Arquivo de abril de 2018

Esses você não pode cometer!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Este artigo será repetitivo, para seu próprio interesse. Vamos novamente focalizar alguns erros que não podem, de modo nenhum, acontecer em qualquer ponto de sua prova. Lamentavelmente, em vestibulares e concursos esses erros bobos de ortografia não são raros.

Como você deve saber, há erros e erros, alguns podendo ser até justificados, pela dificuldade; outros, injustificáveis, pela facilidade em não errar. Seus professores tiveram uma luta muito grande para que você e seus colegas se livrassem dessas pragas. Se você não se livrou, não há desculpa: foi por negligência, mesmo, para não dizer coisa pior. Vamos lá, então! Examinemos alguns exemplos para que você se ponha em estado de alerta e dedique uma parte de seus estudos a reconhecê-los e evitá-los.

 

Você tem de escrever análise, analisar; e não análize, analizar.

Você tem de escrever atraso, atrasar; e não atrazo, atrazar.

Você tem de escrever ímã; e não iman.

Você tem de escrever voo, abençoo; e não vôo, abençôo.

Você tem de escrever aerólito; e não aerolito.

Você tem de escrever ideia, epopeia; e não idéia, epopéia.

Você tem de escrever cadeado; e não cadiado.

Você tem de escrever aborígine; e não aborígene.

Você tem de escrever terebintina, e não terebentina.

Você tem de escrever bússola; e não bússula.

Você tem de escrever curinga; e não coringa.

Você tem de escrever estouro; e não estoro.

Você tem de escrever frouxo; e não froxo.

Você tem de escrever tesoura; e não tisora.

Você tem de escrever poupança; e não popança.

Você tem de escrever herege; e não hereje.

Você tem de escrever jiboia; e não giboia.

Você tem de escrever compasso; e não compaço.

Você tem de escrever fascismo; e não facismo.

Você ten de escrever batizar; e não batisar.

 

Observou bem? Viu como é fácil equivocar-se? Então trate de tomar o máximo cuidado. O melhor conselho que o Blogueiro pode dar é que, em cada momento de seus estudos, seja de que disciplina for, quando vier a dúvida, trate de elucidá-la de imediato. Não deixe para depois, que o depois acaba sempre ficando para depois. .         

 

Atualize-se

terça-feira, 10 de abril de 2018

Um dos gêneros cinematográficos mais produtivos hoje em dia é o que tem como elementos centrais os zumbis. Estes, como você sabe, são mortos-vivos, cadáveres ambulantes que vivem a aterrorizar as pessoas para matá-las e também transformá-las em mortos-vivos. Segundo a lenda original do Haiti e de seu sistema de crenças espirituais do vodu, curandeiros conseguiam ressuscitar parcialmente os mortos, para que estes pudessem vingar-se dos vivos que lhes causaram mal. A lenda haitiana ganhou divulgação no mundo todo e foi aos poucos transformada, até chegar ao cinema e se tornar uma espécie de estereótipo para diferentes versões e origens dos zumbis. Atualmente, muitos filmes e séries exploram o tema, que tem milhões de espectadores aficcionados. Como personagens, assim, os zumbis não fazem parte da humanidade, pois ganham existência como monstros assustadores, e não como homens livres e ativos dentro da sociedade.

Pois é. Na própria linguagem a palavra zumbi está também fazendo história, sendo usada metaforicamente, por exemplo, para designar indivíduos alienados, cuja vida se resume a obedecer a ordens superiores, sem questionar a logicidade e o fundamento ético de tais ordens, algo assim, também no cinema, como robôs. A semelhança, de resto, é grande: há filmes de zumbis que poderiam ter robôs como personagens, e vice-versa. Por isso mesmo, não falta quem também use a palavra para designar boa parte da população do planeta, que tem pouca informação e vive sem ter consciência do que ocorre a sua volta.

Interessante! dirá você, e concluirá: Não tenho nada a ver com isso. Meu negócio é fazer vestibular e seguir um curso que me dê uma boa profissão futura. Não preciso saber de nada além disso!

Não se engane. Entre as virtudes que os exames vestibulares verificam nas provas prestadas pelos candidatos, a atualização é uma das mais importantes. O candidato que as universidades procuram não é aquele que revela não saber nada do que acontece no mundo, mas exatamente o contrário. Os temas de redações hoje em dia focalizam assuntos relevantes da sociedade, tanto nacional quanto universal. Já se foi o tempo dos temas abstratos, que permitiam livres voos do espírito e da criatividade. Esta continua sendo necessária, mas focada na realidade. Os próprios textos de questões objetivas ou discursivas se voltam hoje para temas e problemas da atualidade.

