todos levam muito a sério. Observe o exemplo seguinte, colhido nesta semana num artigo de comentarista na internet, que focalizava a questão das notícias falsas (fake news) utilizadas como meio de propaganda eleitoral:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo delas receberem o epíteto de fake News.

Aparentemente, para o escritor descuidado, nada há de irregular na frase acima. Mas há. Apresenta um caso de preposicionamento do sujeito, que os gramáticos não admitem: não devia estar escrito “antes mesmo delas”, mas “antes mesmo de elas”, como se vê no exemplar corrigido:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo de elas receberem o epíteto de fake News.

Você deve notar que “elas” é o sujeito de “receberem”, e por isso, num texto que se queira realmente formal, quando precedido por preposição como “de”, não deve, rezam os gramáticos, ocorrer a combinação com o artigo que determina o sujeito.

Embora em muitos casos aqui comentados o Blogueiro tenha ressalvado que no uso oral certos lapsos são “perdoáveis”, neste caso ocorre o contrário: é melhor cada um acostumar-se a não preposicionar o sujeito, para que o vício não passe para o texto, quando escreverem. Observe outros exemplos semelhantes:

ERRADO: Há muita chance da cantora vir ao Brasil no ano que vem.

CERTO: Há muita chance de a cantora vir ao Brasil no ano que vem.

ERRADO: Apesar do parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

CERTO: Apesar de o parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

ERRADO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito nele solicitar retratação do jornalista.

CERTO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito em ele solicitar retratação do jornalista.

ERRADO: No caso do candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

CERTO: No caso de o candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

ERRADO: É chegada a hora do Brasil desenvolver-se.

CERTO: É chegada a hora de o Brasil desenvolver-se.

Percebeu como é simples este tipo de frase? 1) Após o sujeito surge o verbo no infinitivo. 2) Quer seja a preposição “de”, quer “em”, não se pode combinar com o artigo que precede o sujeito. 3) É bom seguir esse princípio também no discurso oral, para não levar o erro ao escrito. Vamos exercitar bastante, para consolidar este conhecimento?