Arquivo de setembro de 2018

Acentue/não acentue ói, éi, éu / oi, ei, eu

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A reforma ortográfica ocorrida há alguns anos, resultante de acordo entre países de língua portuguesa, não modificou muito as regras antigas, mas deixa você por vezes em dúvida no que se refere à acentuação, pois acabou produzindo algumas armadilhas. Você já pode ter caído, sem querer, em algumas delas. Um bom conselho, nesse caso, é não tentar entender todas as alterações de uma só vez, mas procurar esclarecer uma a uma.

Um dos casos que pode nos deixar atrapalhados é a acentuação dos ditongos abertos tônicos, que, na regra antiga, recebiam sempre o acento agudo, quer em palavras paroxítonas, quer em oxítonas ou monossílabas. Assim, era bem fácil memorizar e aplicar: véu, papéis, heróico. A regra atual, porém, criada pela reforma, dispensou o acento gráfico no caso de a palavra ser paroxítona: heroico, epopeia, apneia. Houve, portanto, uma redução do número de vocábulos atingidos pela regra. Só continuaram a receber o acento gráfico os ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: coronéis, cachecóis, réis, sóis. É claro, que, assim, ficou mais simples e econômico, mas com a possibilidade de provocar equívocos, como no caso da palavra ideia, que de vez em quando nos leva a deixar escapar o acento agudo sobre o -e-. O próprio Blogueiro cometeu esse deslize no início da aplicação da nova regra, pois estava acostumado a colocar o acento desde que passara a frequentar a escola. Quebrar velhos hábitos não é muito fácil.

Entendeu? Como os ditongos abertos tônicos soam muito nítidos e fortes, podemos nos distrair e colocar o acento agudo onde a regra não mais permite. É bom, por isso, manter a vigilância e só marcar com o acento agudo as vogais dos ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: chapéu, chapéus, herói, heróis, papéis, pastéis, coronéis, urinóis, lençóis, atóis, réis, sóis, véu, véus, dói (verbo doer).

Ter em mente uma razoável relação de palavras paroxítonas cujos ditongos abertos tônicos não se acentuam é também recomendável: heroico, estoico, paranoico, ateia, ideia, panaceia, apoio (verbo apoiar), ureia, epopeia, epopeico, assembleia, boleia, jiboia, onomatopeico, proteico, alcaloide, boia, comboio (verbo comboiar), estroina, introito, centopeia, diarreia, estreia, europeia, geleia, plateia, debiloide, ovoide, colmeia, Coreia, plebeia, asteroide.

Agora ficou mais fácil, não é? Mas tome cuidado e seja bem observador: uma palavra como destróier não se enquadra nessa regra, porque termina em –r.  Enquadra-se, no entanto, entre os paroxítonos terminados em –r, que sempre recebem o devido acento gráfico: revólver, pulôver, destróier, etc.

Tudo claro agora? Então, mantenha-se sempre atento com respeito a essa regra e às outras que foram modificadas em parte ou no todo com a reforma ortográfica.

 

Cuidado com o “de” indevido!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Língua Portuguesa, como você sabe, é cheia de manhas. Por isso, é preciso tomar muito cuidado, quando escrevemos, em não omitir o que deve ser evidenciado ou apresentar o que não deve existir.

Um bom exemplo que o Blogueiro quer explicar neste artigo diz respeito ao emprego ou não emprego da preposição “de”. Você aprendeu que há verbos e nomes (substantivos, adjetivos) que pedem a presença dessa preposição antes do complemento que vem em seguida. Complementos de verbos cuja regência solicita uma preposição se enquadram como objetos indiretos; e complementos de nomes cuja regência solicita preposição se identificam como complementos nominais. Eis alguns exemplos de frases em que a regência dos verbos solicita a preposição “de”:

Eu precisava da nota que o professor me deu.

Os operários foram avisados de que a fábrica faliu.

Não necessito de ninguém para me auxiliar.

Observe também exemplos de complementos nominais precedidos da mesma preposição:

Tenho medo de que me assaltem.

O hospital tem urgência de medicamentos adequados.

Acho que estou isento de imposto de renda.

Estou convencido de que o planejamento é necessário.

Até aqui, tudo bem. Usualmente, você erra pouco nessa questão de regência verbal e nominal. Todavia, se prestar bem atenção nas entrevistas em rádios, tevês e jornais, verificará que, muitas vezes, os entrevistados cometem erros crassos, ao “inventar” a presença de “de” em contextos nos quais a regência não solicita essa preposição. Observe exemplos disso:

O candidato declarou de que tem certeza da vitória.