A conclusão se torna óbvia, não é? Quem vive uma vida centrada em si mesmo, sem perceber que faz parte da humanidade, dela depende e dela deve participar se torna uma espécie de zumbi social e moral: serve-se da sociedade, mas não serve a ela, não busca conhecer seus problemas. Por isso mesmo, toda a educação hoje remete à participação social, ao conhecimento das necessidades humanas e aos perigos que a civilização acabou trazendo ao planeta. É isso que significa, de fato, estar atualizado: ser um membro ativo da sociedade, ciente de tudo o que esta significa, de sua história, do ponto a que chegou e de como se deve participar para o seu desenvolvimento e a sua preservação.

Essa visão atualizada é um dos principais componentes de vestibulares e concursos de hoje. Quanto aos zumbis de toda espécie e aos robôs, que fiquem nos filmes de ficção como divertimento, não como modelos de conduta.

 

Você fala, sim, mas não escreve, certo?

terça-feira, 3 de abril de 2018

Talvez não seja o seu caso, mas sempre é bom prestar atenção a uma diferença importante entre o discurso falado e o discurso escrito. Por quê? Porque isso pode ser importantíssimo para sua redação e, mesmo, para a leitura dos enunciados das questões. Alguns estudantes creem que  a escrita é apenas transcrição da fala. Nada disso. Estão equivocados. Quando começamos a escrever, penetramos num mundo novo, com suas próprias características, embora a língua utilizada seja a mesma que preside a nossa fala.

Quer observar um exemplo bem simples? O pronome pessoal do caso reto “nós”. Na fala, muitas vezes pronunciamos nós, mas por outras também pronunciamos nóis, e ninguém repara, porque o discurso oral é menos tenso. Todavia, nas respostas a questões discursivas ou na redação jamais deveremos escrever nóis, mas sempre e apenas nós. Em certas regiões do país, algumas vezes o artigo definido “os” é pronunciado ois. Essa pronúncia por vezes invade até os meios de comunicações. O Blogueiro lembra de uma série de tevê, cujo apresentador dizia, logo no começo, Ois intocáveis. E ninguém reparava, a não ser os professores de português. Isso não quer dizer que em documentos, contratos, correspondência oficial e comercial se possa escrever ois. Não se pode, não. O mesmo ocorre com outras palavras. Os estudantes, muitas vezes, dizem Vou fazer hoje uma prova de portugueis. É claro que, na prova, escreverão português. Fato semelhante ocorre com palavras como arroz, propôs, após, etc.

O caso dos verbos na terceira pessoa do plural é também sintomático, porque a escrita não condiz nunca com a fala. Ao dizermos Eles andam, não pronunciamos a última sílaba apenas como um “a” nasal, mas como um ditongo nasal: ão. Os professores da primeira série do ensino fundamental sofrem verdadeiramente para fazer com que os alunos entendam que existe nesses casos uma diferença entre fala e escrita. O mesmo ocorre com a terminação –em num exemplo como Quero que eles contem.

O problema se torna mais perigoso com palavras como inebriante, inelegível, insinuar, que algumas pessoas costumam pronunciar: enebriante, enelegível, ensinuar. Você pode eventualmente até pronunciar assim, mas jamais escrever com e inicial.

Aqui chegamos a um ponto que merece ainda mais cuidado, o de certos encontros vocálicos que, na pronúncia corriqueira, mesmo no discurso formal, aparecem diferenciados da escrita. Você por certo pronuncia, como todos nós, rítimo, embora a escrita aceite apenas ritmo. O mesmo vale para palavras como admirar, psicologia, advogado, observar, abjeto, objeto, objetivo, etc., que muitas pessoas (por vezes até mesmo nós) pronunciam: adimirar, pissicologia, adivogado ou adevogado, obisservar, abijeto, obijeto, obijetivo. É curioso, aliás, notar que o povo mais humilde costuma dizer Hoje vou lá no meu devogado, levando, portanto, a modificação oral um pouco mais longe.

Percebeu a necessidade de ficar de olho no que escreve, para não incorrer num desses deslizes de transferir a pronúncia erradamente para a escrita? É o que o Blogueiro queria alertar neste artigo.