Arquivo de 6 de março de 2018

Olhe esse subjuntivo, meu amigo!

terça-feira, 6 de março de 2018

Muitos alunos costumam reclamar da insistência dos professores no estudo das conjugações verbais. Afinal, dizem eles, para que tanto verbo? Eu não preciso disso!

Precisa, sim, e muito. Você não estuda conjugação de verbos por estudar, mas para saber quais formas apresentam quando se torna necessário empregá-los numa frase. Observe as frases seguintes:

 

Não acredito que ele traz o dinheiro hoje.

Não espero que ele bate o sino todos os dias.

 

É claro que você percebeu que o escritor se equivocou e empregou os verbos no modo indicativo, quando se impõe o subjuntivo nas duas orações subordinadas. O emprego dos verbos no modo indicativo nessas duas frases gera um sentido duvidoso, quase absurdo. O indicativo aponta para uma ação efetiva, o que não corresponde ao pretendido nos dois exemplos. Examine agora as duas frases com os verbos no modo subjuntivo:

 

Não acredito que ele traga  o dinheiro hoje

Não espero que ele bata o sino todos os dias.

 

Notou a diferença? As duas frases agora ganharam sentido pleno e adequado, sem qualquer possibilidade de confusão semântica. Não custa, portanto, lembrar o que seus professores ensinaram, insistentemente, ou seja, os verbos no modo indicativo, trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem; bato, bates, bate, batemos, bateis, batem, e no modo subjuntivo: traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam; bata, batas, bata, batamos, batais, batam.

O Blogueiro anota que é costume, hoje, levar os alunos a memorizarem as conjugações de verbos tal como foi feito no parágrafo anterior, apenas com as formas verbais. Com base nas gramáticas e manuais antigos, os professores levavam os alunos a memorizar a conjugação dos verbos com o emprego também das conjunções e pronomes: que eu traga, que tu tragas, que ele traga, que nós tragamos, que vós tragais, que eles tragam; que eu bata, que tu batas, que ele bata, que nós batamos, que vós batais, que eles batam. Este modo, que alguns hoje consideram ultrapassado, na verdade acostumava o aluno a perceber que o subjuntivo costuma aparecer em orações subordinadas, precedidas de conjunção. Atente agora para o pretérito imperfeito do subjuntivo dos mesmos verbos, tal como os antigos professores (e muitos até hoje) ensinavam: se eu trouxesse, se tu trouxesses, se ele trouxesse, se nós trouxéssemos, se vós trouxésseis, se eles trouxessem; se eu batesse, se tu batesses, se ele batesse, se nós batêssesmos, se vós batêsseis, se eles batessem.

Percebeu? Tome cuidado, então, em não trocar o subjuntivo pelo indicativo, produzindo frases com sentidos por vezes absurdos. Vale a pena fazer uma boa revisão em seus textos para verificar se não anda se equivocando. Sua redação vai evitar muitos erros. E vamos terminar insistindo em alguns exemplos:

 

Talvez o cometa apareça no sábado. (Verbo no presente do subjuntivo).

Se eu contasse que vi o alienígena, seria considerado louco. (Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo)

Quando meu amigo fizer dezoito anos, receberá uma grande herança. (Futuro do subjuntivo).

 

Valeu? Então faça uma visitinha a uma gramática para estudar o “emprego do modo subjuntivo”. Agora valeu mesmo!