Arquivo de 14 de dezembro de 2017

Na hora “h” evite os coloquialismos ridículos

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Agora que a prova está aí, um último conselho: evite o emprego de certos vocábulos e expressões que, embora aceitos no discurso oral e familiar, geram modos de dizer um tanto ridículos quando transplantados para o discurso formal.  Isso deve ser feito em todas as respostas discursivas e na redação.

Uma dessas besteirinhas é representada pela palavra tipo. Você com certeza já ouviu falarem assim: Estou dizendo que minha colega é tipo assim uma imitação desastrada de Barbie.

Na oralidade, esse emprego de tipo como comparativo está muito disseminado. As pessoas nem notam mais que estão falando assim. O problema é empregar em discurso escrito, especialmente em resposta discursiva de prova ou redação de vestibular. Nesses casos, o discurso deve ser formal, obediente à norma-padrão. “Tipo assim” é um uso que podemos considerar, com o povo, um tanto brega. E não apenas isso, mas também vulgar e ignorante. Muito melhor seria falar ou escrever, simplesmente: Estou dizendo que minha colega é como uma imitação desastrada de Barbie. Nada de tipo assim em seu discurso escrito, certo?

Outro mau uso diz respeito a por causa que ou por causo que: Eu atirei o lápis pela janela por causa que meu colega me irritou. Ora, ora, também é irritante para qualquer professor de português deparar-se com esse uso, quando a forma correta e simples é porque: Eu atirei o lápis pela janela, porque meu colega me irritou. Não é muito mais simples? Então, nada de por causa que em suas provas, certo?

Pior ainda é o uso de coisa. No discurso oral, vez por outra, quando esquecemos o nome de uma pessoa, acabamos dizendo o coisa. Meu irmão encontrou o coisa lá na estação de trem. Horrível, não é. No discurso escrito, jamais faça isso. Há mil maneiras de dizer o mesmo de modo correto e elegante: Meu irmão encontrou o rapaz lá na estação de trem. Ou: Meu irmão encontrou essa pessoa lá na estação de trem. Deste modo, cuidado, muito cuidado como esse coisa, que pode ser uma coisa bem ruim para sua prova, certo?

Outro uso equivocado, finalmente, é a forma verbal pegou para indicar a sequência de uma estória. No discurso oral, ainda vá: Ela pegou e começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. No discurso escrito, porém, há formas e formas de evitar esse equívoco, inclusive com a própria supressão da palavra: Ela começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. Por isso mesmo, ao responder a questões discursivas ou a escrever sua redação, não pegue nada: simplesmente escreva de modo o mais claro possível.

Um conselho final: crie frases com essas palavras equivocadas e, em seguida, faça você mesmo a correção. Será um bom modo de preparar-se para não embarcar no verdadeiro “besteirol” que tais usos acabam criando em nossos textos.