Arquivo de 8 de dezembro de 2017

Questões discursivas: respostas discursivas

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Você já refletiu bastante sobre as chamadas questões discursivas? Bom, questão é o mesmo que “pergunta”; e discursiva quer dizer por meio de discurso. Por isso mesmo, resposta corresponde a questão, assim como discursiva significa por meio de discurso. Vale dizer: as questões discursivas não apresentam resposta a escolher por meio de alternativas, como nas questões objetivas da primeira parte do vestibular, mas têm de ser elaboradas por meio de um discurso, um texto. Sua resposta, no caso, é um pequeno texto.

Observe que nas questões de matemática e física você tem de fazer uma demonstração, por meio de cálculos que solucionem a questão proposta. Já nas provas discursivas de língua, literatura, artes, história, geografia, ciências e filosofia, por exemplo,  as respostas são apresentadas por meio de pequenos textos, formadas por um ou dois parágrafos.

Uma resposta discursiva, assim, desenvolve um tema, representado pela solução da questão proposta, que você tem de desenvolver e demonstrar. Parece óbvio, não parece? Sim, mas por vezes o óbvio é que pode atrapalhar, caso você esqueça que sua resposta está sendo alimentada por esse tema, que é a solução da questão. Por isso mesmo, é muito fácil perder-se na obviedade e acabar respondendo o que a questão não propõe, isto é, não pergunta.

Imagine que uma questão de história solicite que você verifique, num texto dado como base, o posicionamento do autor sobre o descobrimento do Brasil. O autor, um historiador português, afirma que o Brasil foi descoberto, de fato, um pouco antes, e que Cabral veio apenas sacramentar a descoberta pelo reino de Portugal. Imagine que alguém respondeu assim: Não, o Brasil foi realmente descoberto por Pedro Álvares Cabral. Notou como o óbvio pode atrapalhar e fazê-lo errar a resposta? Na verdade, quem respondeu desse jeito deu a sua opinião, embora a questão tenha solicitado verificar no texto a opinião do autor. Percebeu? Não foi pedida a opinião do candidato, mas a do autor do texto. Uma questão óbvia, deste modo, pode levar a um erro crasso, pela não observância da perspectiva solicitada pelo enunciado da questão. O verdadeiro tema da resposta, nesse caso, foi perdido pelo candidato.

Que conclusões tirar a esse respeito? A primeira é acabar com a impressão de que as questões discursivas são mais fáceis que as objetivas. O fato de poder apresentar a própria resposta não representa nenhuma vantagem a esse respeito. A segunda é verificar, com muita atenção, o que o enunciado da questão está realmente pedindo, que constituirá a base de sua resposta. A terceira é que as questões aparentemente mais fáceis são as mais perigosas, sendo necessário lê-las com atenção e repetir a leitura, para ter certeza do que estão realmente solicitando como resposta.

E nunca esqueça: escrita a resposta, não custa conferir, lendo atentamente, como se fosse membro da banca corretora, para ter certeza de que sua resposta corresponde perfeitamente ao que foi proposto no enunciado da questão.

Reflita bastante sobre o que foi dito. E bom discurso!