Arquivo de março de 2018

Um por todos e todos por um

terça-feira, 27 de março de 2018

Você por certo já se fez esta pergunta: Afinal, por que mesmo vou fazer um curso universitário? A resposta não é tão simples como parece. Envolvidos, nos tempos atuais, pela preocupação com trabalho e remuneração, tendemos a dizer que fazemos um curso universitário para, no futuro, ter bom emprego com ótimo salário. Neste caso, a escolha do curso universitário está subordinada, entre outros, a tal critério.

Bill Gates, o criador do sistema operacional Windows, hoje um bilionário norte-americano, disse em recente entrevista, nessa linha de pensamento, que as melhores áreas, por serem as que oferecem e oferecerão mais empregos, e bons empregos, são a programação, a ciência, a biologia avançada e a das inovações no setor de energia, porque serão estas áreas as maiores fontes de mudança nos próximos anos. Mudanças geram empregos bem remunerados.

Evidentemente, Gates estava pensando em termos de Estados Unidos e países mais avançados atualmente em ciência, tecnologia, indústria e comércio. Embora o que diz possa servir também a nós, brasileiros, talvez as palavras do bem sucedido empresário devam ser entendidas com algumas reservas. Antes de mais nada, devemos nos perguntar se um curso universitário é apenas isso mesmo, um trampolim para um futuro emprego bem sucedido, uma ferramenta adequada para ingressar e agir com sucesso no mercado de trabalho.

Seria apenas isso? O Blogueiro acredita que não. É evidente que pensamos, ao escolher um curso, numa carreira de sucesso. Mas fazemos o curso apenas por isso e para isso? Claro que não. Nossa escolha também tem muito de preferência pessoal, de opção marcada por afetividade, pelo prazer de estudar numa área que  sentimos como “nossa” área. Em resumo: estudar, além de uma necessidade, é um prazer, uma satisfação pessoal

Por isso, é claro que vale a pena analisar as áreas que, em nosso país, mais se desenvolverão proximamente e oferecerão mais empregos. Mas isso não é uma escolha cega, fria, de puro raciocínio. Tem muito a ver também com o que queremos para o nosso país e nossa satisfação em nela estudar e trabalhar. De fato, não somos bando de indivíduos, cada qual pensando em si mesmo, mas, ao contrário, somos uma sociedade, uma comunidade, cujos valores coletivos assumimos conscientemente. Por isso, se é possível estudar medicina para ter uma carreira de sucesso profissional e financeiro, é também possível estudar medicina com o objetivo de cuidar de pessoas necessistadas, quer na orla das grandes cidades, quer nas regiões desassistidas do interior do país. E se é possível estudar biologia para obter sucesso e fama como pesquisador no país e no mundo, também é possível estudar biologia com vistas a obter soluções para curar doenças que afligem grande parte da população mundial, sem desejo imediato de glória ou de fama. Tudo isso vale, como vale também se alguém escolher seu curso apenas pelo puro prazer de estudar e aprender, deixando seu futuro para acontecer no futuro.

Pense bem nestes comentários e exemplos, no momento de escolher as áreas em que prestará seu vestibular. Não se deixe iludir na escolha do curso pelos valores mercadológicos que hoje parecem dominar a população estudante do mundo inteiro. Pense em si mesmo e pense nos outros, como um ser ao mesmo tempo individual e coletivo, destacando não apenas a busca de satisfação pessoal em sua atividade futura, mas também o interesse de todos os brasileiros e de todas as pessoas do mundo. O conhecido lema da lenda dos três mosqueteiros, eliminado o aspecto bélico, cabe muito bem nessa ordem de pensamento: Um por todos e todos por um. Só assim conseguiremos fazer deste mundo um bom lugar para viver, para todos viverem. Pense nisso.

 

Você é uma “pessoa articulada?”

quinta-feira, 15 de março de 2018

A expressão “pessoa articulada” vem apresentando bastante emprego na atualidade. É comum ouvirmos frases como Fulano de tal é uma pessoa articulada. Talvez nós mesmos a empreguemos em circunstâncias semelhantes, com referência a nossos amigos, nossos alunos e até mesmo nossos colegas de trabalho. Ora¸ muitas vezes, quando algum interlocutor nos pede para explicarmos melhor uma palavra ou expressão que usamos, acabamos ficando meio sem jeito, tendo até dificuldade de esclarecer de pronto o que acabamos de dizer. Afinal, o que é mesmo uma pessoa articulada?

