Archive for December, 2017

Agora é aguardar 2 de fevereiro

Thursday, December 21st, 2017

Você com toda a certeza teve ótimo desempenho na segunda fase do Vestibular Unesp. As questões não foram complicadas e o tema da redação permitiu que você pudesse desenvolver e argumentar a contento. Como os professores especialistas e os próprios candidatos afirmaram aos jornais, o Vestibular Unesp seguiu a tradição com uma prova bem ponderada, questões equilibradas e sem nenhuma das pegadinhas que tanto irritam vestibulandos no momento do exame.

A Unesp, de fato, tem há muito tempo bem delineado o perfil de candidato que pretende para seus cursos, e as provas, neste sentido, procuram concretizar essa busca.  Um bom vestibular não é uma coleção de questões impossíveis de resolver, nem tampouco uma série de pegadinhas para iludir o candidato, mas, ao contrário, um conjunto coerente e moderado de questões que têm por objetivo verificar o que o candidato sabe, e não o que não sabe. A Unesp  busca sempre encontrar a medida ideal em termos de questões para que o candidato possa comprovar seu preparo e sua efetiva formação ao pleitear uma vaga em curso da Universidade. Um vestibular assim concebido se torna realmente avaliação.

Durante o ano todo este Blogue procurou aconselhar o candidato justamente para enfrentar, com muita calma e ponderação, as questões propostas no Vestibular Unesp. E você, com certeza, soube entender as colocações feitas pelo Blogueiro para evitar aqueles cochilos banais que podem comprometer o resultado final obtido. Uma classificação pode ser decidida pela inexistência desses perigosos e prejudiciais errinhos.

Examinando agora todos os itens e aspectos que compuseram as provas, o Blogueiro ficou bastante satisfeito por haver percebido que, se o candidato realmente seguiu os alertas e conselhos apresentados, deve ter feito uma prova tranquila e segura. A mesma satisfação vale para a proposta de redação. Quem se preparou conforme os avisos apresentados, com toda a certeza teve um bom desempenho, sem maiores deslizes. Um bom texto, desta sorte, surge em primeiro lugar do entendimento pleno da proposta de redação; em segundo, do conhecimento preciso do tema; em terceiro, do exercício constante, praticamente diário, de escrever com toda a atenção, para evitar lapsos de ortografia, “escorregões” de coesão textual e, sobretudo, de lacunas na argumentação. Uma boa conclusão é aquela que fecha com coerência o que foi manifestado no início do texto.

Por todos esses motivos, você tem certeza de haver realizado uma ótima prova, como resultado de anos de esforço e concentração em seus estudos. Agora só resta aguardar o resultado, relaxar bastante e aproveitar com descontração as festas de final e começo de anos, com a confiança na futura classificação. Feliz 2018. Feliz dia 2 de fevereiro. Boa matrícula. E melhor curso ainda na Unesp, que é uma das principais universidades do Brasil.

 

 

 

 

 

Na hora “h” evite os coloquialismos ridículos

Thursday, December 14th, 2017

Agora que a prova está aí, um último conselho: evite o emprego de certos vocábulos e expressões que, embora aceitos no discurso oral e familiar, geram modos de dizer um tanto ridículos quando transplantados para o discurso formal.  Isso deve ser feito em todas as respostas discursivas e na redação.

Uma dessas besteirinhas é representada pela palavra tipo. Você com certeza já ouviu falarem assim: Estou dizendo que minha colega é tipo assim uma imitação desastrada de Barbie.

Na oralidade, esse emprego de tipo como comparativo está muito disseminado. As pessoas nem notam mais que estão falando assim. O problema é empregar em discurso escrito, especialmente em resposta discursiva de prova ou redação de vestibular. Nesses casos, o discurso deve ser formal, obediente à norma-padrão. “Tipo assim” é um uso que podemos considerar, com o povo, um tanto brega. E não apenas isso, mas também vulgar e ignorante. Muito melhor seria falar ou escrever, simplesmente: Estou dizendo que minha colega é como uma imitação desastrada de Barbie. Nada de tipo assim em seu discurso escrito, certo?

Outro mau uso diz respeito a por causa que ou por causo que: Eu atirei o lápis pela janela por causa que meu colega me irritou. Ora, ora, também é irritante para qualquer professor de português deparar-se com esse uso, quando a forma correta e simples é porque: Eu atirei o lápis pela janela, porque meu colega me irritou. Não é muito mais simples? Então, nada de por causa que em suas provas, certo?