Ninguém achava de que os ventos fossem tão fortes.

Meus melhores professores sequer imaginavam de que o vestibular fosse tão difícil.

O prefeito solicitou de que houvesse maior vigilância nas praças da cidade.

Percebeu bem a razão do emprego indevido da preposição? Trata-se de um erro crasso e você mesmo pode julgar esse deslize lembrando do que dizia o professor em seu curso fundamental: declarar alguma coisa; achar alguma coisa; imaginar alguma coisa; solicitar alguma coisa. Esse “alguma coisa”, ainda dizia o professor, é um objeto direto ou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Portanto, nada de “inventar” preposição onde a estrutura da frase não a solicita.

Faça uma boa revisão de seus textos, para verificar se não andou escorregando nesse equívoco, certo? E, para se divertir, preste atenção nas entrevistas na tevê para verificar como os figurões cometem esse erro, achando que estão falando muito bem.

 

Sua resposta, sua proposta

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Você acha que em vestibulares haverá perguntas fáceis e perguntas difíceis? Está ligeiramente enganado. Não existe isso. Vestibular não tem por objetivo facilitar sua vida, mas avaliá-lo. As perguntas são elaboradas geralmente com a mesma dose de dificuldade. Você, evidentemente, pode achar umas fáceis, outras difíceis, na medida em que saiba responder sem ou com dificuldades. Essa facilidade, porém, corresponde ao seu conhecimento, e não propriamente ao fato de serem em si as questões fáceis ou difíceis, ou mais fáceis e mais difíceis.

É muito importante perceber isso, para não se ver atrapalhado em suas respostas ao considerar que certas questões são muito difíceis e não vale a pena dedicar muita atenção a elas. Na verdade, podem ser apenas trabalhosas, solicitando uma atenção um pouco maior que outras, em virtude da sua dificuldade em entendê-las ou do conhecimento em que se baseiam. Em resumo: em provas de vestibulares, não há questões “dadas”. Como geralmente se fundamentam em textos, cabe a você perceber que suas respostas estarão condicionadas ao que dizem esses textos. Por vezes, você pode até discordar da opinião neles manifestada, mas deve ler com muita atenção o enunciado das questões para verificar exatamente o que é pedido a respeito desta ou daquela passagem. Sua opinião será manifestada na redação. Nas perguntas, você deve encontrar o que se pede que encontre nos textos, e não na sua opinião particular.

Do que se disse acima se conclui que é da maior importância praticar a leitura e a interpretação. Quando a banca elaboradora estabelece as questões, tem como objetivo avaliar diferentes habilidades de leitura e de interpretação de textos, além, é claro, do conhecimento específico em virtude do qual tais textos foram escolhidos. Isso vale para todas as diferentes disciplinas e conteúdos que compõem as provas. Comece a analisar questões de provas e respectivas respostas de vestibulares anteriores, para verificar como costumam operar os elaboradores. Você pode, com isso, até descobrir certas “manhas” dos elaboradores ao focalizar um aspecto para interpretação. Depois de algum tempo, perceberá que perguntas à primeira vista consideradas difíceis são apenas mais trabalhosas para compreender o que pretendiam os elaboradores e, talvez por isso mesmo, para responder de modo adequado.

Assim fazendo, você chegará à conclusão de que suas respostas não podem ser extremamente simples, realizadas, por exemplo, por meio de uma frase curta. Responder uma questão é, neste sentido, fazer análise, interpretação e apresentar o resultado de forma mais clara possível. De certo modo, ao responder questões discursivas, por exemplo, você acaba elaborando uma verdadeira proposta de solução, que tem de ser muito bem embasada nos elementos questionados. Isso não quer dizer, por outro lado, que deva escrever demais ou encher linguiça, como costuma dizer o povo a alguém que fala muito e acaba não dizendo nada. Sua resposta, além de identificar o que é solicitado, tem de ser bem dosada, para demonstrar que você fez o caminho certo ao longo da leitura.

É com isso em mente que deve fazer exercícios de leitura e intepretação ao longo de seus estudos. Analise as questões de vestibulares anteriores, verifique as respostas apresentadas pelos diferentes sites de cursos preparatórios e escolas. Tente mesmo fazer a crítica dessas respostas, verificando em que aspectos poderiam ser mais claras e explícitas.

E não esqueça, quando estiver fazendo seu vestibular: de certo modo, ao responder, você está elaborando uma proposta de interpretação ante a proposta de questão elaborada pela banca.