Visitar o dicionário nessas horas pode até ajudar, mas nem sempre, já que alguns dicionários não costumam sequer focalizar expressões como essa. Um passeio pela internet, utilizando um bom programa buscador pode ajudar muito mais, já que outras pessoas tiveram a mesma dúvida e colocaram em rede as soluções obtidas. Com base no que apuraram, acabamos resolvendo nossa dúvida e nos colocamos em condições de explicar os empregos que nós mesmos costumamos fazer, um tanto automaticamente, da expressão mencionada.

Quando alguém diz que Fulano de Tal é uma “pessoa articulada”, quer significar, em primeiro lugar, que é uma pessoa que se expressa com segurança, com clareza, com conhecimento de causa. Estes significados positivos implicam, por oposição, que não é uma pessoa que fala atrapalhadamente, que se expressa mal, que não consegue transmitir com adequação o que está pensando, se é que está pensando adequadamente sobre o tema da conversa. Uma pessoa articulada sabe falar com eficácia, encaixar com precisão as palavras nas frases que emite, levando seu interlocutor a não ter nenhuma dúvida sobre a mensagem transmitida. É muito agradável  por isso dialogar com ela.

Evidentemente, expressar-se bem, articuladamente, com desembaraço, não quer dizer apenas habilidade de falar, mas ter conhecimentos sobre o que fala e ter experiência do modo de se expressar na situação em que se encontra. Mais que um dom, portanto, ser articulado é um conjunto de conhecimentos e experiências que precedem o ato de comunicação, a participação num diálogo, numa equipe de trabalho, num debate. Não sendo um dom, é algo que pode ser conquistado ao longo do tempo por qualquer pessoa.

Chegados a este ponto, o Blogueiro coloca para você o objetivo desta pequena dissertação sobre o assunto, perguntando: Você é uma pessoa articulada? E você poderá contra-argumentar: Mas é tão necessário assim ser uma pessoa articulada?

Claro que é. Pense no seu caso, no vestibular que em breve fará. Você não falará com ninguém, porque não há prova oral, mas deverá expressar-se o tempo todo com desenvoltura, em especial nas questões discursivas e na redação. As questões discursivas são uma espécie de diálogo, em que a banca envia a você uma mensagem e você deve enviar a sua mensagem em resposta. E esta deve mostrar que você é um candidato articulado, capaz de expressar-se com precisão e clareza.

Nem é preciso falar no desempenho oposto, desarticulado, não é verdade? Não é raro um candidato conhecer a resposta correta de uma questão e, no entanto, expressar-se tão atrapalhadamente que o corretor não pode descobrir se houve acerto ou erro.

Valeu a explicação? Então trate, a partir de agora, de apresentar um desempenho mais claro, mais desenvolto, tanto em sua expressão oral, quanto escrita. De resto, sendo uma pessoa assim, desembaraçada, você poderá aproveitar muito melhor os conhecimentos que lhe serão ministrados quando estiver fazendo seu curso universitário. Nos seus trabalhos futuros, não bastará ser apenas um profissional, mas, sobretudo, um profissional articulado.

 

Estudo em grupo: vale a pena?

terça-feira, 13 de março de 2018

Desde que começamos a ir à escola, nossos professores nos fizeram tomar consciência de que muitas tarefas só podiam ser realizadas em grupos. No ensino fundamental, os trabalhos em grupo foram frequentes, e o objetivo não era apenas o estudo, mas a convivência, a percepção de que existiam outras pessoas e podíamos realizar tarefas e estudos mais facilmente com a ajuda de todos. E o grande objetivo: a socialização, a nossa preparação para viver e trabalhar em sociedade. Fomos descobrindo, assim, que não vivíamos em isolamento e que o mundo não se resumia a nossa família, mas era ele, inteiramente, a  nossa família.

É claro que essa experiência de conviver em grupos nem sempre foi por nós perfeitamente entendida. Algumas vezes os integrantes de um grupo o usaram para isolar colegas, até mesmo para perturbá-los psicologicamente, em prática característica de bullying. Mas a escola, aos poucos, foi nos ensinando que tais práticas estavam erradas, que a experiência grupal devia ser algo positivo para todos. Acabamos aprendendo. E hoje temos até saudades daquelas atividades.

Quando terminamos o ensino médio e iniciamos nossa preparação para prestar vestibulares, acabamos por nos sentir incomodados ao perceber que estamos curtindo uma solidão em meio a livros, apostilas, anotações, internet, sites, etc. etc. É aí que a saudade dói mesmo: como era bom o tempo da escola, sentindo os professores em luta permanente para aprendermos, participando de atividades em conjunto com grupos de colegas e, por vezes, com todos os colegas ao mesmo tempo!

E agora? Que fazer?

