Arquivo de 9 de maio de 2018

A hora das objetivas

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Com a chegada da primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, todas as atenções dos candidatos estão voltadas para o melhor modo de enfrentar as diversas questões, ditas objetivas pelo fato de o estudante ter de marcar respostas previamente apresentadas pela banca elaboradora, sem haver necessidade, portanto, de intervenção estritamente pessoal do candidato, como ocorre com as questões ditas discursivas. Já se parte do princípio de que uma das respostas é a correta e se torna necessário apenas reconhecê-la e marcá-la como tal.

Evidentemente, as questões objetivas não deixam de focalizar aspectos relevantes da subjetividade do candidato, pois é isto, afinal, que está em jogo no processo de análise e escolha das respostas corretas, bem como da avaliação: o grau de conhecimento, a capacidade de análise e de síntese, a capacidade de atenção e até uma certa malícia ao examinar o que se pede na raiz e o que se oferece nas alternativas.

As questões objetivas, deste modo, implicam um tipo específico de abordagem pelo candidato, o que significa uma forma de leitura diferenciada, na qual a atenção é altamente relevante. Ler uma questão objetiva requer o máximo possível de cuidados. Um ligeiro cochilo de leitura pode levar a um lamentável engano. Vale dizer: para questões objetivas, leitura objetiva.

Como o Blogueiro já disse mais de uma vez, uma questão objetiva se apresenta em duas partes perfeitamente entrosadas: um enunciado, também chamado raiz, e um conjunto de respostas possíveis, uma das quais, e apenas uma, é a correta, por entrar em perfeito acordo de forma e significado com a raiz. É esse acordo entre forma e significado que deve ter o candidato em mente ao analisar e responder. Além da correspondência de sentido, a resposta correta apresenta acordo perfeito, sob o ponto de vista sintático, com a raiz. Esta é a melhor pista, sobretudo no caso de discernir, entre duas respostas que parecem corretas, a absolutamente correta. Por isso mesmo, você deve tomar cuidado em não se deixar levar pela aparência de correção, mas pela relação objetiva entre a alternativa e a raiz. Resumindo, de modo um tanto irônico: uma alternativa poder ser até bonitinha, mas, como diz o povo, beleza não põe mesa, isto é, convém observar com precaução a correspondência formal e semântica entre alternativa e raiz para chegar a uma conclusão adequada.

Percebeu? O papel da banca elaboradora é formular cinco respostas (alternativas), sendo quatro erradas e uma certa. Mas não se trata apenas de apresentar uma resposta perfeita e outras cheias de imperfeições para o candidato descobrir com facilidade. Há toda uma técnica de elaboração de questões que permite criar respostas muito parecidas, muito próximas, o que dificulta o trabalho do candidato no processo de “descoberta” da resposta adequada. Já o papel do candidato se situa no sentido inverso: identificar, com base na relação entre raiz e alternativas, qual a que realmente se encaixa.  Esses dois papéis é que sustentam o processo: o trabalho do candidato em analisar e descobrir é o foco da avaliação, pois demonstrará não apenas seu conhecimento, como também sua capacidade em usar esse conhecimento para resolver problemas concretos.

Boa prova!