Archive for October, 2017

Evasão universitária: algo para você pensar

Friday, October 27th, 2017

Você por certo sabe o que é evasão escolar: é o nome que se dá ao fato de estudantes que iniciam cursos, em qualquer nível, desistirem antes de formar-se, quer por necessidade, quer por decisão pessoal. No caso dos ensinos fundamental e médio, a evasão escolar é muito preocupante, pois significa que crianças e jovens crescerão sem a formação escolar necessária para a ascensão social e profissional em suas vidas.

A evasão, porém, atinge igualmente o ensino superior: jovens que conseguiram aprovação em vestibulares para os tão sonhados cursos acabam desistindo, muitas vezes ainda nos primeiros anos, de modo que o número dos que completam os cursos acaba sendo inferior — em alguns casos bem inferior — aos que iniciaram.

Mas afinal, pensará você, o que é que eu tenho a ver com isso, senhor Blogueiro, se sou apenas um candidato ainda? Na verdade, esse assunto deve interessá-lo, e muito, como base para suas reflexões sobre o que pretende ao prestar o vestibular. Pense bem: por que será que o índice de evasão universitária, mesmo nas universidades públicas é tão alto, muitas vezes beirando os 20%? Os estudos a respeito revelam que os estudantes desistentes apontam muitos motivos para abandonar os cursos que iniciaram: falta de conhecimento prévio a respeito do curso escolhido, dificuldade das aulas, pouca diversidade das grades curriculares, falta de didática de alguns professores, falta de segurança nas cidades em que se localizam as unidades universitárias, falta de infraestrutura, falta de apoio sob forma de bolsas para estudantes que necessitam, etc., etc.

Está percebendo agora como esta questão lhe interessa mesmo neste momento? Os motivos apontados devem interessá-lo e muito, pois poderá ocorrer que você se veja, quando na universidade, naquelas condições apontadas. O primeiro motivo, sobretudo, é algo que deve merecer toda a sua atenção. Não basta gostar do curso, estar apaixonado(a) por ele desde pequeno(a). É preciso investigar mais, verificar a grade curricular, ou seja, o conjunto das disciplinas e conteúdos que serão abordados ao longo do curso, para ter uma noção plena do caminho que vai trilhar. Em cursos da área de Exatas, muitas desistências são explicadas pela grande dificuldade de acompanhar as disciplinas da área nos primeiros anos.

O próprio Blogueiro se enganou, anos atrás, quando ingressou no curso de Letras Clássicas. Imaginava que iria formar-se como escritor, que era seu objetivo de vida. Na verdade, os cursos de Letras formam professores, de sorte que o Blogueiro acabou virando um professor. É claro que também se tornou escritor, embora o magistério lhe tenha causado dificuldades para atingir plenamente seu objetivo inicial. Menos mal, porque foi o magistério que sustentou sua vida, já que em nosso país a carreira de escritor não é lá muito bem remunerada.

Percebeu? Obter informações completas sobre o curso que pretende fazer é algo crucial, para evitar problemas futuros que possam levá-lo a desistir. Do mesmo modo, verificar as condições que terá na unidade universitária que ministra o curso é algo também muito importante. Para alguns, um curso numa capital é o mais desejável; para outros, será melhor numa cidade de menor porte; para outros, ainda, o ideal será na próprima cidade em que residem.

Por fim, é bom interessar-se, também, pela leitura de informações sobre os índices de evasão do curso escolhido e das razões apresentadas pelos desistentes. Não é impossível que algumas dessas razões possam fazê-lo alterar a localização do curso escolhido e até mesmo escolher outro curso.

Ficou claro para você? Ingressar numa universidade não é um ato que se limite apenas a prestar provas e receber aprovação. Será preciso, também, muita informação, muita reflexão, muita ponderação até que possa decidir com segurança. Pense nisso.

Informática: o denominador comum!

Wednesday, October 25th, 2017

O Blogueiro conversou ontem com uma estudante universitária que disse ter lido quase tudo do nosso Blogue, quando se preparava para o vestibular. Foram muitos elogios à utilidade dos artigos, particularmente os que abordam os problemas das provas objetiva e discursiva. Sem se revelar, o Blogueiro ficou extremamente feliz, ao perceber que os objetivos do Blogue de auxiliar os candidatos em todos os aspectos possíveis das provas estão sendo atingidos.

Conversa vai, conversa vem, a interlocutora mencionou uma passagem de que o Blogueiro nem se lembrava mais: a questão da Informática nos estudos. Essa referência provocou reflexões que culminaram com o artigo de hoje. Evidentemente, os estudantes contam com celulares, tablets, computadores não apenas para comunicar-se e se divertir, mas também para estudar. Celulares e tablets são, de fato, pequenos computadores de bolso, com os quais se faz quase tudo o que fazem laptops e computadores de mesa. A Informática invadiu nossas vidas. Tomou conta. Aos poucos, estamos até abandonando os livros em papel (as árvores agradecem) e utilizando para leitura os e-readers, que têm a vantagem de ser verdadeiras bibliotecas de bolso.