Pior ainda é o uso de coisa. No discurso oral, vez por outra, quando esquecemos o nome de uma pessoa, acabamos dizendo o coisa. Meu irmão encontrou o coisa lá na estação de trem. Horrível, não é. No discurso escrito, jamais faça isso. Há mil maneiras de dizer o mesmo de modo correto e elegante: Meu irmão encontrou o rapaz lá na estação de trem. Ou: Meu irmão encontrou essa pessoa lá na estação de trem. Deste modo, cuidado, muito cuidado como esse coisa, que pode ser uma coisa bem ruim para sua prova, certo?

Outro uso equivocado, finalmente, é a forma verbal pegou para indicar a sequência de uma estória. No discurso oral, ainda vá: Ela pegou e começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. No discurso escrito, porém, há formas e formas de evitar esse equívoco, inclusive com a própria supressão da palavra: Ela começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. Por isso mesmo, ao responder a questões discursivas ou a escrever sua redação, não pegue nada: simplesmente escreva de modo o mais claro possível.

Um conselho final: crie frases com essas palavras equivocadas e, em seguida, faça você mesmo a correção. Será um bom modo de preparar-se para não embarcar no verdadeiro “besteirol” que tais usos acabam criando em nossos textos.

 

Questões discursivas: respostas discursivas

Friday, December 8th, 2017

Você já refletiu bastante sobre as chamadas questões discursivas? Bom, questão é o mesmo que “pergunta”; e discursiva quer dizer por meio de discurso. Por isso mesmo, resposta corresponde a questão, assim como discursiva significa por meio de discurso. Vale dizer: as questões discursivas não apresentam resposta a escolher por meio de alternativas, como nas questões objetivas da primeira parte do vestibular, mas têm de ser elaboradas por meio de um discurso, um texto. Sua resposta, no caso, é um pequeno texto.

Observe que nas questões de matemática e física você tem de fazer uma demonstração, por meio de cálculos que solucionem a questão proposta. Já nas provas discursivas de língua, literatura, artes, história, geografia, ciências e filosofia, por exemplo,  as respostas são apresentadas por meio de pequenos textos, formadas por um ou dois parágrafos.

Uma resposta discursiva, assim, desenvolve um tema, representado pela solução da questão proposta, que você tem de desenvolver e demonstrar. Parece óbvio, não parece? Sim, mas por vezes o óbvio é que pode atrapalhar, caso você esqueça que sua resposta está sendo alimentada por esse tema, que é a solução da questão. Por isso mesmo, é muito fácil perder-se na obviedade e acabar respondendo o que a questão não propõe, isto é, não pergunta.

Imagine que uma questão de história solicite que você verifique, num texto dado como base, o posicionamento do autor sobre o descobrimento do Brasil. O autor, um historiador português, afirma que o Brasil foi descoberto, de fato, um pouco antes, e que Cabral veio apenas sacramentar a descoberta pelo reino de Portugal. Imagine que alguém respondeu assim: Não, o Brasil foi realmente descoberto por Pedro Álvares Cabral. Notou como o óbvio pode atrapalhar e fazê-lo errar a resposta? Na verdade, quem respondeu desse jeito deu a sua opinião, embora a questão tenha solicitado verificar no texto a opinião do autor. Percebeu? Não foi pedida a opinião do candidato, mas a do autor do texto. Uma questão óbvia, deste modo, pode levar a um erro crasso, pela não observância da perspectiva solicitada pelo enunciado da questão. O verdadeiro tema da resposta, nesse caso, foi perdido pelo candidato.

Que conclusões tirar a esse respeito? A primeira é acabar com a impressão de que as questões discursivas são mais fáceis que as objetivas. O fato de poder apresentar a própria resposta não representa nenhuma vantagem a esse respeito. A segunda é verificar, com muita atenção, o que o enunciado da questão está realmente pedindo, que constituirá a base de sua resposta. A terceira é que as questões aparentemente mais fáceis são as mais perigosas, sendo necessário lê-las com atenção e repetir a leitura, para ter certeza do que estão realmente solicitando como resposta.

E nunca esqueça: escrita a resposta, não custa conferir, lendo atentamente, como se fosse membro da banca corretora, para ter certeza de que sua resposta corresponde perfeitamente ao que foi proposto no enunciado da questão.

Reflita bastante sobre o que foi dito. E bom discurso!