Arquivo de 10 de abril de 2018

Atualize-se

terça-feira, 10 de abril de 2018

Um dos gêneros cinematográficos mais produtivos hoje em dia é o que tem como elementos centrais os zumbis. Estes, como você sabe, são mortos-vivos, cadáveres ambulantes que vivem a aterrorizar as pessoas para matá-las e também transformá-las em mortos-vivos. Segundo a lenda original do Haiti e de seu sistema de crenças espirituais do vodu, curandeiros conseguiam ressuscitar parcialmente os mortos, para que estes pudessem vingar-se dos vivos que lhes causaram mal. A lenda haitiana ganhou divulgação no mundo todo e foi aos poucos transformada, até chegar ao cinema e se tornar uma espécie de estereótipo para diferentes versões e origens dos zumbis. Atualmente, muitos filmes e séries exploram o tema, que tem milhões de espectadores aficcionados. Como personagens, assim, os zumbis não fazem parte da humanidade, pois ganham existência como monstros assustadores, e não como homens livres e ativos dentro da sociedade.

Pois é. Na própria linguagem a palavra zumbi está também fazendo história, sendo usada metaforicamente, por exemplo, para designar indivíduos alienados, cuja vida se resume a obedecer a ordens superiores, sem questionar a logicidade e o fundamento ético de tais ordens, algo assim, também no cinema, como robôs. A semelhança, de resto, é grande: há filmes de zumbis que poderiam ter robôs como personagens, e vice-versa. Por isso mesmo, não falta quem também use a palavra para designar boa parte da população do planeta, que tem pouca informação e vive sem ter consciência do que ocorre a sua volta.

Interessante! dirá você, e concluirá: Não tenho nada a ver com isso. Meu negócio é fazer vestibular e seguir um curso que me dê uma boa profissão futura. Não preciso saber de nada além disso!

Não se engane. Entre as virtudes que os exames vestibulares verificam nas provas prestadas pelos candidatos, a atualização é uma das mais importantes. O candidato que as universidades procuram não é aquele que revela não saber nada do que acontece no mundo, mas exatamente o contrário. Os temas de redações hoje em dia focalizam assuntos relevantes da sociedade, tanto nacional quanto universal. Já se foi o tempo dos temas abstratos, que permitiam livres voos do espírito e da criatividade. Esta continua sendo necessária, mas focada na realidade. Os próprios textos de questões objetivas ou discursivas se voltam hoje para temas e problemas da atualidade.

A conclusão se torna óbvia, não é? Quem vive uma vida centrada em si mesmo, sem perceber que faz parte da humanidade, dela depende e dela deve participar se torna uma espécie de zumbi social e moral: serve-se da sociedade, mas não serve a ela, não busca conhecer seus problemas. Por isso mesmo, toda a educação hoje remete à participação social, ao conhecimento das necessidades humanas e aos perigos que a civilização acabou trazendo ao planeta. É isso que significa, de fato, estar atualizado: ser um membro ativo da sociedade, ciente de tudo o que esta significa, de sua história, do ponto a que chegou e de como se deve participar para o seu desenvolvimento e a sua preservação.

Essa visão atualizada é um dos principais componentes de vestibulares e concursos de hoje. Quanto aos zumbis de toda espécie e aos robôs, que fiquem nos filmes de ficção como divertimento, não como modelos de conduta.