É claro que essa profusão de aparelhos e o enorme horizonte de comunicação que propiciam tem também seus lados negativos, que não precisam ser abordados neste artigo. O Blogueiro faz questão de enfatizar o aspecto da utilidade desses aparelhinhos em nossa vida particular e profissional. Este é o alerta: se ainda não está totalmente preparado para a utilização de todos os programas e recursos que a Informática coloca em nossas mãos, já é tempo de abrir os olhos. Você está prestes a fazer mais de um vestibular e, por certo, será aprovado em um deles. Então não pode ignorar que hoje, em todas as formas de atividades, a Informática está presente, é o denominador comum. Qualquer que seja o curso que venha a fazer, os computadores e seus programas representarão um dos instrumentos indispensáveis. Assim, na mesma medida em que vislumbra sua formação no curso universitário, tente vislumbrar também o papel que os computadores e programas representarão nas variadas atividades profissionais que você terá. É inimaginável, hoje, por exemplo, qualquer forma de trabalho de formação superior sem a Informática, que acabou se tornando a linguagem das linguagens.

Em inícios dos anos noventa, no século passado, alguns professores universitários eram avessos aos computadores. Hoje, fazendo um trocadilho, é impensável pensar que alguns pensem assim. No mencionado início dos anos noventa, um professor de Arquitetura afirmou a um aluno, com muita convicção, que a prancheta e o lápis jamais seriam substituídos. Pura ilusão. Não demorou muito para os softwares de computador se tornarem uma sofisticada prancheta eletrônica com milhares de recursos. As maquetes se tornaram digitais e as animações passaram a fornecer uma visão das obras projetadas muito mais próxima da realidade. Nem é preciso mencionar outros exemplos que você conhece muito bem, como os milhares de recursos e possibilidades que a Informática tornou possível hoje para a Medicina, as Engenharias, a Agronomia, o Jornalismo, a Publicidade, o Ensino, a Administração, etc., etc., etc.

É isso aí. Na mesma medida em que vai ganhando certeza de que conquistará sua vaga, informe-se também sobre os softwares que serão utilizados ao longo de sua formação nesse curso. Se ainda não sabe utilizar, terá algum tempo para preparar-se até o início das aulas. Se já sabe, procure melhorar ainda mais seu desempenho. Será um modo de ingressar no ensino superior com o pé direito, ou, dito de outro modo, com outra metáfora, muito bem calçado.

 

 

Expressão idiomática: uma faca de dois gumes

Wednesday, October 18th, 2017

Alguém já aconselhou a “enfeitar” seus textos com expressões idiomáticas, quer da língua portuguesa, quer do latim? Ou você mesmo resolveu fazer isso? Então é bom ser cuidadoso. Enfeites mal empregados podem tornar-se atrapalhos, isto quando não revelam ignorância. Um bom exemplo que pessoas experientes nos dão é que só devemos fazer aquilo que revele nossa capacidade, não nossa ingenuidade. Isto em qualquer atividade que tenhamos, seja na escola, seja no trabalho, seja em nossas relações com amigos e familiares. Você por certo já ouviu um narrador de futebol ou vôlei ou basquete dizer de um atleta: tentou enfeitar e se deu mal.

A questão do uso das frases idiomáticas se encaixa na observação acima. É interessante empregá-las em nossos escritos ou até mesmo em nosso discurso oral? Claro que é. Mas empregá-las com cuidado e conhecimento do que estamos realmente dizendo. Se alguns colegas seus lhe disseram que empregar expressões latinas revela conhecimento, entenda isso com muita consciência do que está fazendo. Todas as línguas são ricas em expressões idiomáticas, e isso até dificulta o aprendizado por estrangeiros. Você por certo já se deparou com muitas delas em textos em inglês e pode ter passado dificuldades para entender alguma em prova, quando conseguiu entender. Para um falante de inglês, a mesma coisa ocorre com expressões idiomáticas em português. Imagine um novaiorquino tentando entender uma expressão como confundir alhos com bugalhos. Você mesmo, que fala português, entende?

Complicado, não é? Por isso, muito cuidado ao empregar expressões como esta, se continuar sem entender. Mas, se pesquisar e verificar pelo menos alguma explicação, como por exemplo a do fato de que a bolota, fruto do carvalho, quando descascada para fazer farinha, fica bastante semelhante, visualmente, ao alho, poderá compreender melhor que, confundir alhos com bugalhos significa confundir coisas que podem até ter certas semelhanças, mas são muito diferentes. Percebeu?

Nós assimilamos muitas expressões idiomáticas à medida que vamos aprendendo a falar, desde pequenos, e acabamos empregando todas elas adequadamente, sem problemas. No escrever, porém, é preciso ter bastante precaução para não cometer nenhum deslize que prejudique a compreensão do que estamos declarando.