Agora você já sabe responder a indagação inicial deste artigo: com a preparação e o treinamento adequados, todas as questões se tornam fáceis.

 

É bom saber um pouco de juridiquês, economês e politiquês

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Enquanto você se prepara para as provas de seu vestibular, o Brasil continua vivendo uma fase muito turbulenta em termos econômicos, políticos e jurídicos. É praticamente impossível que você não tenha percebido isso.

O problema, porém, não é perceber, é descobrir se alguma coisa desse período pode interferir de algum modo em seus exames. Pode? Na verdade, pode, sim. Em primeiro lugar, porque não é impossível que os elaboradores de provas de História ou de Filosofia, por exemplo, escolham temas para questões que versem, direta ou indiretamente, sobre problemas semelhantes aos que vive nosso país. Por isso é bom estar atualizado a respeito. Nada de dizer que economia não lhe diz respeito. Diz, sim. Nada de afirmar que não gosta de política. Goste ou não goste, tem de conhecer. E igualmente, goste ou não goste, é bom estar bem informado sobre o que hoje ocorre nos meios jurídicos, especialmente no que diz respeito aos julgamentos de indivíduos apanhados com a mão na massa ou, como também diz o povo, com a boca na botija do erário de nosso país.

E não é improvável, também, que a proposta de redação de algum vestibular fundamente nesses fatos o tema solicitado.

O Blogueiro pensou nisso uns dias atrás, ao ouvir na televisão entrevistas e comentários de especialistas recheados de expressões do que podemos um tanto vulgarmente chamar juridiquês, politiquês e economês, vale dizer, o discurso ou o vocabulário jurídico, político e econômico. Eis algumas dessas expressões que o Blogueiro anotou na oportunidade: sub judice, a seu talante, questão de ordem, habeas corpus, carta magna,  acórdão. Você conhece o significado e a aplicação de todas elas? Pelas razões apontadas, é bom conhecer.

A locução sub judice está sendo muito frequente nos meios de comunicação. Significa em juízo, sob apreciação judicial, que ainda não recebeu sentença definitiva. Exemplo: O processo contra o candidato ainda se encontra sub judice.

 

A seu talante é uma expressão que significa simplesmente a sua vontade, a seu arbítrio, a seu desejo (lembrando que talante significa isso mesmo: vontade, arbítrio, escolha, desejo, etc.). Os juristas adoram empregá-la.

Com certeza já ouviu a expressão questão de ordem muitas vezes, até mesmo em assembleias estudantis. Os políticos em suas sessões deveriam empregá-la apenas para, quando não estão com o a palavra, pedir esclarecimento ou informação sobre o encaminhamento dos trabalhos. Na prática, porém, a expressão questão de ordem acaba sendo usada para fazer qualquer tipo de interrupção, inclusive manifestação de reparos ou críticas àquele que está com a palavra. Transformou-se, portanto, em mero pretexto para interromper o andamento dos trabalhos. Ninguém reclama da distorção, porque todos a usam.

Habeas corpus é uma locução da língua latina muito usada nos meios jurídicos, particularmente na atualidade, em que há tantas pessoas presas ou sendo julgadas. No latim, significa que tenhas o corpo. Em português, na prática, já se tornou um substantivo composto, pois é empregada precedida de artigo: o habeas corpus. Na prática jurídica, corresponde ao pedido dos advogados de que o acusado aguarde o julgamento em liberdade, mediante fiança, o que, porém, só é permitido por lei em determinados casos.

O termo carta magna, sinônimo de constituição, carta constitucional, lei básica, lei maior, significa o conjunto das leis fundamentais que regem a vida de uma nação. Deve ser estabelecida por uma assembleia constituinte formada pelos representantes de todas as classes da população. Em algumas nações, porém, ditadores impõem, a seu talante, uma constituição forjada por eles mesmos.

Acórdão é o termo usado para designar uma decisão sobre um processo judicial proferida por um tribunal superior. Neste sentido, funciona como paradigma para a solução posterior de casos análogos.

Percebeu? Termos como esses, que antes pareciam confinados ao universo jurídico e político, estão aí na mídia às dezenas aos nossos ouvidos e vistas, em virtude da tecnologia da informação e dos percalços por que passa a vida brasileira na atualidade. É recomendável, portanto, que você dê um pouco mais de importância a eles e pesquise na rede, para estar ainda mais preparado para as questões sobre atualidades em suas provas. Não deixe que sejam familiares somente a candidatos ao curso de Direito ou a profissionais das áreas mencionadas, mas a você também. De repente, numa proposta de redação…