Ora, praticar o que aprendemos na escola: a vida dos homens no planeta é uma grande e vasta atividade grupal. Ninguém está realmente só. Tudo é coparticipação. Precisamos ficar sós em muitos momentos de estudo para prestar vestibulares? Sim, é claro. Podemos, porém, fixar momentos que, de certo modo, recuperam o que vivíamos nos ensinos fundamental e médio: estudar em grupo. E não precisam ser gênios os membros do grupo. É bom até que alguns tenham dificuldades, pois as dificuldades alheias podem nos fazer enxergar melhor certos pontos da matéria. Todos os professores sabem bem que muitas vezes se aprende ensinando.

A constituição de um grupo, além de permitir que aprendamos mais, nos ajuda psicologicamente: percebemos que os outros têm problemas semelhantes aos nossos, solidão, receios, ansiedade. É claro que não é uma panaceia (remédio ou solução para todos os males e problemas), mas pode ajudar em muito. Ter encontros semanais para estudos em grupo representa mais um fator  para melhorar conhecimentos.

É isso aí. Respondendo a pergunta do título deste artigo: Vale a pena o estudo em grupo? Vale, sim. Nos bancos da universidade você continuará fazendo isso. E na vida profissional não será muito diferente.

 

 

Olhe esse subjuntivo, meu amigo!

terça-feira, 6 de março de 2018

Muitos alunos costumam reclamar da insistência dos professores no estudo das conjugações verbais. Afinal, dizem eles, para que tanto verbo? Eu não preciso disso!

Precisa, sim, e muito. Você não estuda conjugação de verbos por estudar, mas para saber quais formas apresentam quando se torna necessário empregá-los numa frase. Observe as frases seguintes:

 

Não acredito que ele traz o dinheiro hoje.

Não espero que ele bate o sino todos os dias.

 

É claro que você percebeu que o escritor se equivocou e empregou os verbos no modo indicativo, quando se impõe o subjuntivo nas duas orações subordinadas. O emprego dos verbos no modo indicativo nessas duas frases gera um sentido duvidoso, quase absurdo. O indicativo aponta para uma ação efetiva, o que não corresponde ao pretendido nos dois exemplos. Examine agora as duas frases com os verbos no modo subjuntivo:

 

Não acredito que ele traga  o dinheiro hoje

Não espero que ele bata o sino todos os dias.

 

Notou a diferença? As duas frases agora ganharam sentido pleno e adequado, sem qualquer possibilidade de confusão semântica. Não custa, portanto, lembrar o que seus professores ensinaram, insistentemente, ou seja, os verbos no modo indicativo, trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem; bato, bates, bate, batemos, bateis, batem, e no modo subjuntivo: traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam; bata, batas, bata, batamos, batais, batam.

O Blogueiro anota que é costume, hoje, levar os alunos a memorizarem as conjugações de verbos tal como foi feito no parágrafo anterior, apenas com as formas verbais. Com base nas gramáticas e manuais antigos, os professores levavam os alunos a memorizar a conjugação dos verbos com o emprego também das conjunções e pronomes: que eu traga, que tu tragas, que ele traga, que nós tragamos, que vós tragais, que eles tragam; que eu bata, que tu batas, que ele bata, que nós batamos, que vós batais, que eles batam. Este modo, que alguns hoje consideram ultrapassado, na verdade acostumava o aluno a perceber que o subjuntivo costuma aparecer em orações subordinadas, precedidas de conjunção. Atente agora para o pretérito imperfeito do subjuntivo dos mesmos verbos, tal como os antigos professores (e muitos até hoje) ensinavam: se eu trouxesse, se tu trouxesses, se ele trouxesse, se nós trouxéssemos, se vós trouxésseis, se eles trouxessem; se eu batesse, se tu batesses, se ele batesse, se nós batêssesmos, se vós batêsseis, se eles batessem.

Percebeu? Tome cuidado, então, em não trocar o subjuntivo pelo indicativo, produzindo frases com sentidos por vezes absurdos. Vale a pena fazer uma boa revisão em seus textos para verificar se não anda se equivocando. Sua redação vai evitar muitos erros. E vamos terminar insistindo em alguns exemplos:

 

Talvez o cometa apareça no sábado. (Verbo no presente do subjuntivo).

Se eu contasse que vi o alienígena, seria considerado louco. (Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo)

Quando meu amigo fizer dezoito anos, receberá uma grande herança. (Futuro do subjuntivo).

 

Valeu? Então faça uma visitinha a uma gramática para estudar o “emprego do modo subjuntivo”. Agora valeu mesmo!