Os comentários feitos até aqui são reveladores, não são? Então passe a examinar com muita atenção cada expressão idiomática que lhe escapa em seu texto. Se tiver dúvida, a internet atualmente tem sites que focalizam e muito bem essa questão. Verifique, só para exercitar-se, expressões usuais como abraço de tamanduá, levantar acampamento, provar por a+b, descascar um abacaxi, ter um parafuso a menos, engolir  sapos, procurar agulha em palheiro, ser algodão entre cristais, amigo da onça, angu de caroço, etc., etc.

E muito mais cautela você deve ter com o emprego de fraseologia latina. Alguns imaginam que o emprego de expressões típicas latinas revela intelectualidade e conhecimento. Revelará, se você houver estudado latim e souber realmente o significado original da expressão e o que quer atribuir a seu texto. Se não souber, é melhor esquecer. Infelizmente, hoje são poucas as pessoas, como o Blogueiro, que estudaram três ou mais anos de latim nos ensinos fundamental e médio e outro tanto em cursos universitários. Cada expressão originária do latim tem sua história, que adere indissoluvelmente a seu significado, como Jacta est alea ou Alea jacta est. Você talvez já tenha empregado, no sentido de “a sorte está lançada”, como comumente se entende. Alea se refere ao jogo de dados. Mas poderá empregar com muito mais certeza e competência se verificar a história por trás da expressão. Esta foi pronunciada, segundo informa o historiador latino Suetônio, por Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, que separava as províncias das Gálias do território romano. Ao atravessá-lo, César iniciava a guerra civil contra Pompeu, em busca do poder romano, o que veio realmente a acontecer.

Percebeu? Você pode até enriquecer seus textos com expressões como essa ou também mutatis mutandis, deus ex machina, dura lex sed lex, auctoritate legis, in abstracto, etc., etc. E também pode se valer de expressões idiomáticas em outras línguas, como inglês, francês ou espanhol. Tome porém muito cuidado para fazê-lo apropriadamente, de modo a enriquecer seu texto com tons de intelectualidade, e não empobrecê-lo com traços de ingenuidade. Não vá fazer como, segundo reza o foclore futebolístico brasileiro, aquele dirigente de clube que usou, em vez da expressão faca de dois gumes, a por ele mesmo inventada faca de dois legumes!   

 

As quotas: uma universidade justa

Thursday, October 5th, 2017

Você sabe, é claro, que há muitos anos se desenvolvem as reivindicações de estudantes sobre a necessidade de quotas em todas as universidades. Saiba também que o  Blogueiro sempre foi favorável a essas demandas, por razões inquestionáveis. A principal delas nasce do fato de que, por não ter um índice de investimento tão alto quanto o de escolas particulares, as escolas públicas não conseguiam levar seus alunos a desempenhos suficientes em exames vestibulares, marcados pelo grande predomínio de candidatos egressos de escolas particulares. Se você é ou está se formando agora, sabe muito bem disso.

A solução desse problema não foi fácil. Para o Blogueiro, que prestou seu vestibular ainda sem que houvesse sistema de quotas, a consciência desenvolvida nas universidades públicas a respeito da necessidade de abrir tal sistema foi um processo talvez lento, mas seguro e justo, que atinge hoje seus índices mais elevados. De fato, à medida que o número de universidades públicas aumentou, bem como o número de vagas que foram passando a oferecer, ficava evidente a distorção social nessas ofertas, já que as vagas, particularmente nos cursos mais procurados, eram predominantemente ocupadas por candidatos oriundos de classes mais abastadas, por haverem cursado escolas bem mais estruturadas e cursos preparatórios de alto custo. Poder-se-ia falar em “culpados” dessa distorção? De modo algum. Foi algo que se criou a partir do próprio crescimento populacional, do desenvolvimento do ensino no país e das sucessivas crises que veio enfrentando ao longo do tempo. As reivindicações dos estudantes, neste sentido, foram verdadeiros alertas de que as universidades deveriam criar sistemas em que o problema social do ingresso em seus cursos deveria ser enfrentado e buscadas soluções adequadas. Felizmente, tais soluções acabaram chegando sob a forma de quotas.

Neste panorama, você deve saber que a UNESP representa um dos mais louváveis exemplos. Em primeiro lugar, porque, mesmo antes do sistema de quotas, sempre foi uma universidade com alto índice de egressos da rede pública. Em segundo, porque, percebendo que isso ainda não bastava, foi elaborando e aperfeiçoando a cada vestibular seu Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública, que atinge, nos exames vestibulares deste ano, a quota de 50% de suas vagas em todos os cursos para candidatos oriundos das escolas públicas. Esta é a melhor resposta às reivindicações dos estudantes, que podem disputar suas vagas em condições de igualdade. Neste sentido, pesquisas demonstram que tais candidatos, quando ingressam nas universidades, têm desempenho inteiramente satisfatório, muitas vezes igual ou até superior ao de egressos de escolas particulares.

Repare agora num importante aspecto das quotas que não o meramente estatístico. Elas representam o fato de anularem as perdas de talentos, que os vestibulares sem quotas, do passado, ocasionavam. São, assim, uma grande vitória na luta em busca de uma Universidade mais justa, de um Brasil mais justo, porque é da soma dos talentos de seus jovens que surgirá o país com que todos sonhamos.